sexta-feira, 20 de maio de 2016

Dilma ou Temer?!!! Fechamento da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência

Windyz Brazão Ferreira
ESCLARECIMENTO À COMUNIDADE COMPROMETIDA COM A PROMOÇÃO DOS DIREITOS DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA NO BRASIL

ASSINE AO MANIFESTO CONTRA O FECHAMENTO DA SNDPcD ABAIXO
Como muit@s, esta semana fui surpreendida com a notícia da extinção da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência 
Nauseada pelos retrocessos em curso desde o fechamento da Secretaria de Educação Especial em 2011, na gestão de Claudia Pereira Dutra – que, cabe lembrar, não tinha nada a ver com a Educação da Pessoa com Deficiência até o momento em que ´virou´ Chefe de Gabinete da SEESP/MEC em 2004 porque era esposa do Deputado Federal (PT) Paulo Pimenta. Os mais incautos/ingênuos viram nela a ´porta voz´ da inclusão educacional da PcD. Eu, que fui emprestada pela minha universidade ao MEC entre 2005-2007, quando pedi exoneração, aprendi sobre politica partidária e politicagem...
"No Brasil, atualmente percebemos um aumento da tensão acerca das políticas educacionais inclusivas delimitadas pelo Ministério da Educação (MEC), alvo de críticas por uma parcela significativa de educadores e especialistas em inclusão escolar. Nesse cenário conturbado, em que se opõem defensores ultrarradicais de uma escola inclusiva e vozes mais prudentes, entendemos que seja imprescindível provocar uma reflexão acerca das últimas ações do MEC.  Esse ministério promoveu a extinção da antiga Secretaria de Educação Especial (SEESP) para introduzir os assuntos de sua competência na estrutura da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (SECADI), perante o decreto presidencial n. 7.480, de 16 de maio de 2011, que passou a vigorar a partir de 23 de maio de 2011. Posteriormente, esse diploma legal foi revogado pelo decreto n. 7.690, de 2 de março de 2012, que, entretanto, trouxe discretas alterações na composição da recém-criada SECADI, mantendo, em linhas gerais, as mesmas proposições do decreto n. 7.480 no que tange à estrutura e função de tal secretaria. Convém assinalar que esta surgiu, por sua vez, da reestruturação realizada na ex-Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD), à qual se “acrescenta” o eixo da inclusão (Brasil, 2011a, 2012)."
BEZERRA, G.F e ARAUJO, D.A.C. Novas (re)configurações do MECRevista Brasileira de Educação v. 19 n. 56 jan.-mar. 2014 101 [07]
 O fechamento da SEESP na calada da noite gerou um buraco negro em termos de verbas federais para serem alocadas na promoção da inclusão educacional nas redes de ensino brasileiras com, em torno de, 190 mil escolas espalhadas por um Brasil altamente diverso. Com nosso silencio tácito há cinco anos atrás, aos poucos, vimos naufragar o movimento pela inclusão educacional das crianças, jovens e adultos com deficiência em nosso país apesar do ´marco político-legal mais avançado das Américas(!)´. Quem achar ainda que a inclusão vai bem no país, acesse nossa postagem Dane-se a legislação!    
Enfim, mas a história agora é outra: o fechamento da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência pelo atual presidente interino. Como pesquisadora na (árida) área de políticas públicas, decidi fazer uma incursão nos documentos publicados (lei, medida provisória) a fim de verificar a fidedignidade das informações embutida no ´disse me disse´ circulando nas mídias sociais. Somente com dados consistentes poderei me posicionar politicamente, como o faço aqui.
Assim, os dados abaixo apresentados (e propriamente referenciados  com citação de fontes e links oficiais) explicitam o que está acontecendo no momento quanto ao processo político que levou ao fechamento da SNPDPcD.  
De acordo com a fonte http://www.migalhas.com.br/Quentes/17,MI237246,81042-Lei+reduz+numero+de+ministerios[1], ´a presidente Dilma Rousseff sancionou com vetos a lei da reforma administrativa (13.266/16 - www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Lei/L13266.htm), que extingue oito ministérios e secretarias da Presidência da República. O texto é uma conversão da MP 696/15 e foi publicado em edição extra do DOU de quarta-feira, 6. A lei reduz de 39 para 31 o número de ministérios e secretarias e visa diminuir a máquina pública federal para cortar gastos.
A norma trata das fusões entre os ministérios do Trabalho e Emprego e da Previdência Social e entre as pastas da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e da Pesca e Aquicultura. Também estabelece que o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão assume as funções da Secretaria de Assuntos Estratégicos, que deixou de existir. A Secretaria-Geral da Presidência foi renomeada para Secretaria de Governo e o Gabinete de Segurança Institucional retomou o nome de Casa Militar da Presidência, que tinha até 1999. As Secretarias de Direitos Humanos, Políticas de Promoção da Igualdade Racial e Políticas para as Mulheres passaram a compor um único órgão.

No texto da Lei 13.266/2016 (acima) aparecem duas vezes apenas a referência aos direitos da Pessoa com Deficiência, marcado em amarelo, conforme a seguir:
XXV – Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos Humanos:
a) formulação de políticas e diretrizes voltadas à promoção dos direitos da cidadania, da criança, do adolescente, do idoso e das minorias e à defesa dos direitos das pessoas com deficiência e à promoção da sua integração à vida comunitária;
b) (VETADO);
c) articulação de iniciativas e apoio a projetos voltados à proteção e à promoção dos direitos humanos em âmbito nacional, tanto por organismos governamentais, incluindo os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, quanto por organizações da sociedade;
d) exercício da função de ouvidoria nacional de direitos humanos, da criança, do adolescente, do idoso e das minorias;
e) atuação em favor da ressocialização e da proteção dos dependentes químicos, sem prejuízo das atribuições dos órgãos integrantes do Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas (Sisnad);
f) formulação, coordenação, definição de diretrizes e articulação de políticas para as mulheres, incluindo:
1. elaboração e implementação de campanhas educativas e antidiscriminatórias de caráter nacional;
2. planejamento que contribua na ação do Governo Federal e das demais esferas de governo para a promoção da igualdade entre mulheres e homens;
3. promoção, articulação e execução de programas de cooperação com organismos nacionais e internacionais, públicos e privados, voltados à implementação das políticas; e
4. promoção do acompanhamento da implementação de legislação de ação afirmativa e definição de ações públicas que visem ao cumprimento de acordos, convenções e planos de ação firmados pelo País, nos aspectos relativos à igualdade entre mulheres e homens e ao combate à discriminação;

g) formulação, coordenação, definição de diretrizes e articulação de políticas para a promoção da igualdade racial;
h) formulação, coordenação e avaliação das políticas públicas afirmativas de promoção da igualdade e da proteção dos direitos de indivíduos e grupos raciais e étnicos, com ênfase na população negra, afetados por discriminação racial e demais formas de intolerância;
i) articulação, promoção e acompanhamento da execução dos programas de cooperação com organismos nacionais e internacionais, públicos e privados, voltados à implementação da promoção da igualdade racial;
j) formulação, coordenação e acompanhamento das políticas transversais de governo para a promoção da igualdade racial;
k) planejamento, coordenação da execução e avaliação do Programa Nacional de Ações Afirmativas;
l) acompanhamento da implementação de legislação de ação afirmativa e definição de ações públicas que visem ao cumprimento de acordos, convenções e outros instrumentos congêneres firmados pelo País, nos aspectos relativos à promoção da igualdade e ao combate à discriminação racial ou étnica;
m) formulação, supervisão, coordenação, integração e articulação de políticas públicas para a juventude; e
n) articulação, promoção e execução de programas de cooperação com organismos nacionais e internacionais, públicos e privados, voltados à implementação de políticas de juventude.

XXV – do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos Humanos o Conselho Nacional de Juventude, o Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial, o Conselho Nacional dos Direitos Humanos, o Conselho Nacional de Combate à Discriminação, o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, o Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, o Conselho Nacional dos Direitos do Idoso, o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, a Secretaria Especial de Direitos Humanos, a Secretaria Nacional de Juventude e até 7 (sete) Secretarias.

Com as mudanças ministeriais e de secretarias ligadas à Presidência da República, o texto da Medida Provisória 726 (12/05/2016), (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Mpv/mpv726.htm) assinada pelo Presidente Interino Michel Temer que ´altera e revoga dispositivos da Lei 10.683, de 28 de maio de 2003 (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.683.htm), dispõe sobre a organização da Presidência da República e dos Ministérios´, reproduz integralmente a redação da Lei 13.266/16 assinada por Dilma Rousseff e já não contem nenhuma vez a menção relativa às Pessoas com Deficiência.

O VICE-PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no exercício do cargo de Presidente da República e no uso da atribuição que lhe conferem o art. 79 e 62 da Constituição, adota a seguinte Medida Provisória, com força de lei:

Art. 1º  Ficam extintos:
I – a Secretaria de Portos da Presidência da República;
II – a Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República;
III – a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República;
IV – a Controladoria-Geral da União;
V - o Ministério da Cultura;
VI – o Ministério das Comunicações;
VII – o Ministério do Desenvolvimento Agrário;
VIII - Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos;
IX – a Casa Militar da Presidência República.

Art. 2º  Ficam transformados:
I – o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior em Ministério da Indústria, Comércio e Serviços;
II – o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação em Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações;
III – o Ministério da Educação em Ministério da Educação e Cultura;
IV – o Ministério do Trabalho e Previdência em Ministério do Trabalho;
V – o Ministério da Justiça em Ministério da Justiça e Cidadania;
VI – o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome em Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário;
VII – o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão em Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão;
VIII -  o Ministério dos Transportes em Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil;

Parágrafo único.  Salvo disposição contrária, a estrutura organizacional dos órgãos transformados, assim como as entidades que lhes sejam vinculadas, integrarão os órgãos resultantes das transformações.

Art. 4º  Ficam extintos os cargos de:
I – Ministro de Estado Chefe da Secretaria de Portos da Presidência da República;
II – Ministro de Estado Chefe da Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República;
III – Ministro de Estado Chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República;
IV – Ministro de Estado Chefe da Controladoria-Geral da União;
V - Ministro de Estado da Cultura;
VI – Ministro de Estado das Comunicações;
VII – Ministro de Estado do Desenvolvimento Agrário;
VIII - Ministro de Estado das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos.

Art. 6º  São transferidas as competências:
I – das Secretarias de Aviação Civil e de Portos da Presidência da República para o Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil;
II – da Controladoria-Geral da União para o Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle;
III – do Ministério das Comunicações para o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações;
IV – do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos em Ministério da Igualdade e Direitos Humanos para o Ministério da Justiça e Cidadania;
V – do Ministério do Desenvolvimento Agrário para o Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário;
VI – do Ministério da Cultura para o Ministério da Educação e Cultura;
VII – da Casa Militar da Presidência República para o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República.

Agora, convido vocês a assinarem e divulgarem o


MANIFESTO EM DEFESA DA SECRETARIA NACIONAL DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA 


Nós, pessoas com deficiência e representantes das entidades da sociedade civil que atuam na defesa dos direitos dos mais de 45 milhões desses brasileiros, exigimos do governo interino do presidente Michel Temer a manutenção da SNPD como órgão específico, com status de Secretaria Nacional, destinado à articulação de políticas públicas voltadas ao segmento.

Com a Lei 7.853/1989 foi criada a Coordenadoria Nacional para a Política de Integração da Pessoa com Deficiência – CORDE, que posteriormente passou para a estrutura da  Secretaria de Estado dos Direitos Humanos. Em 2003, pela Lei 10.683, a SEDH foi deslocada do Ministério da Justiça para a Presidência da República. Em 2009, com a edição da Lei 11. 958, foi elevada ao status de Subsecretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Em 2010 essa Subsecretaria tornou-se,  até a edição da MP 726/16, Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, condição que manteve mesmo após sua integração ao Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos Humanos, em 2015.

Nesses anos, o Brasil alcançou inúmeros avanços na promoção e defesa dos direitos das pessoas com deficiência. Em 2009, a Convenção Internacional das Nações Unidas sobre o tema (CDPD) foi promulgada com equivalência de emenda constitucional. Dois anos depois, foi implementado o Viver Sem Limite, programa premiado que instituiu numerosas políticas para essas pessoas, muitas delas consolidadas pela Lei Brasileira de Inclusão (LBI) de 2015. Foram ainda fortalecidos alguns conselhos já existentes e instituídos outros com o fim de ampliar o debate necessário ao resguardo de direitos. Foi produzido, também, na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável – Rio+20 (2012) de forma pioneira o documento “O futuro que queremos”, cujo resultado mais recente foi a inserção do tema “deficiência” nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecendo, assim, novas responsabilidades para o Estado brasileiro nessa seara, conforme estabelece o documento “Transformando Nosso Mundo: 

A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”, do qual o país é signatário.
Essas conquistas só se concretizaram em face da organização dos movimentos sociais das pessoas com deficiência, manifesta na expansão de conselhos municipais e estaduais sobre o tema, e em face da existência de um órgão específico, no Estado, destinado a promover os direitos desse segmento, a Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência – SNPD.

Há ainda, contudo, muito a fazer. Precisamos ver materializados, na vida das pessoas, os avanços previstos na referida Convenção e Lei Brasileira de Inclusão, entre os quais os relativos ao efetivo acesso aos direitos à saúde, educação e trabalho entre outros. Precisamos de políticas públicas que garantam às 45.606.048 pessoas – que, segundo o Censo de 2010, possuem algum tipo de deficiência  – efetiva participação na sociedade, em cumprimento a um dos desafios lançados na Declaração da Década das Américas pelos Direitos e pela Dignidade das Pessoas com Deficiência (2006-2016),  que teve como lema: “Igualdade, Dignidade e Participação”, cujo objetivo é alcançar o reconhecimento e o exercício pleno dos direitos e da dignidade das pessoas com deficiência e seu direito de participar plenamente na vida econômica, social, cultural e política e no desenvolvimento de suas sociedades, sem discriminação e em pé de igualdade com os demais.

Por essas razões, nós, pessoas com deficiência e representantes das entidades da sociedade civil que atuam na defesa dos direitos dessas pessoas, exigimos do governo interino do presidente Michel Temer a manutenção da SNPD como órgão específico, com status de Secretaria Nacional, destinado à articulação de políticas públicas voltadas ao segmento.

Além de fundamental do ponto de vista administrativo e social,  pois assegurará a esses  45,6 milhões de pessoas,   realização de direitos, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas sem  deficiência, tal manutenção é fundamental do ponto de vista político, porque  contribuirá  para a materialização do compromisso assumido pelo Brasil perante a ONU,  de fortalecimento, no âmbito do Governo, das estruturas e pontos focais para assuntos relacionados à  implementação da citada Convenção e de “devida consideração ao estabelecimento ou designação de um mecanismo de coordenação no âmbito do Governo, a fim de facilitar ações correlatas nos diferentes setores e níveis”.  A manutenção da SNPD, com o mesmo status que ostentava antes, evitaria também a denúncia do Estado brasileiro perante o Comitê da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, impositiva nas hipóteses de desrespeito às disposições da Convenção, que certamente ocorreria caso eventualmente suprimida essa Secretaria. A subsistência da SNPD impediria, por fim, retrocesso inaceitável aos direitos fundamentais tão duramente conquistados por esses 23,9% da população.

Nós, brasileiros e brasileiras com deficiência, exigimos nosso lugar no Estado, em igualdade de direitos!  Clique no link abaixo, assine e divulgue a petição em suas redes sociais:




[1] Site de profissionais e empresas na área jurídica 

quarta-feira, 4 de maio de 2016

"Yes, We Fuck!" Documentário Espanhol aborda de maneira livre a sexualidade de pessoas com diversidade funcional

Jackeline Susann Souza da Silva
Windyz Brazão Ferreira

Hoje foi exibido no Salão de Atos da Faculdade de Educação da Universidad de Salamanca (Espanha) o documentário "Yes, We Fuck!" de direção e produção de Antonio Centeno e Raúl de la Morena. Este documentário traz de maneira ousada, direta e, sobretudo, política o tema da sexualidade de pessoas com "diversidade funcional", as ditas "pessoas com deficiência".


Quem disse que pessoas com deficiência não têm vida sexual, são assexuados ou estão impossibilitados de de ter uma transa prazerosa como qualquer outra pessoa? De onde vem este mito?

Antonio Centeno, principal idealizador deste projeto, lidera uma turnê para exibição do documentário em diversas universidades e instituições europeias. Ele é usuário de cadeiras de rodas e ativista do movimento Vida Independente, No Brasil, visite o site Rede MVI-Brasil e assista no Youtube o Vídeo Centro de Vida Independente do Rio de Janeiro . 

Em sua exposição, o diretor Antonio Centeno deixou evidente que o principal propósito deste projeto é "sexualizar a pessoa com diversidade funcional para dar visibilidade a sua sexualidade e independência. Sexo é uma posição política". 

Para o diretor, a visão infantilizada que a sociedade ainda mantém da pessoa com deficiência busca na biologia a justificativa para a suposta "dependência natural", reforçando que, assim, como as crianças, as pessoas com deficiência não têm capacidade de viver sua sexualidade. "Nossos corpos não são nossos. Somos anulados como pessoa. O sistema jurídico nos incapacita de decidirmos sobre nossa vida, transferindo esse poder para a família" (Antonio Centeno).

Mais do que provocar impacto no grupo das pessoas com deficiência, o documentário traz uma nova visão sobre a sexualidade humana ao questionar os padrões de corpos e de desejos sexuais, ambos refletidos como construções sociais e publicitárias. Para isso, o documentário rompe com o isolamento da discussão sobre deficiência ao buscar "cumplicidade política com grupos que trabalham com o corpo" e abrir o diálogo interseccional entre pessoas com diversidade funcional e feministas, transfeministas, LGBTs, grupos intersex, entre outros grupos.

Os/as protagonistas do documentário são as próprias pessoas com deficiência que definem o que representa sexo para elas. Ganha destaque também a fala de profissionais do sexo, de assistentes sexuais, de pais e mães e de parceiros sexuais. Ao longo do vídeo, há cenas de sexo, mostrando a experiência real de várias pessoas com diversidade funcional. Por causa das cenas explícitas, o documentário já sofreu censura nas redes sociais.

Antonio complementa que, "essas são cenas de sexos entre pessoas com um grande compromisso político. Ninguém é menos capaz que ninguém. E é isto o que representa "Yes, We Fuck!". Não queríamos fazer um documentário sobre gente rara fazendo coisas raras. A ideia era colocar em foco as questões fundamentais que afetam todo mundo". 

A respeito de como vamos abordar essas novas maneiras de perceber e experienciar a sexualidade com as futuras gerações, Antonio deixou a seguinte provocação: 

"Este documentário não é educativo. Ele é deseducativo (se referindo à desconstrução da normalidade dos corpos para exercer a sexualidade). Antes de trabalhar a sexualidade do outro, precisamos trabalhar a nossa própria sexualidade. (...) É preciso gerar novas dinâmicas, espaços, maneiras. É necessário permitir convivências".

Assista ao documentário e a outros vídeos, acessando a página do projeto 
http://www.yeswefuck.org/


No Brasil, o Ministério da Saúde publicou em 2009 o Documento a seguir que pode ser acessado no link:
Direitos Sexuais e Reprodutivos na Integralidade da Atenção à Saúde da Pessoas com Deficiencia


De acordo com este documento brasileiro "os direitos sexuais e os direitos reprodutivos nascem a partir da definição de saúde reprodutiva, buscando interagir os direitos sociais (principalmente o direito à saúde, à educação, à informação correta e em linguagem adequada), com os direitos individuais de não interferência e de não discriminação. (BRASIL, 2007). 


2.4.1 Direitos Sexuais

• Direito de viver e expressar livremente a sexualidade sem violência, discriminações e imposições e com respeito pleno pelo corpo do (a) parceiro (a)
• Direito de escolher o (a) parceiro (a) sexual
• Direito de viver plenamente a sexualidade sem medo, vergonha, culpa e falsas crenças
• Direito de viver a sexualidade independentemente de estado civil, idade ou condição física
• Direito de escolher se quer ou não quer ter relação sexual
• Direito de expressar livremente sua orientação sexual: heterossexualidade, homossexualidade, bissexualidade, entre outras
• Direito de ter relação sexual independente da reprodução
• Direito ao sexo seguro para prevenção da gravidez indesejada e de DST/HIV/Aids
• Direito a serviços de saúde que garantam privacidade, sigilo e atendimento de qualidade e sem discriminação
• Direito à informação e à educação sexual e reprodutiva

2.4.2 Direitos reprodutivos

• Direito das pessoas decidirem, de forma livre e responsável, se querem ou não ter filhos, quantos filhos desejam ter e em que momento de suas vidas
• Direito a informações, meios, métodos e técnicas para ter ou não ter filhos
• Direito de exercer a sexualidade e a reprodução livre de discriminação, imposição e violência
(MS, 2009, pp.32-33)

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Conheça a História de Carly Fleischmann: diagnosticada com "autismo severo" hoje ela compartilha sua visão de mundo nas redes sociais

Já apresentamos neste Blog histórias de pessoas com diagnosticadas com Autismo. Dentre as histórias narradas, chama atenção o caso de Carly Fleischmann, uma jovem canadense, que desde muito cedo teve que enfrentar os conflitos de viver em uma sociedade que não compreende seu modo de ser e estar no mundo.

Conheça um pouco da história de Carly acessando ao vídeo abaixo:



Carly tem uma irmã gêmea e isso de certa forma foi um dos 'motivos' para comparar o seu desenvolvimento cognitivo e social a um possível padrão normal. Desde os dois anos de idade, diferentemente da sua irmã, ela foi diagnosticada com "autismo severo". O diagnóstico foi reforçado pelo seu comportamento, por estar sempre alheia ao mundo, não falar, não interagir com os familiares, profissionais e pessoas próximas e por, muitas vezes, se espancar e meter a cabeça contra a parede. 

Desde a infância seus país submetia Carly a intensos tratamentos de reabilitação e educação especial, na expectativa de verem alguma melhora em seu caso tão grave. Mas, poucos foram os resultados...

Até que, aproximadamente aos 11 de idade, Carly surpreendeu a família ao escrever a palavra DOR, seguida de SOCORRO em um computador e logo após, vomitar. Seus pais ficaram incrédulos, sem saber como ela sabia ler e escrever, se até então, nunca tinha demonstrado nenhuma dessas habilidades.

Carly Hoje 

Após vários estímulos da família e profissionais para Carly usar o computador, hoje esta é uma das suas principais ferramentas de interação. Ela usa uma conta no Twitter e outra no Facebook para descrever sobre sua perspectiva o que é viver com o autismo. 

Carly é incisiva e segura quando questiona as pessoas que tentam conceituar o autismo de maneira errônea, limitada e irrealista. Em 2011, ela lançou uma biografia intitulada "Carly's Voice".
O Que aprendemos com Carly?

Sem dúvidas uma das lições de vida da história de Carly Fleischmann é que não podemos rotular uma pessoa por causa de um diagnóstico. O rótulo é uma narrativa que tenta encaixar a pessoa a padrões de comportamento pré-definidos. Na lógica da rotulação, as pessoas tenderiam a ter maneiras iguais de se comportar, de aprender, de comunicar. Aquelas pessoas que fogem do padrão são consideradas desviantes/problemáticas/doentes, devendo, portanto, sofrer intervenções para atingir o estado de 'normalidade'. 

Contrariando esta visão, a história de Carly mostra que cada ser humano é singular. Ela mesma é um exemplo disto, mesmo com uma irmã gêmea, tem uma maneira própria de estar no mundo. Não por causa do autismo, mas porque como cada um de nós ela é uma outra pessoa, com outras expectativas, com outra maneira de pensar e de expressar suas preferências e inquietações.

A deficiência é uma experiência, não somente uma marca no corpo ou mente. É uma experiência particular, vivenciada por diferentes pessoas. Neste caso, como destaca a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (ONU, 2006) a PESSOA é que deve ser reconhecia e ter visibilidade maior do que sua deficiência. Quando a pessoa é vista, a deficiência é percebida como mais uma característica da sua identidade como o gênero, a classe social, a etnia. Quando a pessoa é percebida mais que sua deficiência, ela pode narrar como é para ela a experiência particular de vivência com a deficiência (qual o tipo de acessibilidade é mais conveniente; qual grupo social ela se sente representada; quais barreiras são mais urgentes, etc.).

Carly tem autismo e aprendeu sozinha a usar o computador. Uma outra criança ou jovem com autismo não necessariamente necessita usar esse recurso para comunicar-se, mas qualquer outro que ela se sinta contemplada.

Fica a mensagem: limpar a lente pela qual percebemos o mundo, é o primeiro passo para conhecermos as pessoas como elas são verdadeiramente.



terça-feira, 26 de abril de 2016

GUIA DO UNICEF - INCLUIR BRINCANDO

Quando se fala de inclusão escolar, pouco ou nada se fala de brincar... Isso é estranho porque a aprendizagem, como sabemos, deve ser participativa e interessante. Deve despertar a curiosidade e envolver os estudantes, ou seja, deve dar prazer... Estou aqui pensando que talvez tenhamos perdido a dimensão lúdica do aprender quando se trata de inclusão de pessoas com deficiência, tão concentrados estamos em apontar os problemas, as barreiras, o que falta, o que não funciona... Esquecemos neste processo a mais simples e incrível dimensão do aprender que é a alegria do aprender apenas...

Por isso, resolvi compartilhar aqui no BLOG, sem demora, este Manual Incrível do UNICEF que tem como título INCLUIR BRINCANDO.  

“O Projeto INCLUIR BRINCANDO é uma iniciativa da VILA SÉSAMO e do FUNDO DAS NAÇÕES UNIDADES PARA A INFÂNCIA – UNICEF, que busca contribuir para a garantia do direito de brincar a todas as crianças, respeitando os ritmos e a individualidade de cada uma.

Nosso sonho é um brincar inclusivo, que promova a interação de todas as crianças, valorize as diferenças, estimule a autonomia e fortaleça a autoestima.

Neste guia do brincar inclusivo, você encontra sugestões de brinquedos, brincadeiras e jogos que permitem a participação de todas as crianças. você vai ver:

                                                      Incluir é bem mais simples do que parece e torna a brincadeira muito mais divertida! “

Para acessar o manual, clique em: GUIA UNICEF

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E lembre-se de divulgar em suas redes sociais!!!
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BY OINCRIVELZE · 6 OUTUBRO, 2015


segunda-feira, 25 de abril de 2016

Curso sobre Dislexia para Professor@s Online e Gratuíto

A UFMG, em parceria com o Instituto ABCD, elaborou o curso a partir da versão criada pela Dyslexia Internacional, que é uma organização sem fins lucrativos que dá treinamentos para professores, assegurando que a alfabetização é possível e efetiva na sala de aula.

Pesquisas mostram que 0,5% a 17% da população mundial, apresenta sintomas  da dislexia...


Dislexia não é uma doença, mas um transtorno genético e hereditário da linguagem, geralmente é identificada na fase da alfabetização, quando a criança apresenta dificuldades para decifrar os códigos escritos e sonoros da leitura, trocando as palavras e seus significados.
O distúrbio é caracterizado pela dificuldade que o cérebro tem em processar os símbolos da soletração, escrita, leitura, e a compreensão de textos. Levando o professor a pensar em primeiro estágio, ser uma falta de concentração, problemas psicológicos, desinteresse, ou até mesmo preguiça para os estudos. 

Mas como saber de fato a real condição do aluno que apresenta dificuldade para aprender? É sabido também que as instituições em sua maioria não contratam profissionais capacitados para atender as necessidades específicas dessa realidade em sala de aula.

Pensando nessa problemática que os professores enfrentam, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) lançou, junto com o Instituto ABCD, uma plataforma para capacitação de professores, online e gratuito, sobre a Dislexia.

O curso tem como principal objetivo capacitar os educadores a identificarem os sintomas da dislexia e a ensinar o que deve ser feito, oferecendo subsídios e técnicas para um ensino efetivo com resultados positivos. Sabendo como proceder, o educador mostra ao aluno como ele pode lidar com sua limitações específicas, gerando um ambiente escolar mais seguro e acolhedor.

No curso, a plataforma apresenta os seguintes temas:

1- O que é dislexia, 

2- Qual a sensação de ter dislexia, 

3- O que causa a dislexia , 

4- O desenvolvimento da leitura, 

5- O cérebro e a linguagem, 

6- Processamento da linguagem, 

7- Fases da leitura, 

8- Resumo, 

9- Compreensão, 

10- Dificuldades na leitura, 

11- Outras dificuldades de leitura.


Você pode assistir aqui o documentário da HBO Viagem dentro da Dislexia (1h.36m)

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Education for All: Disability, Diversity and Inclusion (curso em inglês)

Prezad@s

Eu estou fazendo este curso e afirmo, vale a pena! 

E é GRATUÍTO!!!


É meio puxado, tem muitas atividades por semana, mas o nível é de alta qualidade, assim como os materiais. Se você tiver um tempo, monte um grupo e faça juntos com seus pares. Somente um precisa saber bem inglês para poder realizar as atividades.

Tem participantes do mundo inteiro e você pode conhecer muitas experiências na área de inclusão!!! Vale a pena.

Eles também vendem o certificado, mas é acessível: U$19.

FREE ONLINE COURSE
Education for All: Disability, Diversity and Inclusion
Join this free online course to find out how inclusive education can work, especially where resources are limited.

Clique no link abaixo:

Future Learn Courses



sábado, 2 de abril de 2016

Dia Mundial do Autismo - 2 de Abril... Vista azul e compartilhe suas aprendizagens sobre a contribuição das pessoas autistas

Windyz Brazão Ferreira
Jackeline Susann Souza da Silva




No dia 01 de Novembro de 2007, a  Organização das Nações Unidas - ONU aprovou uma série de temas de relevância social, desde a eliminação de todas as formas de violência contra a mulher (sexo feminino) e fortalecer programas de prevenção até designar um dia especial como o Dia Mundial do Autismo. 

Porque definir um dia especial é importante para as Pessoas Autistas e suas famílias?

Porque em todos os países haverá algum tipo de manifestação em defesa e promoção dos direitos das pessoas autistas para a redução do preconceito, assim como movimentos de disseminação de conhecimentos, experiências e informações importantes para fazer a parte da sociedade que é constituída pelas pessoas sem deficiência refletir sua atitude com relação às pessoas, neste caso, autistas, ou seja, refletir/rever sua forma de se relacionar, compreender e tratar as pessoas autistas e suas famílias.  

As estimativas da ONU indicam que, aproximadamente, 1% da população mundial possui a Síndrome do Autismo. 

No Brasil, esse percentual representa em torno de 2 milhões de crianças, jovens e adultos com autismo.

O dia 02 de abril de cada ano deve ser, portanto, um dia dedicado a esta tema: escolas, professor@s, pais e mães, associações de bairro, grupos religiosos, empresas e outros devem abordar assuntos relativos ao autismo por meio de promover atividades que nos ajudem a desenvolver novas compreensões e crenças sobre esta população maravilhosa constituída, cujas diferenças lhes permitem viver em um mundo mais interiorizado, que requer mais silêncio (mais introspecção) e menos envolvimento na vida alheia (menos fofoca, menos perda de tempo). A vida internalizada das pessoas autistas contribui para a reflexão sobre nosso papel no mundo, em especial, para aquel@s que têm o privilégio de recebê-los: suas famílias.  

O autismo é definido pela medicina como um distúrbio do neurodesenvolvimento que se manifesta precocemente e afeta as habilidades de comunicação, comportamento e interação social. Três habilidades fundamentais para a vida em sociedade.

O termo engloba também os denominados Transtornos do Espectro do Autismo-TEA, constituído por um grupo bastante diverso que abrange desde indivíduos que não se comunicam verbalmente com deficiência intelectual associada, até os chamados gênios com habilidades específicas.

O potencial das pessoas autistas nunca será conhecido se seus direitos de viver em comunidade e com as oportunidades naturais à vida de qualquer criança, jovem e adulto não forem respeitados!



Conheça a história de Jacob Barnett, escrita por sua mãe Kristine Barnett, no livro Brilhante (http://www.saraiva.com.br/brilhante-a-inspiradora-historia-de-uma-mae-e-seu-filho-genio-e-autista-4967303.html). 

Se ela não tivesse lutado pelos seus direitos de viver junto com qualquer outra criança e ouvido seus chamados – interesse por astronomia quando ainda era muito pequenino – ele não seria hoje um nome com potencial de Prêmio Nobel!!!

Assista agora ao Vídeo no Youtube, clicando abaixo:

"Forget what you know"

É o que Jacob Barnett nos leva a refletir em sua brilhante apresentação no TED. Esqueça o que você sabe sobre pessoas com autismo é o que pedimos neste dia Mundial de Conscientização do Autismo

Ele é um adolescente americano de 17 anos que estuda doutorado em Física Quântica e tem seus trabalhos cotados para futuros prêmios Nobel. O que chama atenção na história de Jacob é que aos dois anos de idade ele foi diagnosticado com autismo severo. Sua mãe, Kristine Branett, foi desenganada pelos especialistas que afirmaram categoricamente a ela que seu filho não iria aprender a falar, a ler e como diz o próprio Jacob “não iria aprender a amarrar os sapatos”. Após o diagnóstico, Jabob foi submetido a inúmeros programas de reabilitação e educação especial para desenvolver as habilidades de uma criança ‘normal’. Sua mãe relata na reportagem da BBC que fora da terapia Jacob “fazia coisas extraordinária como mapas de cotonete no chão da sala, recitava o alfabeto de trás para frente e falava quatro línguas na infância” 

Reportagem completa: 


História tão fantástica como a de Jacob Barnett é a de Carly Fleischmann (ver: https://www.youtube.com/watch?v=M5MuuG-WQRk ), uma jovem que tem uma irmã gêmea, mas que diferentemente da sua irmã, recebeu o diagnóstico de autismo. Durante toda infância, apesar da rotina intensa de reabilitação, ela não apresentava nenhum tipo de ‘avanço’ em seu desenvolvimento. Segundo seus pais e especialistas era certo que Carly só atingiria o padrão mental de uma criança de seis anos. No entanto, surpreendentemente, aos 11 anos de idade, Carly sentou em frente ao computador e digitou a palavra DOR e em seguida SOCORRO. Antes disso, a jovem nunca tinha comunicado nada diretamente e muito menos por meio da escrita. Seus pais refletiram “Como pode Carly se expressar daquela maneira? Como ela se manteve todo esse tempo ‘escondida’?” A partir desta interação ela foi estimulada pelos seus familiares a comunicar-se pelo computador e passou a falar sobre si e sobre o autismo, desconstruindo qualquer visão que tentasse reduzi-la ou rotulá-la. Ela usa sistematicamente suas contas no Twitter e Facebook para interagir com o público.

Quantos Jacob e quantas Carly estão impedidos de serem descobertos por causa de seus diagnósticos e prescrição, ou ainda isolamento em instituições que os limitam e constrangem ?


Por suas características sociais distintas, frequentemente pessoas autistas e com TEA são alijadas da vida familiar; privadas de liberdade e trancafiadas em instituições similares a asilos ou em suas próprias residências; estão vulneráveis a discriminação e violência física, psicológica e sexual. Além disso, quando podem ter acesso à escolarização, com frequência, suas famílias encontram as portas das escolas fechadas: a matrícula é negada tanto em escolas públicas quanto privadas.

Não é diferente com os serviços de saúde – médicos e paramédicos, cuja maioria profissional conhece muito pouco sobre a síndrome e adota procedimentos obsoletos e prejudiciais, muitas vezes tratamentos experimentais, intrusivos e devastadores de modificação de comportamento.




Assista ao filme Temple Grendin e veja como uma interpretação sem fundamentação do autismo poderia impedir o desenvolvimento de uma mente brilhante, se não fosse um professor mais aberto e sensível à diferença, ela não se tornaria a criadora de uma sistema inovador de abate de gado nos EUA que foi adotado no país todo!. Depois de ver o filme da história de vida desta mulher autista, assista à uma de suas palestra no TED.


Temple Grandin no TED

Pessoas com autismo são crianças, jovens e adultos do sexo feminino ou masculino, que nascem, crescem e vivem como qualquer outra pessoa se as oportunidades estiverem presentes e o respeito às suas características individuais existir.

Todavia, a sociedade ainda não está preparada para conviver com as diferenças humanas e é intolerante contra os que são mais diferentes porque tod@s somos diferentes dos outr@s. Não há um ser humano igual ao outro, nem mesmo os gêmeos univitelinos!!! A consequência de tal intolerância à diversidade humana é que as pessoas autistas ou com TEA (assim como os gays, as pessoas com cegas negras, surdas, etc.) acabam sendo vulnerabilizadas e vítima de múltiplas manifestações de discriminação e exclusão, as quais – sistematicamente - impedem seu pleno desenvolvimento e gozo dos direitos fundamentais, conforme estabelecido pela Convenção dos Direitos da Pessoa com Deficiência (ONU, 2006) e pela recente Lei n° 13.146 publicada em 6 de julho de 2015.



Concluímos com a história do menino autista neozelandês James Isaac e Mahe, seu cão Labrador preto, que mostram que tudo é possível se tivermos mentes e corações abertos para as diferenças e os direitos humanos.

O labrador foi treinado para acompanhar crianças autistas e exerce papel fundamental na rotina do menino neozelandês James Isaac

Há dois anos, a companhia do cão Mahe torna a vida do menino com autismo James Isaac mais calma. Por causa da doença, o menino neozelandês, de 9 anos, é extremamente ansioso e só consegue se acalmar ao lado do animal de estimação. O caso que melhor demonstra a relação dos dois foi quando o cão acompanhou o menino durante exames de rotina. Os médicos autorizaram a entrada no animal no hospital pelo bem que ele faz a James.

Desde os seis meses de idade, Mahe foi treinado para acompanhar crianças com autismo pela instituição de caridade “Assistance Dogs New Zealand Trust”, na Nova Zelândia. Wendy Isaacs, fundador da instituição, conta que é impressionante a relação entre os cães e as crianças autistas:

“É uma conexão mágica, eles simplesmente acalmam os garotos. As crianças mantêm contato visual com os animais, algo que muitas vezes não acontece nem com seus parentes.”

70 milhões de pessoas têm autismo no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), e o garoto tem o grau profundo da doença. A mãe dele, Michelle Issas, contou no programa norte-americano “Today Show” que o cachorro exerce um papel fundamental na rotina da família.

“Mahe mudou as nossas vidas. É parte da família agora. A principal coisa que ele faz é ajudar a manter James seguro e calmo quando estamos na rua”, disse.

Quando saem juntos, uma coleira liga os dois e impede o menino de ir muito longe. Caso James tente correr, o cão é treinado para sentar e impedir qualquer risco.
“Antes de Mahe, nós teríamos que segurar sua mão com força para impedi-lo de correr, e James odeia isso. Ele só quer sua liberdade. Mahe dá-lhe a liberdade para explorar seu ambiente sem ser arrastado ao redor”, acrescentou a mãe".
O caso mais emocionante da relação dos dois ocorreu durante uma ressonância magnética de James. No exame de rotina, o garoto teve que ser sedado e o cachorro esteve ao seu lado todo tempo. Os médicos, ao verem o benefício do companheirismo entre eles, permitiram até que Mahe subisse na cama do amigo.

“Ele ficou com o rosto muito perto de James, que estava dormindo. Foi comovente pois ele parecia realmente preocupado”, lembra Michelle.

Quando James acordou, o cão estava ao lado, o que fez com que ele se acalmasse. Uma vez por semana, o cachorro acompanha o menino à escola, onde os professores estão sendo treinados para lidar com o cão. “Eles acreditam que Mahe terá um efeito muito positivo sobre as outras crianças em sua classe”, afirmou a mãe.