sexta-feira, 30 de junho de 2017

Campanha contra a pequenez humana...

Este vídeo, que está postado no youtube, foi feito ontem já tarde da noite.  

Depois de uma noite muito enriquecedora com algumas mães de pessoas com deficiência na ONG Ed-Tod@s, fui motivada por uma postagem de uma amiga querida: Lauricéia Tomas da Silva, pernambucana ´arretada´como diriam @s paraíbanos...  

Lauricéia é mestre em Educação pela Universidade Federal da Paraíba, Linha de Pesquisa Estudos Culturais à qual fui vinculada no passado. Ela é séria, competente e cheia de vida e idéias. Há alguns anos atrás me lembro que Lauricéia falou comigo por telefone sobre aceitar (ou não) um convite para coordenar a Educação Especial da Secretaria de Educação do Município de Recife, ao que eu disse: - sem duvida, se vc sente que pode contribuir para melhorar a educação das pessoas com deficiência, aceite e não se envolva com as politicagens... Ela aceitou, trabalhou sério, foi bem sucedida e agora recebeu uma homenagem de reconhecimento pelo seu trabalho expedido pelo escritório de uma deputada local.  Mas Lauricéia estava em dúvida se compartilhava ou não nas redes sociais porque... óbvio, - como as pessoas veriam/reagiriam a esta homenagem? Mas no final, ela postou e muit@s estamos felizes por ela! Parabéns Lauricéia!

A dúvida de Lauricéia me remeteu a um passado distante, quando retornei do Doutorado na Inglaterra em 2000 e descobri  que algumas pessoas sentiam prazer em desvalorizar minha experiência internacional e me desrespeitar - algumas vezes - publicamente. Uma vez, em uma palestra na UNICAMP, uma professora que estava presente foi tão desagradávelmente imprópria e mal educada que - literalmente - eu coloquei o microfone no colo dela (porque, claro, ela não quis pegar!) e me sentei dizendo que eu ´era apenas uma convidada para falar de educação inclusiva e que ela certamente teria melhores contribuições a fazer´. Em muitas outras oportunidades fui desafiada de formas diferentes pela minha experiência de sucesso na academia e no exterior sobre a qual. parecia àquela época, que não poderia falar em público pois tinha ´cara de ser esnobe´ ou algo do tipo.  Hoje isso parece ter melhorado, mas não mudado...

No Departamento de Habilitações Pedagógicas do Centro de Educação da Universidade Federal da Paraíba, onde eu era lotada, em especial, a xenofobia era evidente e se manifestava como barreiras levantadas por colegas, que foram sistemáticas. Acredito que tenha sido a segunda ou terceira acadêmica que fez Doutorado fora do Brasil.  Fiz o Doutorado em Filosofia (PhD ou Philosophy Dr) na University of Manchester na Inglaterra,  a terceira universidade do país que tem quase um milênio de academia. Foi lá que me tornei pesquisadora e foi lá também que as portas para uma extensa atividade internacional se abriram... 

Em meu departamento na UFPB, uma certa feita, ao ser analisado um processo de afastamento para eu participar de três eventos no exterior, em Portugal, na Alemanha e na Inglaterra - com todas as documentações comprobatórias - um colega disse em reunião departamental: - A professora deveria pedir afastamento sem vencimento!!! Naquele momento, sem a força interna e a experiência que eu tenho hoje, fui tomada de choro pelo absurdo e pequenez daquelas mentes. Mas eu reagi(!) afirmando que, então, o departamento deveria informar aos organizadores dos eventos sobre a decisão de eu não ir porque eu não faria isso... Bem no final foi aprovado e eu fui para o exterior porque o objetivo das mentes pequenas e invejosas foi atingido: desvalorizar meu sucesso e me desorganizar...  Fui, fiz o que tinha que fazer e ´venci´, ou melhor, sobrevivi às mazelas da vida causada por quem tem o coração encolhido, o ego muito grande, a mente pequena e está desconectad@ da sua alma, que é quem tem a sabedoria necessária para nos fazer compreender os sentimentos espúrios que nos atacam de tempos em tempos no mundo material.  

O fato é que  conheci uma face obscura da cultura brasileira quando se trata do sucesso alheio. Tem muiiiiita gente que não aguenta a própria inveja e a manifesta de jeitos horríveis para provocar, diminuir o outr@. Gente que precisa desvalorizar o que é ´verdadeiro, bom e útil´ para se sentir bem. Por isso, aqui vai minha reflexão sobre o Triplo Filtro de Sócrates, que espero vire uma campanha contra a pequenez humana e a mediocridade dos invejos@s...

Namastê
Windyz Ferreira, PhD (Oh... yes!) 

terça-feira, 21 de março de 2017

Dia Internacional da Síndrome de Down... Qual a função de um Dia Internacional?


Hoje – dia 21 de Março – é o Dia Internacional da [Pessoas com] Síndrome de Down.

Com certeza é um dia para parar e aprender, refletir sobre nossas concepções, crenças e posições acerca desta população e, principalmente nos conscientizar sobre as potencialidades e realizações das pessoas com Síndrome de Down. Aqui vou, então, fazer isso...

Para aprender...

  • Quando e por quem a Síndrome de Down foi descrita?

A SD foi descrita em 1866 por John Langdon Down. Esta alteração genética afeta o desenvolvimento do indivíduo determinando algumas características físicas e cognitivas comuns a tod@s que nascem com esta alteração genética

  • Você sabe porque o dia de celebração deste grupo social é 21 de março?

21/03 foi a data escolhida para esta celebração e momento de conscientização sobre esta condição genética porque representa a TRIssomia do par de cromossomos 21, que caracteriza a Síndrome de Down.

  • Você sabe o que significa síndrome?

Etmologicamente a palavra síndrome vem do grego "syndromé", cujo significado é "reunião", ou seja, significa um conjunto de sinais e sintomas que definem uma determinada patologia ou condição. É, por isso, um termo muito usado em psicologia, Medicina ou até mesmo situações sociais, como em síndrome da violência urbana. Para o campo da medicina uma síndrome não deve ser classificada como uma doença. Ou seja, uma pessoa com Síndrome de Down não tem uma doença, mas possui um conjunto de sinais e sintomas comuns a tod@s que nascem com a trissomia.

  • Você conhece os sinais e sintomas da Síndrome de Down?

Algumas das características mais comuns das pessoas com Síndrome de Down e já visíveis desde o nascimento por ser consequência de uma alteração genética são:

  • Olhos amendoados
  •  Cavidade Oral Pequena: a boca das crianças com SD é relativamente pequena e há uma tendência para um baixo tônus muscular que provoca o aumento da língua e afeta a articulação da fala.
  • Hipotonia Muscular: ou pouca força muscular, o que afeta o desenvolvimento neuropsicomotor da criança.
  • Maior propensão ao desenvolvimento de algumas doenças: por exemplo problemas cardíacos.
  • Cabeça Pequena: as crianças com SD tendem a apresentar o pescoço curto e mais largo, mãos e pés pequenos com um formato mais quadrangular e baixa estatura.
  • Tendência de ganhar peso, condição que pode ser bem resolvida com uma alimentação apropriada e balanceada associada à atividade física
  • Deficiência Intelectual que não impede a escolarização e aprendizagem, embora possa ser mais lenta e necessitar de apoio extra





É importante saber que... embora as pessoas com SD pareçam irmãs e irmãos porque são muito parecid@s, nem todas apresentam as mesmas características, nem os mesmos traços físicos, tampouco as mesmas malformações. A única característica comum a todas as pessoas é o déficit intelectual, mas mesmo assim, sua capacidade de aprender – assim como para qualquer pessoa sem deficiência – é distinta de seus pares.

Não existem graus de SD e a variação das características e personalidades entre uma pessoa e outra é a mesma que existe entre as pessoas que não tem SD. Cerca de 50% das crianças com SD apresentam problemas cardíacos, e alguns necessitam de cirurgia nos primeiros anos de vida.

Nossas concepções, crenças e posições

Acreditamos naquilo que o mundo e a cultura nos passam no tempo e espaço dentro do qual nascemos e vivemos. Quanto menos conhecimentos relevantes possuímos, mais acreditamos em crenças erradas, infundadas. Quanto mais conhecimento temos sobre qualquer coisa, mais cautelos@s nos tornamos para aceitar o que ´está dito´: a verdade discutível.

- Quais são suas crenças? 
- Quais são as suas atitudes com relação às pessoas com SD e também às pessoas com deficiência em geral? 
- Você acha que porque el@s tem determinadas características não conseguem aprender, ensinar e se realizar ou ser forte o suficiente para enfrentar as barreiras criadas por um mundo desigual e excludente? 
- Você já conversou com pessoas com SD? Você sabia – e acredita – que jovens com SD chegam à universidade e se formam?

Pessoas com SD que alcançaram o sucesso

Durante séculos se acreditava que as pessoas com SD são incompetentes e incapazes de aprender porque são pessoas com deficiência intelectual. 

Hoje sabemos que isso não é verdade!

Algumas das minhas experiências ao longo de 36 anos de trabalho com pessoas com deficiência me ensinou que devemos ser sempre cautelosos e não aceitar o ´dito sem fundamento´, assumir o senso comum como a verdade absoluta! Conhecer a Mia e muitas outras pessoas com SD chacoalharam crenças que nem sabia que tinha... 

Conheci Mia Farrah, jovem Libanesa com SD no Encontro Internacional da Campanha Global pela Educação que aconteceu em São Paulo há alguns anos atrás. 120 participantes de organizações internacionais. Um evento cuja língua oficial era o inglês. 

Mia, ativista pela defesa dos direitos da Pessoa com Deficiência foi como delegada... Eu era apenas ouvinte convidada!

Estávamos na mesma mesa, Mia estava com sua mãe com quem falava inglês e eu – um pouco mais distante podia compreender. Mas, em um dado momento ela falava outra língua fluentemente e eu fiquei curiosa. No intervalo fui conversar com elas e perguntei sobre a língua que estavam usando ao que Mia respondeu: eu falo inglês, árabe e francês!!!

Como pesquisadora questiono: - Quantas pessoas no mundo falam três línguas fluentemente? Como pode uma pessoa com SD aprender três línguas? Eu acreditaria nesta ´história´ se alguém a tivesse me contado há 20 anos atrás? Será que há 20 anos atrás a Mia teria tido a oportunidade de aprender três línguas?!

               

 Leia artigo sobre a Mia clicando aqui: MIA FARRAH


Madeline Stuart

A história de Madeline Stuart, uma jovem australiana com SD é modelo de marcas famosas... Seu sucesso nas passarelas e sua beleza nos obrigam a rever bossas concepções limitadas e errôneas sobre as pessoas com SD.

Madeline é uma ativista poderosa em prol da inclusão e diversidade no mundo da moda.
Disponível em Madeline



Novamente como pesquisadora não resisto aos questionamentos: 

- Como Madeline pode ser uma arraso nas passarelas se as pessoas com SD não descritas como acima por suas características físicas? 
- O que aconteceu diferente na vida de Madeline para ela chegar onde chegou? 
- Como foram suas experiências de inclusão, oportunidades e participação? 
- Quantas moças querem ser modelos e não conseguem porque são incompetentes?



Los Perejiles argentinos

Seis rapazes argentinos com SD decidiram virar a mesa e começaram um negócio próprio depois de tentarem sem conseguir espaço no mercado de trabalho. Com isso, nascia um serviço de eventos que prepara pizzas e empanadas a domicílio em Buenos Aires e cidades próximas: o Los Perejilles

Apenas dois meses após lançarem a empresa, eles já tinham 24 eventos marcados. Grande parte da realização deste sonho foi possível graças a ajuda de dois profissionais que trabalham com pessoas com síndrome de Down, os professores voluntários Telam Lopez e Kevin Degirmenci. Os dois professores ajudaram os jovens a adquirir a confiança necessária para montar o empreendimento, que hoje é sucesso por onde passa.


As crianças, os jovens e os adultos com síndrome de Down podem ter algumas características semelhantes e estar sujeitos a uma maior incidência de doenças, mas apresentam personalidades e características diferentes e únicas.”


Aqui no Brasil, há exemplos maravilhosos de sucesso que eu conheci pessoalmente: por exemplo, a professora de educação infantil e escritora Débora Seabra de Natal/RN. Clique em Débora

Alguns mais conhecidos e outros menos, mas todo@s são igualmente bem sucedidos: o Thiago que é arrimo de família, a Bianca que está na universidade, a Marina que está se formando em fotografia, a Mariana que dá palestras, etc.

São, com certeza, muit@s pessoas com SD que conseguiram vencer ou romper barreiras impostas ao seu desenvolvimento. São também muitas famílias e, em especial, mães que abdicaram (ou não) de suas vidas para lutar e apoiar seus filh@s com SD (ou outras deficiências).

E, qual é a função de um dia internacional ???

É exatamente criar espaços sociais, políticos, de mídia, etc. para abordar questões relevantes acerca de grupos sociais ou temas que foram mantidos às margens dos debates.

É por isso que hoje estou aqui escrevendo sobre as pessoas com SD e seu dia internacional...

Por todas estas histórias de vida maravilhosas de alguns jovens com SD, hoje é um dia que ainda existe e merece ser celebrado no planeta... até o dia em que nascer com Síndrome de Down – ou qualquer outra condição humana, não será mais uma ´razão´ para ser excluíd@ ou viver isolado (não ter amig@s ou namorad@), para não ser aceito nas escolas ou sofrer experiências de discriminação e preconceito, para ser escondido ou violentado...

Por todas estas razões é hora e tempo de repensarmos nossas posições, sentimentos e crenças.

É hora de mudarmos e buscar aproximação e aprendizagens com as oportunidades que a vida nos oferece. Por isso, como dica (já lançada aqui no blog aos docentes comprometidos coma inclusão em ´Dicas sobre Inclusão´nesta pagina, ao lado direito), esta semana, aborde uma pessoa com Síndrome de Down e a conheça. Depois conte sua experiência de forma que ela se multiplique e beneficie outros seres.

Om Shanti!
  

segunda-feira, 6 de março de 2017

A ONG Ed-Tod@s está sendo relançada em Indaiatuba!!!



A ONG Ed-Tod@s, fundada em 1998, agora está em Indaiatuba.

A ONG Ed-Tod@s foi fundada originalmente em João Pessoa na Paraíba, onde sua Fundadora e atual Presidente Dra. Windyz Brazão Ferreira morava e atuava como acadêmica na Universidade Federal da Paraíba. Nascida em São Paulo, após a aposentadoria da universidade ela escolheu Indaiatuba para ser sua cidade.

Clique aqui e conheça o SITE da Ong Ed-Tod@s

Enquanto conduzia seu Doutorado na University of Manchester na Inglaterra, entre 1996 e 2000, a professora se deu conta de que era necessário a fundação de uma ONG brasileira que promovesse a educação inclusiva. Voltou ao Brasil em 1998 e, junto com colegas, mães de pessoas com deficiência e pessoas com deficiência, fundou a Ed-Tod@s.  

Por isso, desde o nascimento, a Ed-Tod@s tem como missão promover e defender os direitos da pessoa com deficiência à vida regular, à educação, à convivência e participação em todas as esferas sociais, experiências fundamentais para o desenvolvimento humano deste grupo social.

Durante quase 20 anos, a Ed-Tod@s realizou atividades científico-acadêmicas de produção e disseminação de conhecimentos sobre questões relacionadas às pessoas com deficiência. Já realizaram congressos, pesquisas para a UNESCO, Save the Children da Suécia e Reino Unido, assim como para Governo federal e estadual aqui no Brasil.

A missão da Ed-Tod@s, portanto, é promover a inclusão social e educacional das pessoas com deficiência e suas mães, por meio de combater a exclusão e barreiras de acessibilidade à participação em qualquer esfera da sociedade em condições de igualdade com as demais pessoas e promover a inclusão familiar, social, educacional, comunitária, amorosa, amistosa, cultural, laboral, etc.

Os tempos mudaram e agora, para além da inclusão social e educacional da pessoa com deficiência, a ONG Ed-Tod@s inicia uma nova etapa de sua atividade com projetos sociais que tem como objetivo o empoderamento feminino de jovens/mulheres com deficiência e também de mães de pessoas com deficiência.

Dentre inúmeras outras atividades (ciclo de palestras, cursos, filmes, meditação, encontros, etc.) que podem ser conhecidas no site da ONG (https://ongedtodas.wixsite.com/indaiatuba), o Projeto Social Pró-Mães é o seu carro-chefe. Este projeto tem como objetivo o fortalecimento materno e o empoderamento feminino de mães de pessoas com deficiência.

Segundo o CENSO Populacional do IBGE de 2010, existem no Brasil em torno de 46 milhões de pessoas com deficiências. Portanto, existem em torno de 46 milhões de mães, cujos filh@s têm algum tipo de deficiência. Os estudos mostram que as mães de filh@s com deficiência tendem a ser abandonadas pelos maridos ou companheiros, são excluídas de atividades familiares, abandonam carreiras e emprego para cuidar de seus filh@s, lutam cotidianamente para superar barreiras sociais, humanas, profissionais, educacionais, etc. A jornada diária é múltipla e a sobrecarga psicológica é imensurável. Por todas estas razões, as mães de pessoas com deficiência constituem um grupo vulnerável:  sozinhas, isoladas e sem ter em quem se apoiar estas mães sofrem silenciosamente.

" Em 2014 iniciamos o Pro-Mães como um projeto de extensão acadêmico e também campo de coleta de dados de uma pesquisa de doutorado[1] (ainda em andamento) na Universidade Federal da Paraíba. Durante um ano, realizamos encontros semanais com um grupo de 16 mães de pessoas com deficiência diferentes, a partir dos quais constatamos o valor deste projeto. As mães passam por etapas de compartilhamento de dores e sofrimentos, se reconhecem como membro de um grupo com uma identidade única, passam a compartilhar experiências e conhecimentos relevantes para todas e se fortalecem enquanto mães e mulheres. Compreendem, por meio da vivência no grupo, que podem ´ter uma vida própria´,podem se realizar profissionalmente, podem e devem ser ouvidas nos vários espaços sociais, podem e devem lutar pelos seus direitos e de seus filhos em instâncias sociais e políticas.“

Nosso objetivo aqui em Indaiatuba é consolidar este projeto social totalmente gratuíto, divulga-lo e implantar na região, em cidades próximas onde os recursos são escassos para as mães e para as pessoas com deficiência.

Iniciaremos o cadastramento das mães (cujos filh@s podem ter qualquer deficiência e qualquer idade) pelo site da EdTod@s, por email, fone ou facebook, a partir do dia 08 de março de 2017 – Dia Internacional da Mulher e também dia do lançamento da EdTod@s.

Fone (provisório) 19 9 8803 0217

Para o lançamento da ONG teremos um coquetel com alguns convidad@s em sua sede e, às 19:30, organizamos em parceria com o CIASPE – Centro de Inclusão e Assistência à Pessoa com Necessidades Especiais (http://ciaspe.org.br/), a palestra Tornar-se Mães de Filh@s com Deficiência: experiências e aprendizagens, proferida por nossa convidada especial, a Assistente Social Mina Regen, Coordenadora do Setor de Estimulação Precoce da APAE-SP e Consultora da Sorri Brasil (http://www.sorri.com.br/)  e que atua há mais de 40 anos na área de inclusão social da pessoa com deficiência. Mina é pioneira na abordagem do tema família e mães de pessoas com deficiência.

Estamos felizes com o lançamento da Ong Ed-Tod@s aqui em Indaiatuba e, esperamos, poder contribuir para dar visibilidade às pessoas com deficiência da cidade e da região, aos seus direitos, suas demandas nascidas de suas vozes e também à criar oportunidades de terem acesso a vida social, cultural e educacional como qualquer outra pessoa sem deficiência, como reza a Convenção dos Direitos da Pessoa com Deficiência publicada pela ONU em 2006... Indaiatuba é uma cidade acolhedora, reconhecida pelo seu desenvolvimento econômico e social, que abraça quem vem de fora...  Apesar disso, as pessoas com deficiências – surdos, cegos, pessoas que usam cadeiras de rodas, pessoas com Síndrome de Down, etc., quase não são vistos nos espaços comuns.

Paralelamente à nossa missão de apoiar o desenvolvimento humano e a inclusão social e educacional de crianças, jovens e adultos com deficiência e de suas mães, nosso maior objetivo neste momento é tornar a cidade de Indaiatuba um polo na região de promoção de direitos deste grupo social e de disseminação de conhecimentos na área relevantes aos profissionais da área de saúde e educação, às empresas, ao poder público local, etc.

Contato: 11 9 8803 0217 

Dia internacional das Mulheres
     






quinta-feira, 19 de janeiro de 2017



Local
Sede da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência
Av. Auro Soares de Moura Andrade, 564 – Portão 10 (ao lado do Memorial da América Latina) – Barra Funda - SP/SP


Informações: sindromededowneventos@gmail.com

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

O Filme “Teoria de Tudo” conta a história de Stephen Hawking e traz reflexões importantes sobre a experiência da deficiência

Jackeline Susann Souza da Silva



A “Teoria de Tudo” é um filme que marca na memória por sua história envolve, emocionante e, sobretudo, reflexiva, ao nos levar a pensar sobre quem somos e o valor da vida. Sem falar na brilhante atuação de Eddie Redmayne que protagonizou perfeitamente Stephen Hawking e de Felicity Jones vivendo a forte Jane Wilde Hawking, a primeira esposa de Stephen. Este filme narra a história real do cosmólogo britânico — hoje um dos mais consagrados cientistas mundiais — e foi inspirado no Livro escrito por Jane chamado “My Life with Stephen”.

Se ainda não assistiu veja um trecho no Trailerhttps://www.youtube.com/watch?v=SbUVNHdPE4w

Além de motivá-los(as) a assistir esta grande obra cinematográfica, o objetivo desta postagem é adentrar nas questões vividas por Stephen e Jane, relacionando-as com as temáticas discutidas no campo plural da deficiência. A seguir destaco pontos relevantes para discussão e análise.

A experiência da deficiência pode atingir qualquer um de nós.



Quando falamos em deficiência, parece ainda uma questão muito distante, fora do nosso contexto de vida, mesmo o Brasil registrando a marca de aproximadamente 24% da população que se enquadram nesta categoria, conforme aponta o último censo do IBGE (BRASIL, 2010). Falar de deficiência é uma atribuição vinculada, na maioria das vezes, a especialistas, professores(as) e familiares, pressuposto que acaba por isentar todas as demais pessoas da responsabilidade social com este coletivo.

A história de Stephen Howinkig ilustra como a deficiência é uma característica que pode afetar qualquer pessoa que tenha uma vida normal. No auge da sua juventude, aos 21 anos, Stephen descobriu uma doença degenerativa (esclerose lateral amiotrófica) e recebeu o diagnóstico de que esta doença paralisaria seus músculos, comprometeria por completo o desempenho do seu corpo e fala e provocaria sua morte prematura.

Assim como Stephen adquiriu deficiências, o número de pessoas que viveram a experiência de se tornar uma pessoa com deficiência no Brasil chega a ser 51% do total de pessoas registradas com algum tipo de deficiência no país, ou seja, número maior do que as que recebem o diagnóstico ao nascer. A deficiência pode surgir de uma acidente, fratura, tentativa de homicídio, motivos de doença ou por chegar a terceira idade. Fica o questionamento:

Se deficiência é uma marca de identidade característica de nossa população pelo grande percentual de brasileiros e brasileiras, pela própria condição humana de envelhecimento e pelas possíveis fatalidades, por que é um tema não popularizado que permanece ilhado e de causa social atribuída somente aos sensibilizados, especializados e familiares? Por que ainda existem tantas barreiras nos ambientes e, sobretudo, nas atitudes?

A invisibilidade desta população (Ferreira, 2004; Soares, 2010; Farias, 2011) e a pouca responsabilização coletiva acerca da efetivação dos direitos das pessoas com deficiência nas diversas áreas da vida (saúde, mundo do trabalho, lazer, relações de amizade, sexualidade, escolarização, entre outras) têm como consequência a criação e perpetuação das barreiras no ambiente e nas relações humanas. O mundo que vivemos tal como está não acomoda nossa própria condição de diversidade e diferenças de intelectualidade, funcionalidade, comunicação e interação. 

Assim, o filme deixa a mensagem de que a deficiência não está fora da nossa constituição humana, ela é parte do universo e pode a qualquer momento introduzir-se no nosso mundo particular; por isso necessitamos, de forma empática, romper com o imaginário que cria fronteira entre os(as) “não deficientes” e os(as) “deficientes” para assumirmos uma atitude de responsabilidade coletiva.

O diagnóstico negativo é a primeira barreira que precisamos romper.



Stephen tinha uma saúde normal. Aos 21 anos, já demonstrava genialidade e era um dos jovens promissores ao título de doutorado em uma nomeada universidade britânica. Nesse caminho, começou a perceber uma estranha reação em suas mãos por sentir dificuldade para segurar o giz e por seu andar que não seguia o ritmo habitual. Após uma série de exames, Stephen descobriu que sofria de uma doença grave e que dali por diante sua maneira de viver mudaria drasticamente.

No momento em que recebe o diagnóstico da doença, Stephen encarou o médico em um corredor gélido de tons cinzas. Escutou em silêncio as palavras do profissional que descreveu pausadamente o quadro decrescente e irreversível da sua enfermidade. O médico finalizou sua fala prevendo o tempo de vida máximo de dois anos para Stephen, período em que a doença já atingiria seu mais alto grau.

A Medicina é o campo credenciado para medir, comparar e avaliar as alterações corporais/mentais e, com isso, emitir diagnósticos preventivos ou/e curativos. Para isso, existem definições e padrões, como descritos nos manuais da Organização Mundial de Saúde, que servem de base para análises comparativas dos(as) profissionais sobre o estado de saúde dos(as) seus pacientes; enquadrando, assim, reações, enfermidades e deficiências aos critérios médicos e farmacológicos.

Por muito tempo a apropriação médica do diagnóstico sobre deficiência trouxe consequência graves para a vida dessa população, uma vez que a deficiência era interpretada como uma condição meramente individual, uma “tragédia pessoal” (Oliver, 1983) que precisava ser “curada”, medicalizada e normalizada. Por causa disso, esse grupo foi privado de direitos, mantido em instituições especializadas e cortado do convívio social. Na segunda metade do século passado, o movimento de pessoas com deficiência protagonizou ações intensivas de reivindicação que deram visibilidades às barreiras sociais, responsáveis por restringir e negar os direitos humanos desse grupo. Inicia-se aí a discussão sobre deficiência contextualizada nas esferas coletiva, política, histórica, social, cultural e econômica.

Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas (ONU, 2006) é resultado da luta social por reconhecimento dos direitos das pessoas com deficiência. Esta convenção teve impacto mundial e reforça modelo social da deficiência (hoje é o modelo mais bem aceito pelo movimento), assumindo que esta marca é construída em meio a limites sociais (e não individuais como se acreditava) e que, portanto, se faz urgente a adoção de medidas inclusivas e acessíveis para modificar a sociedade.

Receber um diagnóstico de doença grave é um momento sensível, de muita dor e revolta, foi o que aconteceu com Stephen. O sentimento inicial provou seu isolamento e reflexão profunda sobre as impossibilidades da doença e sua possível morte. O mesmo acontece com as pessoas que adquirem uma deficiência e com mães e familiares que recebem a notícia da chegada de um(a) bebê com deficiência. Os relatos principalmente das mães mostram o quando o diagnóstico negativo interfere na relação da família com os(as) seus(as) filhos(as).

Recordo o caso de uma jovem mãe de uma criança diagnosticada com autismo que nos contou ter sido surpreendida pela fala do médico no dia em que seu filho nasceu: “ele disse que meu filho tinha um problema grave e que não adiantava fazer nada porque ele iria vegetar, além de ter pouco tempo de vida”. Ela acrescenta que estas palavras entraram em seu “peito como um punhal”, passando um sentimento de culpa, de rejeição e de vergonha. Nos primeiros anos não saia de casa com seu filho e evitava falar do assunto quando as pessoas comentavam. Foi um momento de luto. Contradizendo o diagnóstico, a criança hoje tem dez anos, caminha e come sozinha, escolhe as roupas que quer vestir, brinca com sua irmã, frequenta à escola e é bastante interessada em recursos digitais.

Tanto a experiência desta criança como a história de Stephen provam que é possível desconstruir diagnósticos incapacitantes. 

Quantas famílias são desacreditadas das capacidades de seus filhos(as) com deficiência pelas instituições sociais como escola e hospitais? Quantas crianças com deficiência são impedidas de aprender e conviver nos diferentes espaços porque recebem chances escassas e pobres de desenvolvimento por causa de um diagnóstico de que elas não terão progresso? 

Imaginemos se o diagnóstico tivesse paralisado, de fato, Stephen Hawking de tal maneira que ele não encontrasse mais sentido para viver? No mínimo deixaria um planeta inteiro órfão da sua teoria sobre tempo e buracos negros.

Portanto, a segunda lição que fica do filme é que precisamos desconstruir diagnósticos incapacitantes e não limitar a nossa capacidade de estarmos vivos, em qualquer que seja a condição pessoal. Viver é uma estrada de possibilidades, uma arte complexa e misteriosa.

Jane Hawking foi tão responsável pelo sucesso de Stephen Hawking como ele mesmo: Cuidado, Mulher & Deficiência.


Durante a exibição de todo o filme chama a atenção a presença de Jane Wilde Hawking na vida e carreira do cientista Stephen Hawking: Ela cumpriu a função do cuidado integral e foi sua grande incentivadora desde que ele descobriu a doença. O papel de Jane foi preponderante para o desenvolvimento e sucesso de Stephen Hawking.

Historicamente, a função de cuidar foi destinada às mulheres e por isso naturalizou-se que esta é uma tarefa feminina. Ainda hoje, desde a infância as meninas aprendem a tomar responsabilidade sob os demais, cuidando dos irmãos, dos colegas menores, dos pais e das “coisas da casa”. Não é à toa que ouvimos com frequência que “meninas amadurecem mais cedo que meninos”, essa frágil ideia nada mais é do que um excesso de atribuição e cobrança destinada às meninas, para que estas criem um senso de responsabilidade com o bem-estar e cuidado com seu entorno e com os outros. Esse cultura reflete no mundo do trabalho em que as mulheres ocupam a maioria das profissões que remetem ao cuidado como docência, enfermaria, assistência social e psicologia (Cruz, 2012).

Com as lutas feministas, muitos direitos foram alcançados. No entanto, a mulher contemporânea vive outros tipos de condicionamentos que estão por trás da sua suposta emancipação. A carga de ter que trabalhar e estudar fora não diminuiu o trabalho doméstico por ela ser a principal responsável de cuidar das múltiplas tarefas da casa, dos(as) filhos(as), das pessoas idosas e doentes. A intensa jornada de trabalho coloca as mulheres em posição de desvantagem social ao criar barreiras, produzir desigualdades de gênero e privá-las de direitos, como, por exemplo, ter pouco tempo para investir em uma carreira profissional ou realizar uma atividade de lazer.

Todos os aspectos que circunscrevem o papel social e o lugar da mulher se intensificam quando ela tem um(a) filho(a) com deficiência, um familiar ou um(a) parceiro(a) que necessita de seus cuidados. A relação passa de mãe ou esposa para cuidadora. Uma função que exige sua atenção integral. A baixa renda é um fator agravante que influência o estado de vulnerabilidade da mulher-cuidadora. Ao não dispor de recursos, ela se ver na obrigação de suprir as faltas sozinha, por exemplo, quando não tem um carro ou dinheiro para pagar um táxi e tem que levar frequentemente o filho com paralisia cerebral até a clínica de reabilitação, enfrentando um transporte público precário e a falta de acessibilidades das ruas; quando cuida e sustenta uma filha com deficiência porque o marido foi embora sem assumir suas obrigações afetivas e financeiras; quando é obrigada a ‘abrir mão’ de uma profissão para acompanhar o filho com autismo porque a escola viola o direito de dispor de um(a) cuidador(a) e ela não encontra opções.

O mesmo aconteceu com Jane, quando conheceu Stephen era estudante de Artes que almejava seguir um futuro profissional, mas teve que deixar carreira de lado para se dedicar ao marido, cuidar da casa e dos filhos. Stephen necessitava do apoio de Jane para tudo: se alimentar, tomar água, trocar de roupa, escovar seus dentes, subir escadas e até para carregá-lo quando não encontrava acessibilidade nos lugares que frequentava. E assim, foram os 30 anos de casados, até que com o passar do tempo foi possível perceber nas cenas o peso da sobrecarga no rosto de Jane, que demostrava muito cansaço e a necessidade de ajuda.

Imaginemos a seguinte situação irrealística: Se as mulheres se unissem e realizassem uma greve mundial de um mês deixando de exercer qualquer atividade doméstica e de cuidado, com o propósito de reivindicar reconhecimento dessas tarefas, mostrar sua relevância e conquistar direitos domésticos (como políticas públicas e atenção legal a divisão do trabalho doméstico). É seguro que viveríamos um momento de grande caos e instabilidade social.

Este filme nos mostra a importância social do cuidado e da interdependência. Nas experiências com pessoas com deficiência graves a necessidade do cuidado ganha mais visibilidade, no entanto, essa é uma função social que mantêm o funcionamento das instituições sociais, sejam públicas ou privadas. 

Desta forma, a terceira lição que o filme nos leva a pensar é que é preciso discutir este tema, ampliar o debate e construir políticas, estratégias e ações que apoiem as mulheres-cuidadoras, bem como desenvolver a consciência social de que a tarefa de cuidar e as atividades domésticas são de responsabilidade coletiva.

A Acessibilidade e os Profissionais Assistivos permitiram saltos para o descobrimento do universo.


O suporte oferecido a Stephen através das tecnologias e profissionais assistivos foi o que lhes permitiu realizar atividades no dia a dia e seguir com sua carreira de cientista. A cadeira de roda elétrica lhe forneceu autonomia, uma vez que ele pôde monitorá-la sozinho e com isso circular com maior liberdade e frequentar à universidade; depois que Stephen perdeu a capacidade de falar, o sintetizador de voz foi um recurso que lhe oportunizou comunicar-se, realizar conferências e até escrever seus livros.

É indiscutível que o avanço tecnológico proporciona maior qualidade de vida as pessoas com deficiência. Os relatos de amigas cegas ilustram a relevância da tecnologia em sua vida, especialmente quando os recursos são desenhados dentro dos padrões de acessibilidade. O uso de smartphone vem se tornando uma ferramenta indispensável no cotidiano de pessoas com deficiência, pois lhes oferece acesso à informação, permite realização de pesquisas online e interação por meio das redes sociais e chat, algumas vezes, comportam recursos para descrição de imagens e vídeos, além de dispor de aplicativos de acessibilidade. 

De forma geral, o acesso à tecnologia e acessibilidade ajuda a diminuir os limites condicionados por deficiências graves e estas pessoas deixam de ficar à mercê somente do apoio humano, por exemplo, quando desejam obter uma simples informação, podem usar um computador adaptado para buscá-la na internet.

Além das tecnologias como um recurso de/para acessibilidade, o filme nos mostra a importante dos profissionais assistivos, como cuidadores e enfermeiros, que desenvolvem um trabalho fundamental para melhorar as condições de vida das pessoas com deficiência. No período em perdeu a fala, Jane tentou ensinar Stephen a comunicar-se através um recurso de comunicação alternativa. Com Jane, Stephen se mostrou resistente…

Como um cientista com ideias tão abstratas agora sem nenhuma possibilidade de se expressar oralmente iria conseguir expor o que pensa? A acessibilidade e o apoio profissional tornam-se meios de chegar a este fim!

Jane resolveu compartilhar a responsabilidade e contratou uma enfermeira. A profissional com sua longa experiência conseguiu que Stephen aprendesse a se comunicar-se e interagir na sua nova condição.

A quarta reflexão que o filme nos deixa é que a acessibilidade, os recursos assistivos e o apoio de profissional garantem condições dignas e favorecem o desenvolvimento pleno das pessoas com deficiência. O avanço científico e tecnológico cada vez mais permite que as pessoas com deficiência adquiram autonomia para realizar suas atividades diárias e, com isso, coloquem em prática desde ofícios corriqueiros até a realização de seus maiores sonhos.

A oportunidade de aprender cria gênios.


Como todos sabem Stephen Hawking é um premiado cientista e suas teorias contribuem para a compreensão do tempo, universo e surgimento da vida na terra. Ao descobrir a doença, a primeira preocupação de Stephen foi se ela atingiria sua capacidade cognitiva. 

Neste caminho, ele continuou a desenvolver sua tese e foi acolhido pelo seu professor que demonstrava respeito e crença na sua capacidade. Uma cena do filme retrata a fala do professor de Stephen em uma conferência pública em que expressa toda a admiração que tem por ele e confessa o privilégio que foi conviver e aprender muito com seu antigo aprendiz.

A pessoa com deficiência ainda é privada de aprender e desenvolver seus talentos. O imaginário coletivo das instituições educacionais é enraizado em crenças, estereótipos e mitos acerca do desenvolvimento cognitivo deste grupo social. Narrativas negativas ilustram descaso, segregação, discriminação e omissão de oportunidade de participação de crianças, jovens e adultos com deficiência no sistema de ensino regular.

A violação do direito à educação incapacita as pessoas com deficiência, que permanecem no abismo de (grande) desvantagem social, sem oportunidade de aprender, com poucas chances de sucesso escolar e sendo mínima a representatividade deste grupo — menos de 1% — que ascende a espaços de excelências na produção e disseminação de conhecimento, como as universidades.

A convivência entre pessoas com e sem deficiência em espaços de aprendizagem é benéfica não só para as pessoas com deficiência, mas para a comunidade. Este é um momento propício para troca de experiência e saberes e a oportunidade para se pensar em estratégias que diminuam barreiras educacionais.

Como visto na história de Stephen, o(a) professor(a) tem um papel preponderante porque ele(a) é autoridade que pode criar oportunidades para que estudantes com deficiência desenvolvam seu potencial.

Qual a primeira coisa que precisamos mudar para que pessoas com deficiência tenham oportunidade de aprender e desenvolver seus talentos? A resposta é simples: nossa atitude em relação a elas!

A quarta lição que podemos extrair do filme é que as pessoas com deficiência têm o direito de aprender, participar e interagir para isso é preciso que EXISTAM OPORTUNIDADES. O(a) professor(a) tem o poder de promover a inclusão e acessibilidade por meio de atitudes acolhedoras e abertas às diferentes formas de aprendizagem e de expressão de saberes. Para tanto, é urgente desconstruir concepções incapacitantes sobre pessoas com deficiência, de descrença em seu potencial e capacidade intelectual, principalmente quando são pessoas com deficiência com quadro complexos como paralisias, deficiências intelectuais e autismo.

Professores(as), não vamos desperdiçar talentos e gênios, vamos potenciá-los e descobri-los!


O corpo na sua diversidade transpira sexualidade.


Este último ponto reflexivo que o filme nos reporta é um tema tabu e inexplorado no Brasil: sexualidade e deficiência. Estudos indicam que as pessoas com deficiência são vistas como sujeitos assexuados, infantis e frígidos (Mertens et al., 2012; Denari, 2006). No entanto, a internet pouco a pouco vem publicizando conteúdos digitais que trazem à tona estes temas: ensaios sensuais de mulheres com deficiência para reforçar sua beleza e feminilidade; aplicativos de relacionamentos para que pessoas com diversidade funcional; relatos e filmagem de experiências sexuais de pessoas com deficiência, entre outros. Na maioria das vezes, as protagonistas são as próprias pessoas com deficiência que buscam desmistificar as concepções limitantes sobre sua sexualidade, gênero e orientação sexual.

Conheça o Projeto Espanhol “Yes, We Fuck”, coordenado por Antonio Centero, um usuário de cadeira de rodas que promove a discussão sobre a sexualidade de pessoas com diversidade funcional em fóruns e documentários de uma maneira livre, transgressora e anticapacitista. http://www.yeswefuck.org/

No filme, a experiência de Stephen Hawking evidencia que mesmo sua deficiência sendo de grau avançado, esta não foi a razão para ele não desfrutar de uma vida sexual plena. Stephen e Jane tinham uma relação amorosa como qualquer outro casal, explorando o lado sexual. Ele é pai de três filhos e, mais tarde, teve um relacionamento extraconjugal com sua enfermeira Elane Mason, com quem se casou pela segunda vez. Por causa da condição fisiológica de Stephen, muitas foram as especulações levantadas contra Jane, que foi julgada pela própria família de traí-lo e de mentir sobre a paternidade de seus filhos.

A discriminação vivida por Jane é resultado do controle da sexualidade das mulheres que são colocadas em juízo quando apresentam um comportamento conferido como inadequado e do ceticismo acerca do desempenho sexual de parceiros e parceiras com deficiência. As mulheres com deficiência são submetidas em dobro a tutela da família e Estado, aspecto que restringe sua vida sexual, seu ciclo de relações amorosas e seu direito à maternidade.

O corpo humano é uma zona sem limites, potenciada para dar e receber prazer. Por que as pessoas com deficiência permanecem destituídas de viver plenamente sua sexualidade? O que está por trás dessa restrição social?

A quarta lição que a história de Stephen Hawking incitou foi que homens e mulheres com deficiência têm os mesmos direitos que qualquer outro grupo de terem uma vida sexual ativa, livre e sem discriminação. A decisão quanto ao tipo de relação, acordos sentimentais e escolha de ter ou não filhos são demandas que dizem respeito as próprias pessoas com deficiência. 

Para isso, é preciso investir em políticas públicas e ações conjuntas que coloquem em debate este tema, deem visibilidade aos grupos de pessoas com deficiência que já vêm desenvolvendo ou queiram produzir campanhas de conscientização, forneçam informação adequada e acessível sobre gênero, saúde e sexualidade com vista a prevenção de gravidez, doenças sexualmente transmissíveis e abusos sexuais, finalmente, abram espaços públicos formais e de lazer para que pessoas com deficiência possam trocar de experiências e conhecer outras pessoas que queiram compartilhar e viver juntas uma vida amorosa e/ou sexual.

Como percebemos, este é um filme para guardar em nossos arquivos valiosos e sempre que preciso revê-lo para refletirmos sobre a experiência da deficiência no contexto contemporâneo.

REFERÊNCIAS

BRASIL. IBGE 2010. Disponível em: < http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/periodicos/94/cd_2010_religiao_deficiencia.pdf >. Acesso em: 05 de jul. 2016.

CRUZ, M. H. S. Mapeando diferenças de gênero no ensino superior da Universidade Federal de Sergipe. São Cristóvão: Editora UFS, 2012.

DENARI, F.E. Adolescência & deficiência mental: desvendando aspectos de afetividade e sexualidade. In. 

MARTINS, A. R.S. et al. (Org.). Inclusão:compartilhando saberes. Petrópolis: Vozes, 2006.

FARIAS, A. Q. Gênero e Deficiência: Vulnerabilidade Feminina, Ruptura e superação. Dissertação (Mestrado em Educação) — Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa: UFPB, 2011.

FERREIRA, W. B. Invisibilidade, crenças e rótulos: Reflexão sobre a profecia do fracasso educacional na vida de jovens com deficiência. IV Congresso Brasileiro sobre Síndrome de Down. Família, a gente da inclusão. 09–11 de Setembro de 2004. Bahia.

OLIVER, M. 1983. Social work with disabled people. London: MacMillan. Disponível em: <http://www.icjp.pt/sites/default/files/media/723-1116.pdf>. Acesso em: 20 out. 2013.

ONU. Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (2006).Disponível em: < http://www.assinoinclusao.org.br/downloads/convencao.pdf >. Acesso em: 03 jul. 2011.

SOARES, A. M. M. Nada sobre nós sem nós: estudo sobre a formação de jovens com deficiência para o exercício da autoadvocacia em uma ação de extensão universitária. 2010. Dissertação (Mestrado em Educação) — Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2010.