domingo, 11 de setembro de 2016

Jogos paralímpicos: de onde vieram e para onde vão?

Vamos conhecer a história dos jogos Paralímpicos???

As primeiras disputas entre atletas com algum tipo de deficiência aconteceram há mais de um século. Hoje, a Paralimpíada é um dos eventos esportivos mais importantes do mundo.

As primeiras disputas entre pessoas com deficiência de que se tem notícias datam de 1888. Elas aconteceram em Berlim, na Alemanha, onde clubes estimulavam a participação de surdos nos esportes. Mais tarde, lá pelos anos 1920, nos Estados Unidos, tiveram início atividades como natação e atletismo para atletas com deficiência visual. Mas foi somente depois da Segunda Guerra Mundial (19391945) que as competições ganharam força.

O NEUROLOGISTA LUDWIG GUTTMANN, 
ESPECIALIZADO EM LESÕES NA COLUNA, 
FOI O PIONEIRO DAS COMPETIÇÕES EM CADEIRA DE RODAS 
(FOTOS RAYMOND KLEBOE/GETTYIMAGES)
O embrião foi formado a partir de 1944, na Inglaterra. Como os métodos tradicionais de reabilitação não poderiam atender às necessidades de um grande número de soldados com deficiência, o governo britânico pediu ao neurologista e neurocirurgião Ludwig Guttmann que criasse um centro especializado em lesões na coluna, no Hospital Stoke Mandeville. Além de usar a fisioterapia no tratamento, o médico recorreu ao esporte para motivar seus pacientes, começando por arremessos 
de bola para exercitar os membros superiores. A iniciativa gerou aumento de resistência física e de autoestima. E foi ali que a reabilitação por meio do esporte evoluiu de recreacional para competitiva.

MARGARET MAUGHAN, MEDALHA DE OURO NO TIRO COM ARCO NOS PRIMEIROS JOGOS PARALÍMPICOS, EM ROMA (1960), PARTICIPOU DA CERIMÔNIA DE ABERTURA DA PARALIMPÍADA DE LONDRES 
(FOTO: BUDA MENDES/GETTYIMAGES)





Agora vamos aos fatos que levaram ao surgimento e ao crescimento dos Jogos Paralímpicos.


1948: lançados os Jogos de Stoke Mandeville. Enquanto acontecia a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Londres, em 29 de julho de

1948, Guttmann comandava a primeira competição de pessoas com deficiência. Dezesseis militares inscritos, entre homens e mulheres com algum tipo de lesão, participaram de um torneio de tiro com arco.

1952: a Holanda entra em cena. Militares holandeses foram convidados a participar dos Jogos de Stoke Mandeville, abrindo espaço para a primeira competição internacional para pessoas com deficiência. À medida que o esporte adaptado crescia, surgiam inovações para melhorar a vida dos atletas.

A Guerra Fria e a corrida espacial alavancam o desenvolvimento do plástico e seus compostos: espumas de plástico e fibras de vidro começaram a ganhar espaço em hospitais, centros de terapia e na confecção de próteses.

1958: o Brasil dá os primeiros passos no esporte adaptado
Após sofrerem lesão medular em razão de acidentes, dois brasileiros procuraram serviços de reabilitação nos Estados Unidos que incluíam a prática esportiva. Na volta, Sérgio Serafim Del Grande, de São Paulo, e Robson Sampaio de Almeida, do Rio de Janeiro, fundaram associações onde inicialmente era praticado o basquete em cadeira de rodas. São eles os precursores do esporte adaptado ou seja, a prática de uma atividade esportiva adaptada para pessoas com deficiência por aqui.

1960: enfim, Jogos Paralímpicos. Oficialmente com esse nome, eles aconteceram em Roma, na Itália, com 400 inscritos de 23 países, imediatamente após os Jogos Olímpicos.

1964: surge a Organização Internacional Esportiva para Deficientes (ISOD, na sigla em inglês). A entidade passou a oferecer oportunidades para todo tipo de atleta com deficiência com problemas de visão, amputados, com paralisia cerebral e paraplégicos.

1972: Brasil estreia em Jogos Paralímpicos
Aconteceu em Heidelberg, na Alemanha, com um grupo de 20 atletas homens, que terminou sem medalhas. Outras 41 delegações marcaram presença no evento. Nos anos 1970, teve início também a era da popularização do plástico – material leve e flexível – no desenvolvimento de próteses mais confortáveis e próprias para a prática esportiva.

1976: a primeira medalha brasileira, nos Jogos de Toronto, no Canadá. A dupla Luiz Carlos Costa e Robson Sampaio Almeida estreou no pódio, com uma medalha de bronze, em uma prova de lawn bowls (espécie de bocha sobre grama). A partir dessa edição, cegos e amputados também entraram nas disputas.

1980: a vez de atletas com paralisia cerebral. Eles começaram nos jogos da cidade de Arhnem, na Holanda. Participaram 125 portadores de paralisia cerebral, 341 com deficiência visual, 452 amputados e 1.055 cadeirantes.

1984: 22 medalhas para o Brasil. Na edição que teve duas cidades sediando os jogos Nova York, nos Estados Unidos, e Stoke Mandeville, na Inglaterra , o Brasil garantiu mais de duas dezenas de medalhas e terminou na 24a colocação no quadro geral de medalhas, com 7 ouros, 17 pratas e 4 bronzes.

1988: os Jogos Paralímpicos passam a acontecer na mesma cidade que os Olímpicos. Depois de várias edições com sedes diferentes, Seul, na Coreia, recebeu os dois eventos. E assim foi daí por diante.

1989: fundado o Comitê Paralímpico Internacional (IPC, na sigla em inglês). A entidade, sem fins lucrativos, nasceu em Dusseldorf, na Alemanha, com o objetivo de atuar como órgão dirigente do movimento paralímpico global.

1992: Barcelona, um primor de organização. Grande parte da cidade-sede foi adaptada para receber confortavelmente 3 mil atletas, independentemente do tipo de deficiência. Três atletas brasileiros tiveram performances memoráveis: Luiz Cláudio Pereira, no arremesso de peso, Suely Guimarães, no lançamento de disco, e a velocista Ádria Santos, que ganhou seu primeiro ouro ao vencer a prova dos 100 metros.

1995: fundado o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB)
A entidade foi criada tendo como principal função consolidar o movimento paralímpico no Brasil, difundindo o esporte de alto rendimento para pessoas com deficiência.

1996: a prótese Flex-Foot Cheetah é usada pela primeira vez na Paralimpíada de Atlanta, nos Estados Unidos. De fibra de carbono material flexível e de alta absorção de energia e inspirado na pata do guepardo, o modelo passa a ser a sensação nas pistas de atletismo.

2000: quebrados 300 recordes mundiais e paralímpicos. O palco dessas conquistas foi Sydney, na Austrália. Nessa edição, o Brasil conseguiu sua melhor colocação em Jogos Paralímpicos até então, com 6 medalhas de ouro, 10 de prata e 6 de bronze, ficando em 24o lugar no ranking final. Começava a trajetória de conquistas de uma nação paralímpica.


TEREZINHA GUILHERMINA É UMA DAS ATLETAS MAIS PREMIADAS DA HISTÓRIA PARALÍMPICA DO BRASIL, COM MEDALHAS EM ATENAS, PEQUIM E LONDRES 
(FOTO ROBERT DAEMMRICH/GETTYIMAGES)

2008: brasileiro leva 9 medalhas na natação em Pequim. Daniel Dias conquistou 4 medalhas de ouro, 4 de prata e 1 de bronze.Outro grande destaque foi a velocista Terezinha Guilhermina, que garantiu o ouro nos 200 metros e a prata nos 100 metros rasos. No futebol de 5, o Brasil sagrou-se bicampeão paralímpico. Com 47 medalhas no total, pulamos para a 9a colocação no ranking mundial.

2012: novas conquistas em Londres. Cumprindo a meta estabelecida pelo CPB, sob a gestão do presidente Andrew Parsons, o Brasil saltou do 9o lugar no quadro geral de medalhas em Pequim para o 7o, com 21 ouros. Essa edição que recebeu 4.200 atletas de 166 países foi marcada pela épica vitória do velocista Alan Fonteles sobre o sul-africano Oscar Pistorius nos 200 metros da classe T44. Nas competições e no dia a dia dos atletas, as próteses passaram a se mostrar ainda mais eficientes e personalizadas graças à utilização do plástico em sua composição, garantindo leveza, design e beleza. As próteses são um exemplo de como o plástico pode contribuir para soluções que permitem maior acessibilidade e qualidade de vida.


Daniel Dias ganha o 1a. Medalha de Ouro para o Brasil 2012

2016: a hora do Rio. Os Jogos Paralímpicos são o maior evento de esporte de alto rendimento para atletas com deficiência. Apesar disso, são enfatizadas mais as conquistas do que as deficiências dos participantes. A cerimônia de abertura no Rio está marcada para 7 de setembro e a cidade quer entrar para a história recebendo 4.350 atletas paralímpicos, de cerca de 170 países, que vão disputar 22 modalidades.


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quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Jogos Paraolímpicos: os super-humanos...

Windyz Brazão Ferreira


Nós, pessoas sem deficiência somos tão limitados em termos de nosso entendimento sobre a diversidade humana que, mesmo com a vibração e a emoção que sentimos ao ver os Jogos Paralímpicos, não conseguimos mudar nossas crenças sobre as competências super-humanas das pessoas com deficiências... se elas tiverem oportunidades como qualquer outra pessoa para desenvolvê-las!!!

Triste para nós – pessoas sem deficiência - que perdemos a oportunidade de conviver, aprender e nos tornarmos melhores seres humanos porque ainda acreditamos que as pessoas com deficiência são incapazes. 

Agora, clique abaixo e se emocione assistindo ao vídeo incrível criado pelos britânicos sobre os super-humanos/as, os atletas com deficiência que dizem: - YES, We can!!! (Sim nós podemos!!!) 
Enquanto você assiste reflita se considera que poderia fazer o que esses atletas com deficiência fazem!

Há mais de 30 anos convivo direta ou indiretamente com crianças, jovens e adultos com deficiência e suas famílias, em particular suas mães – mulheres de garra e força interior.

Nesta longa jornada aprendi que pessoas com deficiência, independentemente do tipo de deficiência, são pessoas - seres humanos de muita luz que (eu acredito!) voltaram à terra para nos ajudar a nos tornarmos melhores seres humanos, mais iluminados porque se não fosse pelas pessoas com deficiência muitos movimentos, conceitos/princípios/valores e mudanças - que favoreceram também a outros grupos vulneráveis - não teriam acontecido.

Se não fosse, principalmente, pelas pessoas com deficiência...

- não teria acontecido a Conferência de Salamanca em 1994 na Espanha e a consequente publicação da Declaração de Salamanca (UNESCO 1994), que foi disseminada mundialmente,

- não haveria o movimento pela inclusão educacional, social e econômica de inúmeros outros grupos sociais que estavam invisíveis nas diretrizes internacionais e políticas nacionais no final do século passado, entre os quais, citamos, os negros, os indígenas, os ciganos, os que moram em áreas remotas e rurais, etc.,

- não teria sido criado um enorme corpo teórico (conhecimentos em vários campos científicos) sobre direitos humanos e o direito à participação de inúmeros grupos vulneráveis que devem estar incluídos nas várias esferas da vida,

- não se teria um movimento internacional sobre acessibilidade, conceito que beneficia inúmeros grupos sociais nas várias esferas da vida,

- não se teria um ampla discussão sobre a diversidade humana & as diferenças individuais que caracterizam a espécie humana e, portanto, nós todos/as teríamos menos desenvolvidas nossa humanidade, espiritualidade e mente,

- não haveria no Brasil uma Secretaria de Diversidade e Inclusão...

- não haveria a Paralímpiadas...

E, apesar de tudo, ainda acreditamos que as pessoas com deficiência são incapazes, incompetentes, não podem aprender... ainda acreditamos que as pessoas com deficiência devem participar das Olímpiadas separadamente.

Triste... muito triste!!! Será esta separação inclusiva?



Inclusão x Exclusão na Paralimpíada... o que está por traz da segregação dos jogos paralimpícos?


Jackeline Susann Souza da Silva
Universidad de Salamanca, Espanha

Tradicionalmente os jogos olímpicos, para equiparar as chances de competição, são organizados por critérios como gênero, faixa etária, peso, entre outros. A deficiência também é um critério levado em consideração na organização das competições. A grande diferença é que a deficiência é compreendida como um único critério que separa, segrega e desagrega os dois maiores eventos esportistas do mundo: Olimpíadas e Paralimpíadas.

Tradicionalmente, tal “separação” não é percebida de maneira negativa. Até aí, tudo bem! No entanto, é inegável que a Paralimpíada ainda não recebe a mesma atenção que a Olimpíada em termos de cobertura jornalística, visibilidade dos atletas e patrocínio. Inúmeras são as razões para isto acontecer.

Capacitismo

Até pouco tempo as pessoas com deficiência não eram ouvidas ou tinham oportunidades de participação na família, na educação, na comunidade, no mercado de trabalho, na vida política, etc. Embora este cenário esteja em processo de mudança (lenta) a exclusão das pessoas com deficiência ainda é, com frequência, percebida com naturalidade pela sociedade.

No entanto, esta percepção tem mudado com as conquistas de direitos e de reivindicações que tem como base os movimentos protagonizados pelas próprias pessoas com deficiência. Gradualmente, portanto, torna-se inaceitável por esta população aceitar sem protestar as posições sociais de subalternidade e de menos valia dentro das quais teimamos em colocá-las.

Mesmo com mudanças significativas, por exemplo, a conquista de um vasto marco político e legal que trata de inclusão e acessibilidade no Brasil, a cultura de capacitismo ainda é forte assim como o é o racismo e o machismo. 

Por isso, a Paralimpíadas deve constituir para nós um momento oportuno de revisão de nossas concepções negativas e capacitista sobre este grupo social cujos membros - as pessoas com deficiência - se tiverem oportunidades, chances de participação e apoio podem atingir mais realizações do qualquer um de nós já atingiu. 

Sim, eles podem (Yes, they can!!!), o problema é que ainda porque vivemos em uma sociedade que (infelizmente!), ao mesmo tempo, supervaloriza a não-deficiência e desconsidera diversidade humana e diferenças individuais quando se trata das pessoas com deficiência.

A concepção da humanidade baseada no capacitismo perpetua uma visão de padrões incluindo o de ´normalidade´. Assim, no imaginário coletivo, ´capazes´ são somente as pessoas que chegam próximos a esses padrões de normalidade na forma de apresentação de seus corpos, sua intelectualidade, beleza e virilidade, entre outras. É exatamente por isso que as pessoas com deficiência são pressionadas a diuturnamente demostrarem que são ´capazes´.

Mas é claro que são capazes senão como seriam super-humanos/as atletas maravilhosos/as e grandes campeões/ãs ?! Assista aqui o video Resumo da Paralímpiada - Brasil 2016  

Quando acontece um evento de grande proporção como a Paralimpíadas, percebemos o quanto ainda temos que caminhar para eliminar as formas de discriminação enraizadas na concepção capacitista, o quanto ainda precisamos mudar nossas concepções limitadas sobre as pessoas com deficiência e nos abrir para um universo de aprendizagem altamente enriquecedor para nossa vida e humanidade que é possibilitado pela convivência com as pessoas com deficiência e suas famílias.


domingo, 26 de junho de 2016

Dia 27 de Junho - Dia Internacional da Pessoa Surdocega

Windyz Brazão Ferreira


Meu envolvimento com a causa da pessoa surdacega é recente.

Tenho contato próximo com uma família paraibana que tem um filho de 24 anos surdocego e diagnosticado como ´autista´ (não sei como...). Conheci há pouco o colega Wolney Gomes Almeida, que defendeu sua tese de Doutorado O Guia-Intérprete e a Inclusão da Pessoa com Surdocegueira (2015) na Universidade Federal da Bahia e, mais recentemente, tive a oportunidade de me aproximar do Alex Garcia, por causa da bengala para surdocego que ele queria adquirir de uma organização espanhola. Eu estava em Salamanca e me coloquei à disposição para comprar e trazer a bengala para o Brasil. 

Enfim, o que quero dizer é que minha incursão nesta área era (e ainda é) muito superficial como, certamente, ocorre com a maioria de nós comprometidxs com a inclusão da pessoa com deficiência.

Consciente desta limitação na minha ação como acadêmica e militante na área de Direitos da Pessoa com Deficiência, compreendi que deveria fazer algo nessa direção. Assim fui atrás de informações e sistematizei um pouco desse conhecimento a seguir:

Estudos e literatura sobre surdocegueira são muito escassos no Brasil...

Cito a seguir uma parte da tese do professor Wolney G. Almeida (2015), da Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC que evidencia a necessidade de estudos e publicações de qualidade na área de surdocegueira:

´A surdocegueira tem se apresentado como um tema ainda pouco explorado na literatura especializada brasileira, quando comparada aos outros tipos de deficiências. Durante muito tempo, a perda sensorial da visão e audição, concomitantemente, caracterizou-se a partir dos aspectos da múltipla deficiência e não a partir da compreensão de uma deficiência específica, com características e especificidades peculiares.  Segundo Bertone & Ferioli (1995), há informações sobre um levantamento de pessoas com deficiências visuais e que apresentam outra deficiência concomitante, estimando-se um total de 135 indivíduos apenas nos países latino americanos. Estudos realizados pelo Grupo Brasil de Apoio ao Surdocego e ao Múltiplo Deficiente Sensorial, mostra um número de 783 pessoas surdocegas identificadas até o momento.  (ALMEIDA, 2015, p. 26)´

Alex Garcia me enviou um email com seu texto sobre a ´Surdocegueira Didática´, com o objetivo de nos ajudar – acadêmicos - a compreender, de forma incipiente, o que é esta condição humana que ainda requer a produção e disseminação de muito conhecimento e informações:


Surdocegueira Didática

Em Surdocegueira devem ter claro algumas questões específicas e básicas. Primeiro vocês devem saber quem são os surdocegos: são 2 grupos. (1) surdocegos pré-simbólicos e (2) surdocego pós-sombólico.

     (1)    Os surdoscegos pré-simbólicos são os que adquiriram a Surdocegueira antes da estruturação da língua - didaticamente são os surdocegos congênitos. (leia mais sobre este tipo de surdocegueira clicando aqui http://www.agapasm.com.br/artigo004.asp
     
     (2)    Os surdocegos pós-simbólicos são os que adquiriram a surdocegueira depois da estruturação da língua - didaticamente são os surdocegos adquiridos.

Classificação:
·       - Cego com baixa audição
·      -  Surdo com baixa visão
·       - Baixa visão e baixa audição
·       - Surdocegos totais

Os surdo com baixa visão, os cego com baixa audição, e aqueles com baixa visão e baixa audição, são extremamente "invisíveis" na sociedade. Estes casos "empurram e são obrigados a empurrar com a barriga" a questão até chegarem ao ponto extremo - e "empurrando" perdem precioso tempo para aprender e se desenvolver e agora no "extremo", a vida é bem mais complexa. São mais ou menos estes, os surdocegos. Isso quer dizer que nem sempre é total a escuridão e total o silêncio. Podem haver resíduos, mesmo que baixos. Muitos são assim, com resíduos, mas escolheram fugir do problema e, fugindo, eles entraram no buraco. O ideal é enfrentar o problema e ir se adaptando continuamente.

Conceito de surdocego:

O surdocego é aquela pessoa que não compensa um sentido pelo outro. O que quero dizer com isso? Vejamos um cego, como ele compensa a cegueira? O cego compensa a cegueira porque ele escuta perfeitamente bem. Como um surdo compensa a surdez? Ele compensa a surdez porque enxerga perfeitamente bem. E como faz o surdocego para compensar a surdez e a cegueira? É aí que está toda a questão, na compensação. Embora o surdocego possa ter resíduos, estes não compensam a perda do outro sentido em sua totalidade. Por exemplo, um cego com resíduo auditivo tem falhas na compensação. Um surdo com resíduo visual tem falhas na compensação. Uma pessoa que tem resíduo auditivo e resíduo visual tem falhas na compensação.

Isso é ser uma pessoa surdocega. Mas, em nosso país isso raramente é visto, é levado em conta. Vocês podem refletir que temos milhões de surdocegos no Brasil. Mas, nem mesmo estas pessoas sabem que são surdocegas. É uma situação muito complicada a que vivemos no Brasil. Situação que se agrava pela inexistência de Politicas Públicas que colaborem com nosso desenvolvimento. 
(Msg recebido por email no dia 22/06/2016.)
            
Uma vez apresentado estas informações relevantes, fui buscar dados sobre o que acontece internacionalmente com relação às pessoas surdocegas. Encontrei um doc do Banco Mundial sobre a 

The World Federation of the Deafblind  

The World Federation of Deafblind People (Federação Mundial de Surdocegos), fundada em 2001 e é

´uma ONG mundial sem fins lucrativos. [Hoje possui 75 organizações filiadas de 62 países - http://wfdb.eu.sitebuilder.loopia.com/about-wfdb ) É uma organisação de pessoas surdocegas e a voz legitima das pessoas surdocegas no mundo. O trabalho para as pessoas surdacegas ainda é incipiente e somente durante os últimos 10-15 anos que este grupo social teve sucesso em  criar um perfil único e apreciar o crescent entendimento dos problemas específicos que resultam da surdocegueira.

O objetivo da FMSC é melhorar mundialmente a qualidade de vida das pessoas surdocegas e, uma das atividades mais importantes assumida pela Federação é a identificação das pessoas surdocegas a fim de quebrar seu isolamento.   

A Federação também tem como objetivo disseminar informações sobre sudocegueira e sobre serviços que estas pessoas necessitam a fim de terem uma vida independente. Adicona-se a estes objetivos a luta da Federação por conseguir que a surdocegueira seja reconhecida internacionalmente como uma deficiência única.´

Contato com a World Federation of Deafblind People
President: Geir Jensen  c/o FNDB
Sporveisgata 10 N-0354 Oslo  Norway (Noruega)
Phone +47 22 93 33 50+47 22 93 33 50
Fax +47 22 93 33 51   E-mail geir.jensen@fndb.no


E, no Brasil, o que está acontecendo com a população de pessoas surdocegas?

De acordo com o site do Planeta Educação, um breve histórico do movimento das pessoas surdocegas é apresentado por Alex Garcia  

‘Nosso tempo permite um breve relato desta história. A primeira criança Surdocega que foi educada com sucesso foi Laura Bridgman que entrou no Instituto Perkins1 (EUA) em 1837. Mas ainda, mais afável experiência foi proporcionada à humanidade por Anne Sullivan, professora surda e não menos notável aluna Helen Keller2 que estudou na Perkins por muitos anos. Como podemos notar, a Educação Surdocegos nasceu nos EUA, consequentemente, hoje em dia, há mais portadores de Surdocegueira sendo educados e reabilitados neste país que no restante do mundo.

De acordo com Kenmore (1977), os programas para Educação de Surdocegos na Europa tiveram seu início na França (1884), seguindo-se na Alemanha (1887) e Finlândia (1889). Convém destacar que, em cada um destes locais, o número de alunos era muito pequeno. Em 1977, foram catalogados apenas 350 Surdocegos em atendimento em 13 países.

A História da Surdocegueira no Brasil tem início em 1953 com a visita da já mundialmente conhecida Helen Keller (Soares, 1999). Esta visita sensibilizou uma grande personalidade, que anos mais tardes seria nacionalmente conhecida por seus esforços. Trata-se da Educadora Nice Tonhozi Saraiva. Saraiva, já trabalhando na Educação de cegos no Instituto de Cegos “Padre Chico” em São Paulo dedicou-se também a Educação de Surdocegos a partir de 1962 quando tão logo voltou dos EUA. Ainda em 1962, fundou a SEADAV – Serviço de Atendimento ao Deficiente Audiovisual. Em 1963, por intervenção do estado a SEADAV foi transferida de São Paulo para São Bernardo do Campo. Em 1968, a SEADAV passou a se chamar ERDAV – Escola Residencial para Deficientes Audiovisuais. Em 1977, para garantir maior autonomia da escola, foi novamente alterada e passa a ser chamada de FUMAS – Fundação Municipal Anne Sullivan, que ficou sendo a mantenedora da Escola de Educação Especial Anne Sullivan, que funciona até os dias de hoje. 1 - Instituto Perkins para cegos, Waltertown, Massachusetts, EUA. 2 - Keller, considerada nos tempos atuais a mais surpreendente Surdacega de todos os tempos.

Clique aqui para acessar o texto na íntegra. Leia princípios orientadores para a educação de surdocegos ou vá direto no site da Agaspam


Organizações e Sites sobre Surdocegueira






Contatos telefônicos:

Grupo Brasil de Apoio ao Surdocego e ao Múltiplo Deficiente Sensorial:
(11) 5579.5438 ou 5579.0032. (São Paulo)
Abrasc: (11) 3342.2108 (São Paulo)
Adefav: (11) 3342.2108 (São Paulo)
Ahimsa: (11) 5579.5438 (São Paulo)
Abrapascem: (11) 5083.2721 (São Paulo)
Escola Anne Sullivan: (11) 4220.3638 (São Paulo)
Instituto Benjamin Constant: (21) 2295.2543 (Rio de Janeiro)

Centrau: (41) 345.9844 (Paraná)


Agaspam (51) 33521519 (Rio Grande do Sul)

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Você sabia que pode comprar um carro 0Km com isenção de 04 impostos?

Windyz Brazão Ferreira

Você sabia que como pai ou mãe de uma pessoa com deficiência pode comprar carro 0Km com isenção de impostos?

O Brasil é um país em que a população tem que correr atrás de informações porque o governo (federal, estadual ou municipal) não tem política de disseminação de informações relevantes ou campanhas de esclarecimentos relevantes para todxs nós. Somente quando interessa aos políticos divulgar informações que dizem respeito aos nossos direitos, geralmente em época de eleição, é que sabemos de novidades que deveríamos conhecer há muito tempo. 



Este é o caso da compra de carro/veículo com isenção de impostos (sempre muito altos) para as pessoas com deficiência e seus familiares e também pessoas com doenças distintas.




Veja a seguir quais são os impostos que não precisam ser pagos na compra de um carro 0km:

Pessoas com deficiência e seus familiares possuem direito garantido por lei de receberem a isenção dos seguintes impostos

- ICMS (Convênio 38) – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços 

- IPI (Instrução Normativa 988-Receita Federal) Imposto sobre Produto       Industrializado 

- IOF – Imposto sobre Operações Financeiras

- Isenção do recolhimento de IPVA - Imposto sobre a Propriedade de Veículos   Automotores

Ou seja, estamos perdendo dinheiro por falta de informação! No meu caso, minha mãe tem 88 anos, grave artrose e perdas sensoriais e, até hoje, eu ainda não fiz uso deste direito por desconhecê-lo!

Quem pode ser isento dos Impostos?

(a) Pessoas com Deficiência condutorxs ou não e seus familiares
Pessoas com deficiência física; Pessoas com deficiências mentais ou intelectuais graves e seus familiares; Pessoas cegas e familiares; Paralisia cerebral e familiares; Síndrome de Down e familiares; Autistas e familiares; Amputação ou ausência de membro;

(b) Pessoas com doenças variadas que causam dificuldades motoras
Artrodese e  Artrose; Artrite reumatoide; Hemiplegia e Tetraparesia; Poliomelite; Problemas na Coluna Graves e Crônicos; Monoparesia e Monoplegia; Prótese Interna e Externa; AVC (Acidente Vascular Cerebral); Mal de Parkinson; Esclerose Múltipla; Escoliose Acentuada; Hérnia de Disco; Talidomida; Má formação de membros;

(c) Pessoas com outras doenças
Câncer de Mama e Linfomas; Doenças Degenerativas e Neurológicas; Doenças Renais e Crônicas; Nanismo; Mastectomia; Dort (LER) e Bursites Graves; Túnel de Carpo e Tendinite Crônica; Manguito Rotator; Neuropatias Diabéticas; Doenças Renais; Hepatite C; Hemofílicos

Agora, aprenda sobre a Lei No. 8.989/1995 que regulamenta este direito

A Lei nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995, ainda é pouco conhecida pela população brasileira e muita gente não sabe que tem o direito a aproveitar os benefícios assegurados por ela na compra de veículos com isenção de impostos.  Os benefícios se estendem a pessoas com deficiência condutoras ou não e aos familiares e responsáveis legais. 

No total, são mais de 100 milhões de brasileiros que têm direito a comprar
Carros 0 KM com isenção de impostos

De acordo com o último Censo do IBGE (2010) há no país cerca de 46 milhões de brasileiros com alguma deficiência ou mobilidade reduzida e pessoas com doenças diversas. Isso significa que milhões de pessoas têm direito a adquirir um carro O Km, sem pagar impostos, não somente pela idade ou resultado de doenças, mas também “por alguma sequela física ou motora que a idade ou as doenças trazem”, conforme informa o Presidente Associação Brasileira das Indústrias e Revendedores de Produtos e Serviços para Pessoas com Deficiência (ABRIDEF) Rodrigo Rosso.

O Presidente da ABRIDEF também informa que muitas pessoas com deficiência procuram informações em autoescolas ou despachantes do bairro em que moram e não conseguem saber o que precisam para solicitar o benefício. O mesmo acontece a respeito de linhas de créditos específicas e outros direitos, como isenções até de imposto de renda e IPTU em muitos casos. 


MOBILIY & SHOW 2016 – 24 a 26 de Junho 2016 – Campo de Marte em São Paulo

- quem for ao evento terá toda a orientação sobre o processo -

O Mobility & Show 2016 reunirá em um mesmo espaço tudo o que é necessário para as pessoas com deficiência e seus familiares (além de idosos e pessoas com as mais diferentes patologias) tenham acesso a informações relevantes sobre como os benefícios legais (seus direitos!) para adquirir veículos em condições especiais.

Também estarão presentes as principais montadoras de automóveis com modelos disponíveis e adaptados para Test-Drive com profissionais especializados, juntamente com autoescolas, despachantes, bancos financiadores, adaptadoras, seguradoras e diversos outros produtos e serviços. 

Para acessar o site do evento, clique aqui.

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quarta-feira, 8 de junho de 2016

Nomeado Novo Secretário Nacional de Promoção dos Direitos das Pessoas com Deficiência

Windyz Brazão Ferreira


Marco Antonio Pellegrini é o novo Secretário Nacional de Promoção dos Direitos das Pessoas com Deficiência

Nomeado pelo atual Ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, Marco Antonio Pellegrini foi Coordenador de Acessibilidade desde 2008 na Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência e passou a ser Secretário Adjunto de Estado dos Direitos das Pessoas com Deficiência de São Paulo (2010-2014). Foi ativista intenso, representando a Secretaria Estadual junto a Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, na 1ª e 2ª Conferência dos Estados Parte para implementação da Convenção dos Direitos das Pessoa com Deficiência. Sua atuação foi decisiva no processo de ratificação da Convenção, pelo Congresso Nacional, como emenda constitucional.


Marco Pellegrini, 52 anos, metroviário licenciado, é tetraplégico desde 1991. Aos 27 anos levou um tiro quando foi assaltado, ao chegar em casa. Marco se lembra que, na época, tinha um filho por nascer e outro prestes a completar um ano. Ao descobrir-se tetraplégico colocou nos filhos a motivação de manter sonhos e a seguir em frente.

Desde 1987, é funcionário da Companhia do Metropolitano de São Paulo – Metrô. Atuando na Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo criou as cadeiras de rodas anfíbias do Programa Praia Acessível e também liderou a acessibilização de conteúdo da Biblioteca São Paulo, além de coordenar a Caravana da Inclusão, Acessibilidade e Cidadania.

“Me envolvi com pessoas aguerridas à vida e na luta pelos direitos das pessoas com deficiência. Uma conspiração divina levou-me a este encontro. Rumei para a Europa e EUA em busca de soluções tecnológicas e as trouxe. Foram muitos seminários, palestras e manifestações nas casas legislativas. Vivi intensamente a transição da Integração à Inclusão”, disse Pellegrini.

Ao ser nomeado Secretário Adjunto, em 2010, afirmou: “É um momento de grande responsabilidade, é uma pasta que tem como visão ser referência mundial no tema das pessoas com deficiência, que ocupa espaço de destaque nas agendas governamental e empresarial. Isso traz importantes impactos financeiros e sociais e, por isso, ocupar este posto significa estar mais próximo do olho do furacão. É uma grande satisfação ter a oportunidade de contribuir com a secretária Dra. Linamara Rizzo Battistella na implementação de políticas públicas que trouxeram e trarão progressos definitivos na equiparação de oportunidades as pessoas com deficiência”.

Fonte: http://www.pessoacomdeficiencia.sp.gov.br/ultimas-noticias/marco-antonio-pellegrini-e-o-novo-secretario-nacional-de-promocao-dos-direitos-das-pessoas-com-deficiencia    06/06/2016

sábado, 4 de junho de 2016

MEC exonera pessoal da Diretoria de Educação Especial: os perversos desdobramentos da extinção da antiga SEESP

Windyz Brazão Ferreira

POR FAVOR, RESPONDA A ENQUETE AO LADO ===>>>>>>

Esta semana,  inicio de junho de 2016, fomos novamente surpreendidos com a redução de pessoal que atua na área de Educação Especial no governo federal: a Diretoria de Políticas de Educação Especial da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade-SECADI (http://portal.mec.gov.br/secretaria-de-educacao-continuada-alfabetizacao-diversidade-e-inclusao/quem-e-quem) perdeu dois coordenadores.


Wilson Dias/Abr/Fotos Públicas

Cida De Oliveira, Rba Publicado 02/06/2016 19:45


São Paulo – Sem aviso prévio, o Ministro da Educação, Mendonça Filho, exonerou ontem 31 assessores técnicos, sendo oito ligado à Secretaria Executiva da pasta e 23 ligados à Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (SECADI), na qual está alocada a Diretoria de Políticas de Educação Especial-DPEE, cuja diretora é Martinha Clarete Dutra dos Santos. (Para quem não a conhece clique aqui para assistir à uma entrevista com ela https://www.youtube.com/watch?v=XblW66SmEr4). Leia a seguir a exoneração.

Foram exonerados da SECADI/DPEE, conforme publicado no Diário Oficial da União à Página 17 • Seção 2 • 02/06/2016 (http://www.jusbrasil.com.br/diarios/117137167/dou-secao-2-02-06-2016-pg-17,   
O MINISTRO DE ESTADO DA EDUCAÇÃO, no uso da atribuição que lhe confere o art. 87parágrafo único, inciso IV, da Constituição, e em observância ao disposto na Lei n 8.112, de 11 de dezembro de 1990, no Decreto n 7.690, de 2 de março de 2012, bem como na Portaria n 1.056, de 11 de junho de 2003, da Casa Civil da Presidência da República, resolve:
N 480 - EXONERAR ELIANA LUCIA FERREIRA, Matrícula SIAPE n 1226251, do cargo de Coordenador-Geral, código DAS-101.4, da Coordenação-Geral da Política Pedagógica da Educação Especial da Diretoria de Políticas de Educação Especial da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão deste Ministério - SECADI-MEC.
N 481 - EXONERAR WALTER BORGES DOS SANTOS FILHO, Matrícula SIAPE n 1435586, do cargo de Coordenador-Geral, código DAS-101.4, da Coordenação-Geral da Política de Acessibilidade na Escola da Diretoria de Políticas de Educação Especial da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão deste Ministério - SECADI-MEC.

Tive o cuidado de fazer uma busca na rede para obter dados sobre a formação das duas pessoas exoneradas, uma vez que não as conhecia. Consegui acessar o LATTES da Profa. Dra. Eliana Lucia Ferreira, que é da Universidade Federal de Juiz de Fora (http://www.ufjf.br/ppge/equipe/corpo-docente/eliana-lucia-ferreira/) e não consegui encontrar nenhuma informação consistente sobre o Sr. Walter Borges Santos. (Alguém o conhece?) Considerando-se este novo fato que atinge a política federal para a pessoa com deficiência, vale novamente resgatar o tema da extinção em 2011 da Secretaria de Educação Especial na gestão da Sra. Claudia Pereira Dutra, que volto a insistir não tinha nada a ver com a área de educação especial ou inclusão escolar até o momento em que virou Chefe de Gabinete da SEESP. (Para mais dados leia a postagem neste Blog do artigo Dilma ou Temer: Fechamento da SNPcD).

Gostaria de tecer algumas reflexões e questionamentos sobre o fechamento da SEESP em 2011 e os desdobramentos atuais desta decisão.

(1) Porque a SEESP foi fechada? Qual era o propósito real por trás deste fechamento? Como não sou de partido, não entendo política partidária. Assim, para analisar tal decisão tenho que fazer uso da lógica que uso como acadêmica e pesquisadora na área de educação. E, não parece ser difícil compreender que o fechamento de qualquer Secretaria do MEC implica em perdas de verbas. É óbvio(!) que uma ´secretaria de qualquer Ministério´ é mais forte e relevante politicamente do que apenas um programa. Portanto, a Secretaria de Educação Especial era (e é) mais importante do que a Diretoria de Política de Educação Especial da SECADI(!). Para confirmar minha afirmação, fui ao site da SECADI e encontrei o que se segue:

“Com base no PPA 2012-2015 – o Plano Mais Brasil – a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (SECADI) implementa políticas públicas integradas aos Programas e Ações da [1] Educação Superior, [2] Profissional e [3] Tecnológica e [4] Básica, contribuindo para o enfrentamento das desigualdades educacionais, considerando diferentes públicos e temáticas, a saber: [a) Educação Especial, [b] Educação para as Relações Étnico-Raciais, [c] Educação do Campo, [d] Educação Escolar Indígena, [e] Educação Quilombola, [f] Educação em Direitos Humanos, [g] Educação Inclusiva, [h] Gênero e [i] Diversidade Sexual, [j] Combate à Violência, [k] Educação Ambiental, [l] Educação de Jovens e Adultos. As áreas de atuação da SECADI contemplam, ainda, agendas políticas de caráter intersetorial [Vai saber quantas agendas são estas e como são articuladas intersetorialmente...].
   
Ou seja, são 4 níveis educacionais e 12 diferentes grupos sociais/temas sociais de relevância quando se trata de inclusão/exclusão no sistema educacional brasileiro. Não precisa ser Dr. em economia para depreendermos que a verba para a Inclusão Escolar de Pessoas com Deficiência na Rede Pública de Ensino foi pro beleleu com o fechamento da SEESP em 2011! O triste é que não fizemos nada na época, mas eu acredito que agora é hora de se fazer algo porque estamos no meio de uma crise política e os grupos mais fortes são os que conseguirão mais espaços e recursos.
    

    (2) Porque a, então, secretária, ao fechar a SEESP na calada da noite, não permaneceu na Diretoria de Políticas de Educação Especial-DPEE e foi coordenar a Diretoria de Políticas de Educação em Direitos Humanos e Cidadania

    (3) Porque a, então, secretária não transformou a Secretaria de Educação Especial (fundamentada no modelo médico-psicológico) da deficiência em Secretaria da Educação Inclusiva ou Secretaria de Inclusão Escolar (fundamentada no modelo social e curricular da deficiência e que poderia também orientar a inclusão de outros grupos vulneráveis) ao invés de extingui-la?

   (4) Porque a Secretária da SEESP não consultou a população e movimentos sociais sobre a extinção da Secretaria?

Enfim, há uma série de perguntas a serem ainda respondidas e analisadas... Aqui elenco alguns desdobramentos que considero relevantes como consequência do fechamento da SEESP:

- o fechamento da SEESP, gradualmente, insuflou as escolas públicas a novamente recusarem matricular de estudantes com deficiência (fato cada vez mais comum cinco anos após a extinção da secretaria). Na postagem de 25/03/2016 Dane-se a legislação! Escolas escancaradamente recusam as matroculas de pessoas com deficiência apresento um panorama bem distinto destes dados ´oficiais´   

- o fechamento da SEESP enfraqueceu a política de inclusão escolar e, consequentemente, fragilizou a força dos movimentos sociais em defesa do direito à inclusão escolar da pessoa com deficiência

- o fechamento da SEESP significou o corte de verbas e, sem verbas, os municípios se retraem e as escolas ficam sem opção, senão se retrair também

- como a política é orientadora de ações no estados e municípios, não é compulsória, a inclusão escolar sem a SEESP passa a ser opcional

Sei que muitos grupos organizados no Brasil celebram a ex-secretária como a ´porta-voz da inclusão´, que mudou a cara das escolas públicas no que diz respeito à inclusão de pessoas com deficiência. Eu penso que deveria haver uma análise mais crítica sobre a extinção da SEESP.

Para quem estava dentro da SEESP, como eu estive entre junho de 2005 e dezembro de 2008, a visão dos desdobramentos desta gestão é muito clara... Vi pessoas com deficiência que atuavam na SEESP há muitos anos sendo empurradas para as margens até saírem de lá. Profissionais com anos de experiência na área de educação especial e respeitados por sua ação política em prol dos direitos da pessoa com deficiência sendo colocados em posições irrelevantes (tal como responder e-mails), perdendo seus salários mensais e passando a receber por produto, perdendo suas salas de trabalho que passavam a ser ocupadas por pessoas politicamente conectadas (amigo de x, esposa de y, sobrinha de h, cabo eleitoral de z)... Nesta gestão, a biblioteca da SEESP foi desmantelada e os muitos livros e documentos que constituíam a história da Educação Especial no país foram levados para algum lugar desconhecido do MEC. Vi muitos outros absurdos e atrocidades que me levaram, então, a pedir exoneração...

Quem me conhece ou já entrou em contato com minha produção sabe que eu sou pró-inclusão.  Acredito, defendo e promovo o direito de todas as pessoas com e sem necessidades educacionais à educação. Acredito e defendo que qualquer estudante com necessidades educacionais, em qualquer fase de sua escolarização como estabelecido pela Declaração de Salamanca, deve ter apoio sempre que precisar. A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva reduziu – de forma arbitrária e imprópria - o público alvo da educação especial (ou seja, reduziu verbas). Como deixar de fora crianças que têm dificuldade de aprendizagem, por exemplo ou crianças que não aprendem porque sofrem violência doméstica? Devemos fechar nossos olhos para elxs? É isso o que uma escola inclusiva ou um educadxr de verdade faz? 

Acredito que todxs devemos conviver e viver plenamente as oportunidades e barreiras que existem na sociedade somente assim mudamos nossa compreensão sobre o outro. Lembro do evento DEF–Rio (acho que foi em 1994) onde havia congestionamento de cadeira de rodas, salas silenciosas com surdos falando e lutando pelos seus direitos e salas à escura com cegos discutindo sua pauta de luta. Esta soi uma experiência marco na minha vida e na compreensão de como devemos viver juntos e aprender com a maravilhosa diversidade humana.

Como membro da equipe da ex-SEESP aprendi que a política é sempre partidária mesmo quando parece estar respondendo às demandas de um grupo social vulnerável. A política partidária extrapola a nossa compreensão de cidadãos/cidadãs comuns que, de fato, querem e lutam por um mundo em que todos façam parte e ninguém fica para trás... As pessoas com deficiência constituem uma população de 46 milhões de brasileirxs. As pessoas com deficiência estão presentes em todas as classes sociais, grupos sociais vulneráveis ou privilegiados, são crianças, jovens e adultos, homens e mulheres, com diferentes orientações sexuais e que vivem em diferentes regiões brasileiras. Por isso, devem ter representatividade no Ministério da Educação na forma de uma Secretaria (que diga-se de passagem existia há mais de 40 anos). 

Por isso, entendo que é hora de repensarmos nossa posição com relação ao que está acontecendo no país – no BRASIL, e não apenas nas ´boas práticas inclusivas´ que acontecem aqui e acolá, em algumas escolas/salas de aula. Ao invés de culpabilizar as professoras de AEE, sala de aula regular ou as escolas, devemos nos posicionar agora, já, para a criação de uma Secretaria de Inclusão Escolar (SIEs) no MEC (em substituição da SEESP).

Convido você, leitxr deste blog a se posicionar sobre esta proposta respondendo à 
Enquete Você é a favor (ou contra) a Crianção da Secretaria de Inclusão Escolar no MEC? postada no lado direito do titulo desta postagem.