domingo, 13 de março de 2016

Cartilha sobre Gentle Teaching (John MacGee)

(Tradução: Windyz B Ferreira do documento
Primer on Gentle Teaching e partes de vídeos)


Gentle Teaching (tradução: Ensino Gentil) é uma abordagem criada por John MacGee, um americano que viveu no nordeste brasileiro e conheceu nossa cultura, assim como a teoria de Paulo Freire. Al voltar para os EUA, John fez um Doutorado e desenvolveu a abordagem hoje, conhecida como Gentle Teaching.

Gentle Teaching (também traduzido pelo psicólogo Mario Soares, diretor da ASSOL- www.assol.pt)como Pedagogia do Companheirismo e da Interdependência) é muitas coisas...

·       Gentileza em direção a outros é um fator crítico, independentemente do que qualquer pessoa faça ou não faça. It is a paradox.

·       -  Punhos devem ser encontrados com abraços.

·       -  Chingamentos e amaldiçoar o outro/a deve ser encontrado com palavras de afeição e carinho

·       - Olhos que oferecem desprezo devem ser encontrados com calor.

A gentileza reconhece que toda mudança é mutua e entrelaçada, se inicia com os cuidadores e, espera-se, toque aqueles que são os mais vulneráveis e seu foco central é expressar incondicionalmente amor.

·       É uma referência em torno da Psicologia da Interdependência humana.

A ideia principal da gentileza é não se livrar do comportamento de alguém, mas aprofundar nosso próprio sentimentos internos de gentileza frente à (comportamentos) de violência ou desconsideração.

Gentle Teaching é também uma abordagem de ensino e tem 4 propósitos iniciais: Ensinar outros a se sentir:

- Seguro: você está seguro comigo... não tenha medo...

- Amado: sinta-se amado por mim...

- Amando: seja amável para mim...  

 - Envolvido: envolva-se comigo...

Não importa em que língua você mostre ou fale ´isso´, a pessoa gradualmente vai entender. (Veja o vídeo a seguir, em inglês, da interação do John com Ronald. Não é necessário entender inglês)



Estes propósitos não acontecem simplesmente.
Eles são ensinados por meio de ações repetidas de atos de amor.

Cuidadores Gentis aprendem a usar sua presença, mãos, palavras e olhos como seus primeiros instrumentos para elevar e honrar outros. As pessoas com ´os corações partidos´ vão sentir que minha presença, minhas palavras, meus olhos e toque are bons, não machucam...  

OBS. Há vídeos com John MacGee falando sobre GT em inglês no youtube. Abaixo alguns links...







Meu contato com GT e com John MacGee... 

Eu conheci John MacGee em 2009 em Portugal na Conferência Internacional organizada por Mário Pereira, diretor da ASSOL. John fala português muito bem, foi casado com uma brasileira (John faleceu em 2014) e é a personificação do que nos ensina com o Gentle Teaching. Desde então, eu participei das Conferências que aconteceram na Holanda (2010), na Dinamarca (2012) e na Grécia (2014). ESte ano a Conferência será realizada na Islândia. Sempre é realizada em setembro.

A aplicação desta abordagem foi iniciada há, em torno de 30 anos atrás, com pacientes institucionalizados e que eram frequentemente mau tratados, machucados, trancafiados, etc. Foi muito usada em instituições para pessoas autistas, por seu ´comportamento não social´... Hoje, o GT é aplicado em organizações, escolas, instituições, hospitais, etc. de mais de 25 países.

Em outubro de 2015, convidei o Mario Pereira para vir ao Brasil e dar um curso para famílias de pessoas autistas. O curso foi realizado em João Pessoa e envolveu 20 famílias. Meu objetivo é compartilhar esta abordagem no Brasil e apoiar pontes para famílias interessadas. 

terça-feira, 8 de março de 2016

O Dia Internacional da Mulher: algumas considerações sobre violências contra mulheres com deficiência

Anahi Guedes de Mello

Antropóloga, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Santa Catarina e pesquisadora vinculada ao Núcleo de Identidades de Gênero e Subjetividades e ao Núcleo de Estudos sobre Deficiência (NIGS/NED/UFSC). Tem experiência em Estudos sobre Deficiência, desenvolvendo pesquisas sobre gênero e deficiência, sexualidades, violências contra mulheres com deficiência, acessibilidade e tecnologia assistiva.


Em uma pesquisa envolvendo as percepções da opinião pública em relação aos direitos humanos das pessoas com deficiência no Brasil, Debora Diniz e Lívia Barbosa afirmam que “embora as pessoas reconheçam a discriminação existente contra indivíduos com deficiência, não a traduzem sob a forma de violência ou maus-tratos” [1]. Prosseguem as autoras alertando que “em uma lista com oito tipos de violência, apenas 5% das pessoas responderam que a violência contra pessoas com deficiência deveria ser combatida em primeiro lugar”.

Duas hipóteses explicam esse resultado: “ou esse fenômeno inexiste na vida cotidiana das pessoas deficientes e de suas cuidadoras, ou a subnotificação impõe uma regra perversa de silêncio. O fato é que inexistem dados sobre a magnitude da violência contra deficientes no Brasil”[idem]. Sustentam que uma possível explicação para a pouca relevância dada a pesquisas sobre esse tema no Brasil se deve ao fato do debate público e midiático da agenda da deficiência se concentrar nas necessidades de saúde, transporte e trabalho. Para elas, as violências contra pessoas com deficiência se mantêm na esfera privada, não sendo percebidas como uma questão de direitos humanos. E os poucos estudos localizados apontam a violência doméstica como o tipo mais frequente de violência praticada contra esse segmento. Entretanto, do ponto de vista da interseção entre gênero, deficiência e violência, os poucos estudos nacionais, amparados por referências internacionais, evidenciam o argumento da maior vulnerabilidade de mulheres com deficiência a sofrer violências na esfera doméstica e familiar.

Os dados analisados comprovam a tese de que são essas mulheres as mais vulneráveis a sofrer abusos, maus-tratos, lesões, abandono e negligências por parte de familiares e agentes estatais. Contrariamente ao apontado na mídia e em publicações feministas sobre violência doméstica contra a mulher no âmbito conjugal, em que a dependência financeira e emocional são os principais motivos pelos quais as mulheres desistem de denunciar seus agressores, a maioria homens, nas violências contra mulheres com deficiência, a questão da independência financeira fica em segundo plano, pois a primeira pergunta que emerge é: “Quem vai cuidar de mim?”. Essa “rede de cuidados” geralmente inclui pessoas de sua rede de parentesco, majoritariamente mães, pais, irmãos, irmãs, filhos e filhas que, em maior ou menor grau, cuidam ou deveriam cuidar da/do sua/ seu filha/filho, irmã/irmão e mãe/pai com deficiência. Também podem envolver a participação de profissionais das áreas de saúde ligadas ao cuidado (principalmente Enfermagem, Mastologia e Ginecologia).

Desse modo, as violências contra mulheres com deficiência não ocorrem majoritariamente no contexto das relações conjugais (por exemplo, marido contra mulher em uma relação heterossexual), mas têm mais proximidade com os debates envolvendo a violência doméstica contra pessoas idosas, justamente porque ambas canalizam o contorno dos corpos com impedimentos que necessitam da assistência de longa duração para desenvolver, potencializar ou manter suas capacidades básicas.

O presente texto se baseia em minha dissertação de mestrado em Antropologia Social pela UFSC, defendida em fevereiro de 2014 sob o título “Gênero, Deficiência, Cuidado e Capacitismo: uma análise antropológica sobre experiências, observações e narrativas sobre violências contra mulheres com deficiência”.

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[1] DINIZ, D.; BARBOSA, L. Pessoas com Deficiência e Direitos Humanos no Brasil. In.: VENTURI, G. (Org.). Direitos Humanos: percepções da opinião pública – análises de pesquisa nacional. Brasília: Secretaria de Direitos Humanos, 2010. p. 211. 3) Diniz e Barbosa, loc. cit 

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Disponível: http://www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/sites/default/files/arquivos/%5Bfield_generico_imagens-filefield-description%5D_100.pdf 

Para conhecer mais sobre o campo dos Estudos sobre a Deficiência no país e Anahi G de Mello, assista ao vídeo abaixo:





segunda-feira, 7 de março de 2016

Estudos sobre a Deficiência: Para além da Educação Especial e da Educação Inclusiva

Jackeline Susann S. Silva
jackeline-susann@hotmail.com


O cenário negativo que narra a história de pessoas com deficiência fundamentou o crescimento e a consolidação, a partir do final do século passado, de um marco político-legal para a inclusão social e educacional deste grupo no Brasil (BRASIL, 1996, 2000, 2002, 2003, 2004, 2008, 2011, 2015). Este marco político é, hoje, reconhecido mundialmente. Contudo, os resultados de estudos e ‘a vida real’ de pessoas com deficiência indicam que a violação dos direitos deste grupo social se mantém praticamente inalterado. Exatamente, por isso, ações que promovam rupturas com a concepção médica, biológica e incapacitante da pessoa com deficiência são urgentes e cruciais no atual panorama brasileiro.

Com o impacto da política de inclusão no Brasil houve a significativa expansão no número de pesquisadores e pesquisadoras interessados/as em investigar temas relevantes nas várias esferas da vida da pessoa com deficiência. No campo da educação, cabe destacar a Rede Nacional de Pesquisadores que faz parte do Observatório da Educação Especial – 2010-2014, financiado pela CAPES (www.oneesp.ufscar.com.br). A recente Coleção do ONEESP traz o histórico, dados sobre implementação e política de Salas de Recursos Multifuncionais nas escolas regulares em todas as regiões do país e análises dos/as pesquisadores/as sobre a prática da política de inclusão na realidade nacional.

Sem dúvida, houve progressos na área, mas não foram e não são suficientes para promover rupturas conceituais, metodológicas e culturais importantes para o grupo de pessoas com deficiência. Os resquícios da perspectiva médica da deficiência influenciaram os campos da educação especial e, agora, da educação inclusiva que permanecem um lugar de produção ilhado e disciplinar. Em outras palavras, assim como ocorreu a segregação das pessoas com deficiência nos espaços da vida comum, há a segregação da produção de conhecimento deste grupo que se mantém distante daquilo que é discutido nos outros campos de conhecimento e no próprio <<grande>> campo da educação, por causa da conseguente separação da educação das pessoas com deficiência por essa ser considerada <<especial>>, <<inclusiva>> e <<especializada>>.

Ainda com pouca visibilidade, pesquisadoras e pesquisadores com e sem deficiência do campo dos Estudos sobre a Deficiência têm chamado atenção as novas maneiras interdisciplinares de se pensar a "experiência da deficiência" pelo prisma dos Estudos Feministas, dos Estudos Culturais, da Sociologia, entre outros.
  
Os Estudos sobre a Deficiência, apesar de iniciados na segunda metade do século passado, ainda são poucos conhecidos e disseminados no Brasil, país com dimensões continentais que, como consequência, dificulta a identificação de iniciativas acadêmicas ou institucionais relativas à pessoa com deficiência. Somente em Junho de 2013 foi realizado o “I Simpósio Internacional de Estudos sobre a Deficiência: Conflitos, Direitos e Diversidade”, promovido pela Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Estado de São Paulo. Ou seja, é indiscutível e urgente a necessidade de pesquisar, analisar e caracterizar a história dos Estudos sobre Deficiência no Brasil:

Os chamados Disability Studies consistem num campo de estudos interdisciplinar que ganhou projeção mundial, tendo origem no contexto anglo-saxão, em meados da década de 1960. A proposta principal desse movimento intelectual, que mais tarde, acabou compondo os discursos dos movimentos ligados aos direitos das pessoas com deficiência, é a de que a deficiência não é simplesmente uma tragédia individual cuja “solução” estaria reservada aos quartos dos hospitais e centros de reabilitação. 
Ela é muito mais do que isso, portando dimensões essencialmente sociais e políticasNessa perspectiva, as inciativas nesse campo visam gerar debates públicos que desconstroem preconceitos e retiram da deficiência a noção de ‘doença’, ‘degeneração’ e ‘desvio’ e a situam na perspectiva de uma condição da diversidade humana – como mulheres, negros, gays, indígenas e outras minorias – sem, no entanto, criar rótulos e identidades férreas. 
(citação disponível em: 


O ativismo das pessoas com deficiência e simpatizantes, vinculado ao movimento dos Estudos sobre a Deficiência, portanto, representa a denúncia e a contestação contra a estrutura social incapacitante e a consequente opressão e violação dos seus direitos (MARTINS et. Al, 2012). 

Nós, pessoas sem deficiência, simpatizantes, acadêmicos, pesquisadores/as e outros, precisamos sair do lugar comum de percepção da deficiência como única identidade da pessoa com deficiência. Precisamos nos esforçar para desconstruir a ideia de mera adaptação da pessoa com deficiência aos múltiplos ambientes e às relações humanas, que ainda são incompatíveis com suas identidades, diferenças e demandas. As políticas públicas, as ações coletivas conscientes sobre os direitos das pessoas com deficiência e o protagonismo deste grupo são poderosos instrumentos de mudança social e, nós devemos contribuir para tais mudanças. 

Agora é a vez das pessoas sem deficiência respeitarem o protagonismo de pessoas com deficiência e o lema 
"Nada sobre Nós sem Nós"

Para mais informações sobre os Estudos sobre a Deficiência acesse: 

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

CLASSAPP - Aplicativo livre que liga Família-Escola


Windyz Brazão Ferreira
29/02/2016

A entrevista da CBN, na série Educação na Ponta dos Dedos conduzida por Petria Chaves, trata de um aplicativo novo: o CLassApp, criado em 2014. Segundo seus criadores, o ClassApp  é relevante para as mães e os pais porque ´traz a sala de aula para dentro dos seus celulares´ e  el@s podem acompanhar qualquer coisa relativa a seu filho ou filha na escola. Assim, fica mais fácil participar da vida escolar, receber informações, dar opinião  e participar de tomadas de decisão. 

Por isso, este aplicativo pode, como sugere brilhantemente a Marta Gil (http://www.amankay.org.br/home/index.php no Fórum da Inclusão (29/02/2016), e deve(!) - ser usado para lincar a escola à família dos estudantes com deficiência Com certeza, ambos serão beneficiados: a comunidade escolar, as famílas e @ estudante com deficiência porque a comunicação ágil, em tempo real, favorece a busca de soluções para qualquer barreira educacional de forma participativa para os pais e as mães. Como o aplicativo é configurável, a escola pode envolver toda a comunidade escolar na comunicação e diferentes membros da família e vice-versa.

O aplicativo também é relevante para a Relação Família->Escola porque a escola pode receber informações sistemáticas sobre a criança com deficiência, as quais podem alimentar, por exemplo. as professoras, as coordenadoras, as professoras das salas de recursos multifuncionais. 

O aplicativo é ´free´, ou seja,  tem acesso livre
https://play.google.com/store/apps/details?id=br.com.classapp.ClassApp

Eu já abaixei e vou testar com minha turma da universidade primeiro para depois envolver as famílias de estudantes com deficiência do Projeto Pró-Mães: empoderamento de mães de pessoas com deficiência. Logo tratarei sobre o Pró-Mães no Blog.

Assista ao vídeo sobre o Classapp no YOUTUBE:


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

O incrível papel das mães de pessoas com deficiência ...

Com frequência, o nascimento de uma criança com deficiência gera estresse, medo, dúvida sobre o futuro da criança e pressões/tensões no âmbito familiar. Infelizmente, os dados indicam que, também com frequência, os pais abandonam suas esposas ou parceiras quando seu filho ou filha com deficiência nasce. 

Embora, o Brasil esteja imerso nos últimos 15 anos em orientações políticas voltadas à inclusão social e educacional de PcD, a relevância do papel materno e social de mulheres-mães na vida de seus/suas filhas/os com deficiência ainda não é objeto de estudos: as pesquisas sobre o tema são escassas e insuficientes para contribuir com mudanças significativas para combater a vulnerabilidade que se instala na vida dessas mães como consequência da relação de gênero, sobreposição do papel materno, crise de identidade e desempoderamento para apoiar o/a filho/a com deficiência.

A animação a seguir já foi vista por muitas pessoas que, certamente, ficam sensibilizadas com a experiência de um menino ao ganhar de presente um cachorrinho... com deficiência física. MAS, certamente também, poucos vão perceber a relevância da atuação da mãe para retirar seu filho do isolamento e da solidão representada pelo seu envolvimento com o ´game´; 

Agora clique no link abaixo e assista ao vídeo. Aproveite para refletir sobre a importância, sensibilidade, inteligência e amor desta mãe...


Windyz Ferreira
25/02/2016

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Relatório Educação para Todos no Brasil - 2000-2105


Em 2000, 164 países reunidos em Dakar assumiram o compromisso de perseguir seis metas de Educação para Todos até 2015. Tais metas estão relacionadas ao cuidado e à Educação Infantil; ao Ensino Fundamental universal; ao desenvolvimento de habilidades de jovens e adultos; à alfabetização de adultos; à paridade e à igualdade de gênero; e à qualidade da educação.

Aproximando-se do prazo para atingir essas metas, a UNESCO solicitou aos países que produzissem um relatório nacional para apresentar o que se alcançou no período (resultados) e como se alcançou (estratégias), bem como os desafios apresentados para o período pós-2015. 

O relatório do Brasil ora apresentado consiste em um balanço dos avanços obtidos ao longo dos últimos 15 anos em relação a cada uma das seis metas de Educação para Todos. O documento permite avaliar o caminho seguido pelo país desde 2000, as políticas e os programas implementados e seus principais resultados. Tal relatório servirá de subsídio para a elaboração do relatório da América Latina e os relatórios das diversas regiões do mundo contribuirão para uma avaliação da situação do conjunto de países que participam desse compromisso.

BRASIL. Relatório Educação para Todos no Brasil, 2000-2105. Ministério da Educação. – Brasília : MEC, 2014. 105 p. (ISBN: 978-85-60331-53-6) Disponível: http://unesdoc.unesco.org/images/0023/002326/232699por.pdf  Acesso: 23Fev2016.

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O que este relatório nos diz sobre as políticas e desenvolvimentos da educação brasileira para as pessoas com deficiência?!

O Relatório do Ministério da Educação, com a cooperação da UNESCO, é extremamente relevante para os profissionais da área de educação (gestoras/as, professoras/es e equipe técnica das escolas públicas) em geral porque apresenta o panorama da educação brasileira com dados sobre o seu desenvolvimentos n últimos 15 anos.

Todavia, o que ele mostra não é animador para as/os profissionais que atuam na área de educação e direitos da pessoa com deficiência, seus familiares e as próprias crianças, jovens e adultos com deficiência, como veremos a seguir, uma vez que apenas na pagina 89 há uma referência à esta população, quando o documento trata do (5.3.17.) Programa de Implantação de Salas de Recursos Multifuncionais, cujo texto está copiado a seguir:  



5.3.17. Programa de Implantação de Salas de Recursos Multifuncionais 

Como medida de apoio à inclusão escolar, o Programa de Implantação de Salas de Recursos Multifuncionais foi instituído no âmbito da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (BRASIL. MEC, 2008), por meio do Decreto nº 7.611/2011, com o objetivo de apoiar a organização e a oferta do atendimento educacional especializado para estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação, matriculados no ensino regular. De acordo com as Diretrizes Operacionais para o Atendimento Educacional Especializado, Resolução CNE/CB nº 4/2009, esse atendimento tem função complementar ou suplementar à formação dos estudantes por meio da disponibilização de serviços, recursos de acessibilidade e estratégias que eliminem as barreiras para sua plena participação na sociedade e desenvolvimento de sua aprendizagem. 

Para atender a essa finalidade, foram implantadas 42 mil salas de recursos multifuncionais com equipamentos, mobiliários, materiais pedagógicos e recursos de acessibilidade, para, assim, contemplar a oferta do atendimento educacional especializado em 49% das escolas públicas de ensino regular com matrícula de estudantes (vide abaixo que este dado está errado!!!) que se enquadram no público-alvo da Educação Especial, localizadas em 93% dos municípios brasileiros.  Para essas escolas foram ofertados cursos de formação continuada para professores que atuam no atendimento educacional especializado, além de apoio financeiro para a garantia da acessibilidade arquitetônica nos prédios escolares e a aquisição de tecnologia assistiva. As estratégias, políticas e programas aqui apresentadas certamente não esgotam o leque de ações que o Brasil tem desenvolvido para alcançar os objetivos de EPT. Expressam, todavia, o caminho percorrido pelo país, que tem empreendido esforços consideráveis no sentido de ampliar o acesso e melhorar a qualidade de seu sistema educativo, aí incluindo as metas estabelecidas em Dakar. 
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Esses dados oficiais contidos neste importante relatório indubitavelmente explicitam o que está acontecendo na realidade educacional brasileira para as pessoas com deficiência: RETROCESSO E VIOLAÇÃO DE SEUS DIREITOS À EDUCAÇÃO NA ESCOLA REGULAR OU PRIVADA!!! Na mesma linha e confirmando a retração da política de inclusão de pessoas com deficiência na rede de ensino brasileira, o documento Censo Escolar da Educação Básica 2013 - Resumo Técnico (INEP, 2014 - http://download.inep.gov.br/educacao_basica/censo_escolar/resumos_tecnicos/resumo_tecnico_censo_educacao_basica_2013.pdf) nem sequer menciona esta população na apresentação da Visão Geral dos Resultados com relação às Matrículas, conforme quadro abaixo. E. a razão pela qual não se aborda as matrículas de pessoas com deficiência na rede é porque o aumento é insignificante - 2,8%, percentual que estatisticamente representa zero!!! Veja no doc. os gráficos que bem mostram essa realidade: entre 2007 e 2010 há um aumento significativo, o qual começa a decair a partir deste ano .
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Visão Geral dos Resultados com relação às matrículas

Os dados do Censo Escolar 2013 reforçam a tendência de adequação na distribuição das matrículas da educação básica, por modalidades e etapas de ensino, que vem sendo observada desde 2007, refletindo o amadurecimento das ações e políticas públicas implementadas nos últimos anos. O decréscimo observado no quantitativo de matrículas da educação básica (Tabela 5), no valor de 1% e equivalente a 502.602 matrículas, decorre, principalmente, da acomodação do sistema educacional, em especial na modalidade regular do ensino fundamental, com histórico de retenção e, consequentemente, altos índices de distorção idade-série. Além disso, as matrículas na educação de jovens e adultos (EJA) mantiveram a tendência dos últimos anos e apresentaram queda de 3,4%, representando menos 134 mil matrículas no período 2012-2013.


Ao mesmo tempo, vale destacar a ampliação da oferta da educação infantil, em especial na creche, voltada para o atendimento das crianças com até 3 anos de idade, que apresentou crescimento da ordem de 7,5%. Por outro lado, a reorganização da pré- escola, que atende crianças de 4 e 5 anos, teve, com a implantação do ensino fundamental de 9 anos, parte do seu público-alvo transferido para o 1º ano do ensino fundamental, o qual passou a receber as crianças com 6 anos de idade. Em 2013, registra-se, ainda, que o contingente de alunos no 1º ano do ensino fundamental de 9 anos de duração já se aproxima do tamanho da coorte de 6 anos. Outro destaque percebido no Censo Escolar 2013 foi a confirmação da trajetória de expansão da matrícula na educação profissional,1 que em 2007 era de 780.162 e atingiu, em 2013, 1.441.051 matrículas – crescimento de 84,1% no período (Tabela 14). Esse comportamento está em sintonia com as políticas e ações do Ministério da Educação, no sentido do fomento ao fortalecimento, à expansão e à melhoria da qualidade da educação profissional no País. A análise do comportamento da matrícula não pode prescindir da comparação entre o contingente atendido pelo sistema educacional e o tamanho das respectivas coortes consideradas adequadas a cada etapa de escolarização.


Com a ampliação do ensino fundamental para 9 anos, parte da população de 6 anos, que antes era atendida na educação infantil, passou a ser matriculada no ano inicial desse ensino de 9 anos, o que explica a estabilidade da matrícula na pré-escola. Outro aspecto que tem impacto na distribuição e no contingente de alunos na educação básica é o comportamento dos indicadores de rendimento escolar. Com mais alunos sendo aprovados e promovidos às séries subsequentes, aumenta o número de habilitados a ingressar nas próximas etapas de escolarização. Os especialistas chamam esse movimento de fluxo escolar.


Historicamente, o sistema educacional brasileiro foi pouco eficiente em sua capacidade de produzir aprovados e, consequentemente, concluintes na idade correta. No entanto, a tendência atual mostra aumento no número de alunos que conseguem ultrapassar os anos iniciais do ensino fundamental. Daí a queda na matrícula e a ampliação da demanda para os anos finais dessa etapa de ensino. Entretanto, para os anos finais, como a intensidade dessa dinâmica ainda não é a mesma observada nos anos iniciais, o aumento no número de concluintes do ensino fundamental se mostra discreto. Essa movimentação está levando a matrícula do ensino fundamental ao patamar equivalente ao da população na faixa etária de 6 a 14 anos que, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2012, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), corresponde a 28.919.910 crianças. Atualmente, essa matrícula é apenas 0,5% superior à população na faixa etária adequada a essa etapa de ensino. Este é um percentual bem menor que os 2% observados em 2002, considerando, naquela época, a população de 7 a 14 anos para um ensino fundamental de 8 séries. Este fato reflete um aumento do número de alunos com idade adequada para a série no ensino fundamental (Gráficos 1 e 2).
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Não há mais investimento por parte do governo federal (e, seguindo esta orientação, não há mais investimento por parte dos governos estaduais e municipais) na política de inclusão das pessoas com deficiências nas redes de ensino brasileira. 

Segundo o texto acima, foram implantadas 42.000 salas de recursos multifuncionais-SRM em 93% dos municípios brasileiros. Se considerado este percentual de municípios com SRM distribuídas equitativamente entre todos os 5.570 municípios existentes, isto representaria 8 escolas com SRM em 5.180 municípios, totalmente equipada... Todavia, os estudos do Observatório da Educação Especial-ONEESP (vide: http://www.oneesp.ufscar.br/publicacao-do-oneesp) constituído por uma ampla rede de pesquisadores de universidades brasileiras de 16 estados, revelam que estes dados não refletem a realidade das escolas que têm SRM. 

Segundo o CENSO Escolar da Educação Básica - 2013 (9-Infraestrutura, p. 33) existem 190.629  escolas no país, das quais, segundo o mesmo documento, 42 mil possuem SRM para a oferta do atendimento educacional especializado-AEE, ou seja, isto representa apenas 22.03% (e não 49% como citado acima!)  das escolas possuem estas salas.      

Quando eu trabalhei no MEC (junho 2005- janeiro 2007), coordenando o Projeto Educar na Diversidade, a Secretaria de Educação Especial em 2005 tinha uma verba de 30 milhões de reais para a Educação Especial. Em 2006, esse valor subiu para 36 milhões de reais (o que parece muito mas não é se considerado o número de programas e projetos que foram implantados naquela época, entre os quais, Programa Educação Inclusiva: direito á diversidade; Projeto Educar na Diversidade- formação de professores; Interiorizando LIBRAS; Interiorizando BRAILLE; Programa NAHAS - Nucleo de Altas Habilidades e Superdotação, entre outros). Além disso, havia verba para inúmeras publicações, conforme pode ser acessado no site (vide: http://portal.mec.gov.br/secretaria-de-educacao-continuada-alfabetizacao-diversidade-e-inclusao/publicacoes?id=17009) da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão-SECADI do MEC, na qual a SEESP foi integrada e seus programas e projetos pulverizados!!!  

Enfim, sem recursos não há política que se consolide e o momento atual é de retrocesso e não expansão da inclusão de pessoas com deficiências nas escolas brasileiras!  É inegável que existam algumas experiências de sucesso, mas elas não refletem a realidade do país! E, precisamos ter cuidado para não generalizar (de forma ingênua) estas experiências exitosas porque a realidade mostra que hoje (infelizmente!) as escolas voltaram a recusar matriculas sob várias alegações, entre as quais uma comum é: já temos o número estabelecido pela lei de alunos/as com deficiência por turma.

Por mais que o governo federal use a retórica da inclusão e alguns (ainda!) ingênuos insistem em acreditar que a política de inclusão continua no país a todo vapor, os dados acima não mentem... 

Na minha opinião, considerando-se as especificidades das questões que perpassam a vida, a escolarização e a preparação para a inserção social e profissional das PcD no Brasil - país de dimensão territorial com uma das maiores desigualdades sociais no mundo - devemos urgentemente repensar os reais benefícios do fechamento da SEESP. Penso que agora é hora de nos unirmos - sem lados e disputas - para lutar por verbas compatíveis com o marco político-legal brasileiro que deveriam ser assegurados para dar continuidade à efetivação da política de inclusão das PcD, seja em qual escola for... 

Por mais que a educação especial segregada, (supostamente) especializada não seja a solução para a educação das pessoas com deficiência, com a publicação da Política de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008) e a institucionalização oficial federal das salas de atendimento educacional especializado-AEE nas escolas públicas brasileiras, também foi institucionalizado no país a categoria profissional das/os professoras/es ´especializadas´ (sabemos que a maioria não é...) da Educação Especial, grupo de profissionais que agora está sozinho, atendendo todo tipo de estudantes com deficiências diversas e sem apoio algum ou perspectivas futuras de desenvolvimento profissional porque não há verbas para formação continuada. Precisamos também - urgentemente - refletir sobre isso...

Windyz Brazão Ferreira
24/02/2016   



sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

´PROJETO ZERO´, por uma sociedade mais inclusiva no mundo...


´ZERO PROJECT´* ou Projeto Zero ( http://zeroproject.org/ )

A busca por caminhos para uma sociedade mais inclusiva é uma preocupação global.

A missão do projeto Zero é trabalhar por um mundo com barreiras zero!
Mundialmente o Projeto Zero identifica e compartilha modelos que melhoram a vida diaria e os direitos legais de todas as pessoas com deficiência.


Enquanto parte dessa construção coletiva, o Instituto Rodrigo Mendes - IRM participa das grandes discussões ao lado de pesquisadores e organismos de direitos humanos e igualdade de todo o mundo. Nas últimas semanas, o IRM esteve presente em eventos na Áustria e Estados Unidos para debater a inclusão: dois momentos que permitiram ao instituto consolidar-se enquanto fonte de referência na área e compreender o atual contexto internacional da educação *inclusiva.

Um mundo sem barreiras. 
Foi com esse tema que aconteceu, em Viena, a Zero Project 2016. Realizada desde 2009, a Conferência reúne centenas de especialistas para apresentar e debater soluções inovadoras que melhorem a vida de pessoas com deficiência. A cada ano, a rede de pesquisadores do projeto concentra suas investigações em temas específicos da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU. Até agora, já foram discutidos mercado de trabalho, acessibilidade, vida autônoma e participação política.

Neste ano, a Zero Project reconheceu quase 100 práticas e políticas públicas em educação inclusiva de mais de 70 países. Por meio de seu superintendente Rodrigo Hübner Mendes, o instituto esteve presente nas discussões da Conferência, entre 10 e 12 de fevereiro, como parte do júri. “A oportunidade permitiu contato com as principais instituições do mundo que atuam na área, abrindo perspectivas de impactos internacionais para o IRM”, avalia.

Educação inclusiva e arte
O IRM também levou o tema da inclusão para um dos maiores e mais importantes museus do mundo, o The Metropolitan Museum of Art, de Nova Iorque. No fim de janeiro, Rodrigo falou à equipe de arte educadores do local sobre o atual cenário da educação inclusiva e suas relações com a arte contemporânea. Além disso, em sua palestra, ele abordou princípios de equidade e diversidade humana e apresentou ao público o site em inglês do DIVERSA. Desde 2010, IRM e Metropolitan mantêm relações próximas para a discussão de temas relacionados à inclusão.
Celebramos essas conquistas com um agradecimento especial à TAM, parceira que tem colaborado para que o Instituto Rodrigo Mendes alce novos vôos na internacionalização de suas ações.
Informação veiculada no Fórum de Educação Inclusiva por Liliane Garcez em 18/02/2016. 
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* Financiado pela Fundação Austríaca ESSL


sábado, 26 de dezembro de 2015

Teoria Crip: Roberto McRuer mescla os estudos Queer com os da deficiência e se atreve a pensar em outro mundo possível

Teoria Crip                                      
[Original por Marcela V. O.]

Tradução Jackeline Susann S. Silva.



Assim como a masculinidade hegemônica e a heterossexualidade, a funcionalidade completa do corpo é uma não-identidade. Esta se forma da norma pela qual não se pode identificar como uma posição específica. Se forma de um ponto de partida ‘natural’ e por um dado feito, desde o qual se formam as outras identidades, e por isso de alguma maneira não chama atenção. O que chama a atenção é o que é uma posição de identidade destacada, é a ‘anormal’, a diferente. 

Assim, nascem os temas sobre a homossexualidade, a deficiência e sobre a mulher. 
O divergente se problematiza e se politiza, em vez de se questionar a norma que cria estes ‘problemas’. A Teoria Crip (Crip Theory) se centra em como se cria a perfeição do corpo e desveste a sua naturalidade. O ponto de partida é uma análise do binário capacitado/discapacidado (abled/disabled), presumindo que este é não-natural e hierárquico.
McRuer chama de “Critical Disability” a posição de qual é possível questionar a ideia completa de capacidade física e a descreve como uma discapacitação consciente, que não é o mesmo que uma discapacidade; sendo uma identidade, um posicionamento político, que a sociedade pode se questionar. Enquanto que a discapacidade se trata de uma exclusão imposta e não desejada, a discapacitação é uma identificação consciente com a exclusão, um lugar desde qual a normalidade se pode criticar. Esta discapacitação consciente (critica), cuja a trajetória pode traçar-se nos movimentos de libertação dos anos ’60 e 70’, desestabiliza a identidade de capacitado (como uma completa capacidade física).

Segundo a Teoria Crip, a ‘critical disability’ produz uma crise de identidade na norma, através de qual a sociedade aprende a tolerar o divergente até um certo ponto. A identidade normatividade se faz flexível. A identidade flexível é uma ‘vitima’ necessária para manter a dicotomia divergente/capacitado-capacidade reduzida. O aumento da tolerância tem como tarefa manter a posição normativa intacta, garantir a futura existência da norma. Se trata de uma tolerância que sempre exige o submetimento dos divergentes.
Ao que se refere a criação de identidades, a Teoria Crip, utiliza o conceito de ‘performatividade’ de Judith Butler. As identidades dos capacitados se criam quando estes tratam de parecer-se o ideal de indivíduo capacitado fisicamente (‘perfeito’). A sociedade se converte em uma cena onde os cidadãos atuam com suas identidades normativas e normatizadoras. A identidade normativa flexível se converte, por vezes, em ‘performatividade’.

Outro sentido, é a análise crítica da completa capacidade física que oferece a Teoria Crip, é mais difícil que a análise sobre a heterossexualidade e masculinidade hegemônica. Estas duas são secundárias com respeito a capacidade física. Estar em uma situação onde a perfeição física arrisca-se ser questionada, tem como consequência que tanto o sexo como a sexualidade não se podem identificar (uma crítica comum aos estúdios sobre handicap, é que tanto a análise como a teoria veem as pessoas como sem sexo e assexuais).

Outra coisa, é que não é possível falar ‘dos deficientes’. McRuer afirma que ‘crip’ se posiciona em relação a ‘deterioração’ e ‘deficiência’, como ‘queer’ se posiciona em relação a ‘lesbiana’ ou ‘gay’, quer dizer olha com ceticismo diante das categorias institucionalizadas (com claros limites traçados entre elas).

Se a distinção entre capacidade reduzida/discapacidade e capacidade completa não se pode alcançar, é possível para o sujeito e as identidades ir mais além do limite e não desejar-se posicionar como perfeito ou imperfeito. Isto é possível, segundo McRuer, através da impossibilidade de alcançar a perfeita capacidade física; em relação a esta todos de alguma maneira somos submissos. Isto da possibilidade de uma posição relativamente geral que sobretudo os ‘normais’ tolerantes destacam, quer dizer, que “todos somos discapacitados de alguma maneira”, o que implica que todos estamos na mesma situação. Para McRuer, esta ideia é desafiante, já que rompe com a barreira nós-eles, mas também pode ser bastante favorável para os neoliberais, já que é possível reduzir as obrigações.

A categorização das pessoas com deficiências é necessária para manter a discriminação que cria a discapacidade [deficiência]. Capacidade reduzida-discapacitação, são duas caras da mesma moeda, esta é uma das ideias básicas da Crip Theory. Uma é a condição para que exista a outra. A categorização é uma ferramenta para criar e manter a exclusão. A Teoria Crip marca a posição/identidade como um possível ponto de partida para questionar a normalidade.

Embora as pessoas com capacidade reduzida compartilhem da exclusão, a identidade consciente está longe de ser consequência disso. Por isso é mais relevante falar em uma capacidade reduzida/discapacidade como duas caras da mesma moeda. A deficiência, os impedimentos para a participação e a igualdade que criam a exclusão podem levar a uma discapacitação consciente. Também pode levar a que o indivíduo acomode suas expectativas e internalize a opressão. Uma discapacitação consciente significa que o indivíduo ‘sai’ com sua nova identidade política.

Crip é uma posição contra do ableismo (discriminação das pessoas com deficiência em favor das pessoas que não são) mas, não é necessariamente uma ideia homogênea sobre a capacidade reduzida/discapacidade como identidade. Portanto, ser Crip é identifica-lo e impor resistência contra o atavismo, assim como ser feminista é se posicionar contra a ordem do poder. Não é necessário ter uma deficiência para ter uma posição Crip, da mesma maneira que não é necessário ser mulher para tomar uma posição feminista. Portanto, crip como posição tem o potencial de ser inclusivo. Ainda que exista o risco de que os capacitados usurpem o ‘crip’ e esvaziem seu potencial radical, diz McRuer.

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Referências

McRuer, Robert : Crip Theory: Cultural Signs of Queerness and Disability. New York University Press, 2006.

Berg, Susanne & Grönvik, Lars: Crip Theory – en preliminär positionering. 2007 


terça-feira, 1 de dezembro de 2015

CAMPANHA PELO FIM DOS PRIVILÉGIOS DO DEFICIENTE



Ação do Conselho dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Curitiba procurou expor casos
de desrespeito...

Desfeito o mistério em torno da campanha que pedia o fim de privilégios para deficientes,
assinada por um "Movimento pela Reforma dos Direitos". Foi um movimento promovido
na segunda-feira pelo Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Curitiba,
alusivo ao Dia Internacional das Pessoas Com Deficiência, que será celebrado no próximo dia 3
de dezembro, quinta-feira. Conforme Mirella Prosdoscimo, Presidente do Conselho, o choque
que as pessoas sentiram e manifestaram nas redes sociais é um alívio aos deficientes:


— Colocamos esta campanha no ar e conseguimos chamar a atenção de
milhões de pessoas. O absurdo que as pessoas viram na internet durou só um dia.
Mas as pessoas com deficiência enfrentam este desrespeito todos os dias.
O objetivo foi conscientizar a população dos desafios pelos quais passam os
deficientes, e estimular as pessoas a denunciar casos de desrespeito.


— Que as pessoas que vejam algum caso de desrespeito com o deficiente
não se calem: denunciem, não se revoltem só nas redes sociais - disse Mirella.
Conforme o Conselho, são 24% da população brasileira com algum tipo de
deficiência. Mirella afirma, que estas pessoas não têm privilégios, e sim direitos!!!

Acesse ao vídeo que pode ser acessado abaixo:
https://www.youtube.com/watch?v=CUIL9CvhvZA


quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Novo símbolo de Acessibilidade é anunciado pela ONU

























    • O novo símbolo da acessibilidade foi desenhado pela Unidade de Desenho Gráfico do Departamento de Informação Pública das Nações Unidas, em Nova York, a pedido da Divisão de Reuniões e Publicações do Departamento de Assembleia Geral e Gestão de Conferências das Nações Unidas, e será daqui em diante referido como o “logotipo acessibilidade”.

      O alcance global deste logotipo é transmitido por um círculo, com a figura simétrica conectado para representar uma harmonia entre os seres humanos em sociedade. Esta figura humana universal com os braços abertos simboliza inclusão para as pessoas de todos os níveis, em todos os lugares.

      O logotipo de acessibilidade foi criado para uso em produtos de informação pública impressos e eletrônicos para aumentar a conscientização sobre as questões relacionadas à deficiência, e pode ser usado para simbolizar produtos, lugares e tudo o que é ‘amigável às pessoas com deficiência’ ou acessível.

      O logotipo de acessibilidade foi criado para representar a acessibilidade para pessoas com deficiência. Isso inclui a acessibilidade à informação, serviços, tecnologias de comunicação, bem como o acesso físico.

      O logotipo simboliza a esperança e a igualdade de acesso para todos. Ele foi revisto e selecionados pelos Grupos Focais sobre Acessibilidade, trabalhando com a Força-Tarefa Internacional sobre acessibilidade no Secretariado das Nações Unidas. O grupo é composto por organizações da sociedade civil eminentes, incluindo as organizações das pessoas com deficiência, tais como pessoas com mobilidade reduzida Internacional do Povo, o Disability Alliance International, Rehabilitation International, Leonard Cheshire Internacional e Human Rights Watch, entre outros.

      O logotipo de acessibilidade é neutro e imparcial. A utilização do logotipo não implica o endosso pela Organização das Nações Unidas ou do Secretariado das Nações Unidas.

      Fonte: http://www.un.org/webaccessibility/logo.shtml e http://www.inclusive.org.br/?p=28238

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      Fonte: 
      http://www.pessoacomdeficiencia.sp.gov.br/ultimas-noticias/novo-simbolo-de-acessibilidade-e-anunciado-pela-onu   Acesso: 26/11/2015 

      segunda-feira, 2 de novembro de 2015

      CEPAL (ONU) lança material sobre desenvolvimento social inclusivo na América Latina


      A Comissão Econômica para América Latina (CEPAL) divulga nesta segunda-feira um material que aborda o desenvolvimento social inclusivo na América Latina e Caribe. O material está em Língua Espanhola com o título 


      Desarollo Social Inclusivo una Nueva Geración de Políticas para Superar la Pobreza y Reducir en la América Latina y el Caribe

      "O progresso na superação das diversas formas de exclusão que estão na raiz da desigualdade, característica das sociedades da América Latina e do Caribe injeta um senso de pertencimento e justiça distributiva para os cidadãos(ãs), e confiança no futuro, na democracia e nas instituições (...). Neste trabalho a análise da CEPAL é sobre as questões que estão em discussão; procurando estimular o debate, troca de experiências e reflexão conjunta sobre os desafios que os países da região enfrentam hoje para avançar e fortalecer os processos de desenvolvimento social inclusivo". 
       (Alicia Bárcena)

      Acesse na integra através do link: 


      Descrição: a foto acima contém a capa do material com o título e subtítulo na cor branca. A ilustração é feita em rabiscos abstratos que têm forma de montanha com três bolas na parte superior - é possível interpretar esse desenho como sendo três pessoas. A cor da capa é laranja com partes desbotadas.