sexta-feira, 29 de abril de 2016

Conheça a História de Carly Fleischmann: diagnosticada com "autismo severo" hoje ela compartilha sua visão de mundo nas redes sociais

Já apresentamos neste Blog histórias de pessoas com diagnosticadas com Autismo. Dentre as histórias narradas, chama atenção o caso de Carly Fleischmann, uma jovem canadense, que desde muito cedo teve que enfrentar os conflitos de viver em uma sociedade que não compreende seu modo de ser e estar no mundo.

Conheça um pouco da história de Carly acessando ao vídeo abaixo:



Carly tem uma irmã gêmea e isso de certa forma foi um dos 'motivos' para comparar o seu desenvolvimento cognitivo e social a um possível padrão normal. Desde os dois anos de idade, diferentemente da sua irmã, ela foi diagnosticada com "autismo severo". O diagnóstico foi reforçado pelo seu comportamento, por estar sempre alheia ao mundo, não falar, não interagir com os familiares, profissionais e pessoas próximas e por, muitas vezes, se espancar e meter a cabeça contra a parede. 

Desde a infância seus país submetia Carly a intensos tratamentos de reabilitação e educação especial, na expectativa de verem alguma melhora em seu caso tão grave. Mas, poucos foram os resultados...

Até que, aproximadamente aos 11 de idade, Carly surpreendeu a família ao escrever a palavra DOR, seguida de SOCORRO em um computador e logo após, vomitar. Seus pais ficaram incrédulos, sem saber como ela sabia ler e escrever, se até então, nunca tinha demonstrado nenhuma dessas habilidades.

Carly Hoje 

Após vários estímulos da família e profissionais para Carly usar o computador, hoje esta é uma das suas principais ferramentas de interação. Ela usa uma conta no Twitter e outra no Facebook para descrever sobre sua perspectiva o que é viver com o autismo. 

Carly é incisiva e segura quando questiona as pessoas que tentam conceituar o autismo de maneira errônea, limitada e irrealista. Em 2011, ela lançou uma biografia intitulada "Carly's Voice".
O Que aprendemos com Carly?

Sem dúvidas uma das lições de vida da história de Carly Fleischmann é que não podemos rotular uma pessoa por causa de um diagnóstico. O rótulo é uma narrativa que tenta encaixar a pessoa a padrões de comportamento pré-definidos. Na lógica da rotulação, as pessoas tenderiam a ter maneiras iguais de se comportar, de aprender, de comunicar. Aquelas pessoas que fogem do padrão são consideradas desviantes/problemáticas/doentes, devendo, portanto, sofrer intervenções para atingir o estado de 'normalidade'. 

Contrariando esta visão, a história de Carly mostra que cada ser humano é singular. Ela mesma é um exemplo disto, mesmo com uma irmã gêmea, tem uma maneira própria de estar no mundo. Não por causa do autismo, mas porque como cada um de nós ela é uma outra pessoa, com outras expectativas, com outra maneira de pensar e de expressar suas preferências e inquietações.

A deficiência é uma experiência, não somente uma marca no corpo ou mente. É uma experiência particular, vivenciada por diferentes pessoas. Neste caso, como destaca a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (ONU, 2006) a PESSOA é que deve ser reconhecia e ter visibilidade maior do que sua deficiência. Quando a pessoa é vista, a deficiência é percebida como mais uma característica da sua identidade como o gênero, a classe social, a etnia. Quando a pessoa é percebida mais que sua deficiência, ela pode narrar como é para ela a experiência particular de vivência com a deficiência (qual o tipo de acessibilidade é mais conveniente; qual grupo social ela se sente representada; quais barreiras são mais urgentes, etc.).

Carly tem autismo e aprendeu sozinha a usar o computador. Uma outra criança ou jovem com autismo não necessariamente necessita usar esse recurso para comunicar-se, mas qualquer outro que ela se sinta contemplada.

Fica a mensagem: limpar a lente pela qual percebemos o mundo, é o primeiro passo para conhecermos as pessoas como elas são verdadeiramente.



terça-feira, 26 de abril de 2016

GUIA DO UNICEF - INCLUIR BRINCANDO

Quando se fala de inclusão escolar, pouco ou nada se fala de brincar... Isso é estranho porque a aprendizagem, como sabemos, deve ser participativa e interessante. Deve despertar a curiosidade e envolver os estudantes, ou seja, deve dar prazer... Estou aqui pensando que talvez tenhamos perdido a dimensão lúdica do aprender quando se trata de inclusão de pessoas com deficiência, tão concentrados estamos em apontar os problemas, as barreiras, o que falta, o que não funciona... Esquecemos neste processo a mais simples e incrível dimensão do aprender que é a alegria do aprender apenas...

Por isso, resolvi compartilhar aqui no BLOG, sem demora, este Manual Incrível do UNICEF que tem como título INCLUIR BRINCANDO.  

“O Projeto INCLUIR BRINCANDO é uma iniciativa da VILA SÉSAMO e do FUNDO DAS NAÇÕES UNIDADES PARA A INFÂNCIA – UNICEF, que busca contribuir para a garantia do direito de brincar a todas as crianças, respeitando os ritmos e a individualidade de cada uma.

Nosso sonho é um brincar inclusivo, que promova a interação de todas as crianças, valorize as diferenças, estimule a autonomia e fortaleça a autoestima.

Neste guia do brincar inclusivo, você encontra sugestões de brinquedos, brincadeiras e jogos que permitem a participação de todas as crianças. você vai ver:

                                                      Incluir é bem mais simples do que parece e torna a brincadeira muito mais divertida! “

Para acessar o manual, clique em: GUIA UNICEF

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E lembre-se de divulgar em suas redes sociais!!!
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BY OINCRIVELZE · 6 OUTUBRO, 2015


segunda-feira, 25 de abril de 2016

Curso sobre Dislexia para Professor@s Online e Gratuíto

A UFMG, em parceria com o Instituto ABCD, elaborou o curso a partir da versão criada pela Dyslexia Internacional, que é uma organização sem fins lucrativos que dá treinamentos para professores, assegurando que a alfabetização é possível e efetiva na sala de aula.

Pesquisas mostram que 0,5% a 17% da população mundial, apresenta sintomas  da dislexia...


Dislexia não é uma doença, mas um transtorno genético e hereditário da linguagem, geralmente é identificada na fase da alfabetização, quando a criança apresenta dificuldades para decifrar os códigos escritos e sonoros da leitura, trocando as palavras e seus significados.
O distúrbio é caracterizado pela dificuldade que o cérebro tem em processar os símbolos da soletração, escrita, leitura, e a compreensão de textos. Levando o professor a pensar em primeiro estágio, ser uma falta de concentração, problemas psicológicos, desinteresse, ou até mesmo preguiça para os estudos. 

Mas como saber de fato a real condição do aluno que apresenta dificuldade para aprender? É sabido também que as instituições em sua maioria não contratam profissionais capacitados para atender as necessidades específicas dessa realidade em sala de aula.

Pensando nessa problemática que os professores enfrentam, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) lançou, junto com o Instituto ABCD, uma plataforma para capacitação de professores, online e gratuito, sobre a Dislexia.

O curso tem como principal objetivo capacitar os educadores a identificarem os sintomas da dislexia e a ensinar o que deve ser feito, oferecendo subsídios e técnicas para um ensino efetivo com resultados positivos. Sabendo como proceder, o educador mostra ao aluno como ele pode lidar com sua limitações específicas, gerando um ambiente escolar mais seguro e acolhedor.

No curso, a plataforma apresenta os seguintes temas:

1- O que é dislexia, 

2- Qual a sensação de ter dislexia, 

3- O que causa a dislexia , 

4- O desenvolvimento da leitura, 

5- O cérebro e a linguagem, 

6- Processamento da linguagem, 

7- Fases da leitura, 

8- Resumo, 

9- Compreensão, 

10- Dificuldades na leitura, 

11- Outras dificuldades de leitura.


Você pode assistir aqui o documentário da HBO Viagem dentro da Dislexia (1h.36m)

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Education for All: Disability, Diversity and Inclusion (curso em inglês)

Prezad@s

Eu estou fazendo este curso e afirmo, vale a pena! 

E é GRATUÍTO!!!


É meio puxado, tem muitas atividades por semana, mas o nível é de alta qualidade, assim como os materiais. Se você tiver um tempo, monte um grupo e faça juntos com seus pares. Somente um precisa saber bem inglês para poder realizar as atividades.

Tem participantes do mundo inteiro e você pode conhecer muitas experiências na área de inclusão!!! Vale a pena.

Eles também vendem o certificado, mas é acessível: U$19.

FREE ONLINE COURSE
Education for All: Disability, Diversity and Inclusion
Join this free online course to find out how inclusive education can work, especially where resources are limited.

Clique no link abaixo:

Future Learn Courses



sábado, 2 de abril de 2016

Dia Mundial do Autismo - 2 de Abril... Vista azul e compartilhe suas aprendizagens sobre a contribuição das pessoas autistas

Windyz Brazão Ferreira
Jackeline Susann Souza da Silva




No dia 01 de Novembro de 2007, a  Organização das Nações Unidas - ONU aprovou uma série de temas de relevância social, desde a eliminação de todas as formas de violência contra a mulher (sexo feminino) e fortalecer programas de prevenção até designar um dia especial como o Dia Mundial do Autismo. 

Porque definir um dia especial é importante para as Pessoas Autistas e suas famílias?

Porque em todos os países haverá algum tipo de manifestação em defesa e promoção dos direitos das pessoas autistas para a redução do preconceito, assim como movimentos de disseminação de conhecimentos, experiências e informações importantes para fazer a parte da sociedade que é constituída pelas pessoas sem deficiência refletir sua atitude com relação às pessoas, neste caso, autistas, ou seja, refletir/rever sua forma de se relacionar, compreender e tratar as pessoas autistas e suas famílias.  

As estimativas da ONU indicam que, aproximadamente, 1% da população mundial possui a Síndrome do Autismo. 

No Brasil, esse percentual representa em torno de 2 milhões de crianças, jovens e adultos com autismo.

O dia 02 de abril de cada ano deve ser, portanto, um dia dedicado a esta tema: escolas, professor@s, pais e mães, associações de bairro, grupos religiosos, empresas e outros devem abordar assuntos relativos ao autismo por meio de promover atividades que nos ajudem a desenvolver novas compreensões e crenças sobre esta população maravilhosa constituída, cujas diferenças lhes permitem viver em um mundo mais interiorizado, que requer mais silêncio (mais introspecção) e menos envolvimento na vida alheia (menos fofoca, menos perda de tempo). A vida internalizada das pessoas autistas contribui para a reflexão sobre nosso papel no mundo, em especial, para aquel@s que têm o privilégio de recebê-los: suas famílias.  

O autismo é definido pela medicina como um distúrbio do neurodesenvolvimento que se manifesta precocemente e afeta as habilidades de comunicação, comportamento e interação social. Três habilidades fundamentais para a vida em sociedade.

O termo engloba também os denominados Transtornos do Espectro do Autismo-TEA, constituído por um grupo bastante diverso que abrange desde indivíduos que não se comunicam verbalmente com deficiência intelectual associada, até os chamados gênios com habilidades específicas.

O potencial das pessoas autistas nunca será conhecido se seus direitos de viver em comunidade e com as oportunidades naturais à vida de qualquer criança, jovem e adulto não forem respeitados!



Conheça a história de Jacob Barnett, escrita por sua mãe Kristine Barnett, no livro Brilhante (http://www.saraiva.com.br/brilhante-a-inspiradora-historia-de-uma-mae-e-seu-filho-genio-e-autista-4967303.html). 

Se ela não tivesse lutado pelos seus direitos de viver junto com qualquer outra criança e ouvido seus chamados – interesse por astronomia quando ainda era muito pequenino – ele não seria hoje um nome com potencial de Prêmio Nobel!!!

Assista agora ao Vídeo no Youtube, clicando abaixo:

"Forget what you know"

É o que Jacob Barnett nos leva a refletir em sua brilhante apresentação no TED. Esqueça o que você sabe sobre pessoas com autismo é o que pedimos neste dia Mundial de Conscientização do Autismo

Ele é um adolescente americano de 17 anos que estuda doutorado em Física Quântica e tem seus trabalhos cotados para futuros prêmios Nobel. O que chama atenção na história de Jacob é que aos dois anos de idade ele foi diagnosticado com autismo severo. Sua mãe, Kristine Branett, foi desenganada pelos especialistas que afirmaram categoricamente a ela que seu filho não iria aprender a falar, a ler e como diz o próprio Jacob “não iria aprender a amarrar os sapatos”. Após o diagnóstico, Jabob foi submetido a inúmeros programas de reabilitação e educação especial para desenvolver as habilidades de uma criança ‘normal’. Sua mãe relata na reportagem da BBC que fora da terapia Jacob “fazia coisas extraordinária como mapas de cotonete no chão da sala, recitava o alfabeto de trás para frente e falava quatro línguas na infância” 

Reportagem completa: 


História tão fantástica como a de Jacob Barnett é a de Carly Fleischmann (ver: https://www.youtube.com/watch?v=M5MuuG-WQRk ), uma jovem que tem uma irmã gêmea, mas que diferentemente da sua irmã, recebeu o diagnóstico de autismo. Durante toda infância, apesar da rotina intensa de reabilitação, ela não apresentava nenhum tipo de ‘avanço’ em seu desenvolvimento. Segundo seus pais e especialistas era certo que Carly só atingiria o padrão mental de uma criança de seis anos. No entanto, surpreendentemente, aos 11 anos de idade, Carly sentou em frente ao computador e digitou a palavra DOR e em seguida SOCORRO. Antes disso, a jovem nunca tinha comunicado nada diretamente e muito menos por meio da escrita. Seus pais refletiram “Como pode Carly se expressar daquela maneira? Como ela se manteve todo esse tempo ‘escondida’?” A partir desta interação ela foi estimulada pelos seus familiares a comunicar-se pelo computador e passou a falar sobre si e sobre o autismo, desconstruindo qualquer visão que tentasse reduzi-la ou rotulá-la. Ela usa sistematicamente suas contas no Twitter e Facebook para interagir com o público.

Quantos Jacob e quantas Carly estão impedidos de serem descobertos por causa de seus diagnósticos e prescrição, ou ainda isolamento em instituições que os limitam e constrangem ?


Por suas características sociais distintas, frequentemente pessoas autistas e com TEA são alijadas da vida familiar; privadas de liberdade e trancafiadas em instituições similares a asilos ou em suas próprias residências; estão vulneráveis a discriminação e violência física, psicológica e sexual. Além disso, quando podem ter acesso à escolarização, com frequência, suas famílias encontram as portas das escolas fechadas: a matrícula é negada tanto em escolas públicas quanto privadas.

Não é diferente com os serviços de saúde – médicos e paramédicos, cuja maioria profissional conhece muito pouco sobre a síndrome e adota procedimentos obsoletos e prejudiciais, muitas vezes tratamentos experimentais, intrusivos e devastadores de modificação de comportamento.




Assista ao filme Temple Grendin e veja como uma interpretação sem fundamentação do autismo poderia impedir o desenvolvimento de uma mente brilhante, se não fosse um professor mais aberto e sensível à diferença, ela não se tornaria a criadora de uma sistema inovador de abate de gado nos EUA que foi adotado no país todo!. Depois de ver o filme da história de vida desta mulher autista, assista à uma de suas palestra no TED.


Temple Grandin no TED

Pessoas com autismo são crianças, jovens e adultos do sexo feminino ou masculino, que nascem, crescem e vivem como qualquer outra pessoa se as oportunidades estiverem presentes e o respeito às suas características individuais existir.

Todavia, a sociedade ainda não está preparada para conviver com as diferenças humanas e é intolerante contra os que são mais diferentes porque tod@s somos diferentes dos outr@s. Não há um ser humano igual ao outro, nem mesmo os gêmeos univitelinos!!! A consequência de tal intolerância à diversidade humana é que as pessoas autistas ou com TEA (assim como os gays, as pessoas com cegas negras, surdas, etc.) acabam sendo vulnerabilizadas e vítima de múltiplas manifestações de discriminação e exclusão, as quais – sistematicamente - impedem seu pleno desenvolvimento e gozo dos direitos fundamentais, conforme estabelecido pela Convenção dos Direitos da Pessoa com Deficiência (ONU, 2006) e pela recente Lei n° 13.146 publicada em 6 de julho de 2015.



Concluímos com a história do menino autista neozelandês James Isaac e Mahe, seu cão Labrador preto, que mostram que tudo é possível se tivermos mentes e corações abertos para as diferenças e os direitos humanos.

O labrador foi treinado para acompanhar crianças autistas e exerce papel fundamental na rotina do menino neozelandês James Isaac

Há dois anos, a companhia do cão Mahe torna a vida do menino com autismo James Isaac mais calma. Por causa da doença, o menino neozelandês, de 9 anos, é extremamente ansioso e só consegue se acalmar ao lado do animal de estimação. O caso que melhor demonstra a relação dos dois foi quando o cão acompanhou o menino durante exames de rotina. Os médicos autorizaram a entrada no animal no hospital pelo bem que ele faz a James.

Desde os seis meses de idade, Mahe foi treinado para acompanhar crianças com autismo pela instituição de caridade “Assistance Dogs New Zealand Trust”, na Nova Zelândia. Wendy Isaacs, fundador da instituição, conta que é impressionante a relação entre os cães e as crianças autistas:

“É uma conexão mágica, eles simplesmente acalmam os garotos. As crianças mantêm contato visual com os animais, algo que muitas vezes não acontece nem com seus parentes.”

70 milhões de pessoas têm autismo no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), e o garoto tem o grau profundo da doença. A mãe dele, Michelle Issas, contou no programa norte-americano “Today Show” que o cachorro exerce um papel fundamental na rotina da família.

“Mahe mudou as nossas vidas. É parte da família agora. A principal coisa que ele faz é ajudar a manter James seguro e calmo quando estamos na rua”, disse.

Quando saem juntos, uma coleira liga os dois e impede o menino de ir muito longe. Caso James tente correr, o cão é treinado para sentar e impedir qualquer risco.
“Antes de Mahe, nós teríamos que segurar sua mão com força para impedi-lo de correr, e James odeia isso. Ele só quer sua liberdade. Mahe dá-lhe a liberdade para explorar seu ambiente sem ser arrastado ao redor”, acrescentou a mãe".
O caso mais emocionante da relação dos dois ocorreu durante uma ressonância magnética de James. No exame de rotina, o garoto teve que ser sedado e o cachorro esteve ao seu lado todo tempo. Os médicos, ao verem o benefício do companheirismo entre eles, permitiram até que Mahe subisse na cama do amigo.

“Ele ficou com o rosto muito perto de James, que estava dormindo. Foi comovente pois ele parecia realmente preocupado”, lembra Michelle.

Quando James acordou, o cão estava ao lado, o que fez com que ele se acalmasse. Uma vez por semana, o cachorro acompanha o menino à escola, onde os professores estão sendo treinados para lidar com o cão. “Eles acreditam que Mahe terá um efeito muito positivo sobre as outras crianças em sua classe”, afirmou a mãe.


sexta-feira, 25 de março de 2016

Dane-se a legislação!!! Escolas escancaradamente recusam matrículas de pessoas com deficiência

Windyz Brazão Ferreira
Jackeline Susann Souza da Silva




O Brasil é o país das desigualdades e de muitas leis. Porque estou correlacionando leis à desigualdade social? Porque há uma proporcionalidade entre estes dois relevantes elementos que são inerentes às relações sociais de poder: quanto maior a vulnerabilidade de uma pessoa ou grupo social, maior a chance de ter seus direitos garantidos por leis violados sem que nada seja feito. No campo da inclusão escolar de pessoas com deficiência isso não para de acontecer!

Em 2005, escrevi um artigo para a Inclusão Revista de Educação Especial[1], cujo título era Educação Inclusiva: será que sou a favor ou contra uma escola de qualidade para todos??? Naquele ano decidi (re)tratar as justificativas, com diferentes alegações, de recusa sistemática de matrículas de estudantes com deficiência nas escolas brasileiras, entre as quais, ´a escola não está preparada´, ´não temos profissionais qualificados´, ´o número de alun@s por classe é muito alto´, etc. Nos dez anos seguintes, o MEC (primeiro a extinta Secretaria de Educação Especial- SEESP e depois, menos enfaticamente, a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão - SECADI) apresentou dados oficiais das ´maravilhas´ do crescimento da inclusão escolar no país, leia-se, do crescimento no número de matrículas de estudantes com deficiência nas escolas brasileiras, os quais são maquiados por dados estatísticos que não fazem correlações com o total de matrículas na educação básica. Isto significa que o que parece um grande avanço é, estatisticamente, apenas um avanço proporcional ao crescimento do sistema educacional naqueles anos.

É verdade que mais crianças, jovens e adultos com deficiência tiveram acesso às matrículas nas escolas regulares após o lançamento do Programa Educação Inclusiva: direito à diversidade[2]  do MEC que durou em torno de 10 anos no país (o ultimo documento é de 2011-12 (vide: http://portal.mec.gov.br/secretaria-de-educacao-continuada-alfabetizacao-diversidade-e-inclusao/programas-e-acoes?id=17434) . 

É verdade também que muita gente acreditou - pós lançamento, em 2008, da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (PNEE-EI) - que a implantação do Atendimento Educacional Especializado (AEE) em Salas de Recursos Multifuncionais (SRM) no contraturno escolar (absurdo em um país enorme como o nosso e com as crianças – muitas vezes – morando em bairros distantes!) das escolas públicas constituía uma orientação viável e promissora para efetivar a inclusão escolar. Paralelamente a este serviço, a PNEE-EI ´promete´ cuidador@s nas escolas para estudantes que precisam de apoio mais sistemático às suas necessidades, tradutor@s-intérpretes (T-I) para surdos, serviços de BRAILLE para cegos, entre outros. 

Como veremos abaixo, cuidador@s são escassos nas escolas, assim como T-I para surdos quase inexistente e o resultado é que @s surd@s continuam a ser agrupados em algumas escolas da rede para que ´tenham com quem conversar´ ao invés de terem acesso ao T-I em qualquer escola de forma que possam conviver com seus colegas surd@s ou não!  

Aqui vale a pena destacar que as escolas privadas continuam a ignorar e rejeitar as diretrizes políticas e o marco político-legal quando se trata de inclusão de pessoas com deficiências em suas escolas (vide Petição pela Inclusão em: http://www.inclusive.org.br/?p=28937). Ou seja, assim como para outras leis, as leis educacionais no Brasil somente valem para os grupos sociais em situação de vulnerabilidade e não para grupos da elite privilegiada. (Leia meu artigo: O conceito de diversidade no BNCC: relações de poder e interesses ocultos em: http://www.esforce.org.br/index.php/semestral/article/view/582 publicado em março de 2016)  

20 anos após o lançamento da Declaração de Salamanca pela UNESCO (1996), treze anos passados do Programa EI:dd do MEC e oito anos da política de inclusão as evidencias científicas e empíricas escancaram o fato de que nem o programa acima conseguiu mudar a cultura, a política e as práticas excludentes existentes nas escolas brasileiras e, muito menos ainda, o AEE constitui serviço de apoio ao estudante com deficiência que seja efetivo, tenha qualidade e esteja disponível em todas as escolas. As reportagens abaixam denunciam esta realidade:

Inclusão de fachada: alunos especiais perdem aulas por falta de mediadores na rede municipal do Rio. Leia na íntegra em clicando em: http://extra.globo.com/noticias/educacao/inclusao-de-fachada-alunos-especiais-perdem-aulas-por-falta-de-mediadores-na-rede-municipal-do-rio-18815299.html

Pessoas com deficiência são rejeitadas por escolas, apesar das leis que garantem acesso à educação. Leia na íntegra clicando em: http://www.metropoles.com/distrito-federal/educacao-df/pessoas-com-deficiencia-sao-rejeitadas-por-escolas-apesar-das-leis-que-garantem-acesso-a-educacao  (06/03/2016)


Pais lutam para matricular filhos com alguma deficiência em escolas regulares. Leia na íntegra clicando em: http://g1.globo.com/pb/paraiba/bom-dia-pb/videos/v/pais-lutam-para-matricular-filhos-com-algum-tipo-de-deficiencia-em-escolas-regulares/4750341/

Pagar taxa extra, explicar que já houve o ´preenchimento de cotas´ na escola para estudantes com deficiência (quem inventou esta ideia maluca???) e colocar o nome da criança ou do jovem em uma lista de espera, pagar cuidad@r ou ainda ´testar´ a presença da criança na escola (procrastinar como criminalizado na Lei 7853/89 e agora na Lei Brasileira de Inclusão - Lei  13.146/2015), ou dito de outra forma, testar a capacidade da criança de adaptação ao ambiente escolar conforme ditado pelo modelo médico, são as novas justificativa para discriminar e excluir escancaradamente, sem que o governo sequer mencione o fato e considere as inúmeras denúncias. Isto significa que – mais uma vez – o grupo social constituído pelas pessoas com deficiência e suas famílias está abandonado pelo poder público. Somente resta procurar o Ministério Público-MP e buscar seus direitos. Mas, quantas pessoas fazem uso deste procedimento? E, se fizessem, será que haveria como o MP dar conta do número de denúncias??? O fato é que existe uma correlação entre ´deficiência e pobreza´, de acordo com documentos internacionais (vide p.40 do Relatório Mundial sobre a Deficiência - http://www.pessoacomdeficiencia.sp.gov.br/usr/share/documents/RELATORIO_MUNDIAL_COMPLETO.pdf)  e, como sempre, são as famílias mais simples e mais sem recursos as que serão mais penalizadas pela violação dos direitos de seus filhos à educação.

Eu tenho me declarado, aberta e publicamente, contra à denominada ´política de inclusão escolar´ para estudantes com deficiência do governo federal via as SRM/AEE desde seu lançamento por várias razões:

(1)    entendo (como já comprovado) que este serviço não seria viabilizado nas mais de 190 mil escolas públicas em território nacional. Como o governo daria conta de implantar as SRM em todas escolas e com qualidade em termos de recursos materiais e humanos???

(2)    era óbvio que não haveria recursos financeiros na esfera federal e muito menos na estadual e municipal, previsão coroada com o fechamento da Secretaria de Educação Especial por Claudia Dutra[3], então Secretaria de Educação Especial, na calada da noite. Como manter a política de inclusão em curso sem verbas porque a verba da SEESP foi transferida para a SECADI e, certamente, diluída em outros programas considerados mais relevantes para a política partidária

(3)    em um país com dimensões territoriais como a brasileira e com a diversidade geográfica e cultural como a existente em cada região, como formar recursos humanos suficientes, com a qualidade requerida para atender às demandas desses estudantes? Estimular a criação de cursos à distância e que adotam o modelo médico com o foco na deficiência, com certeza não é o caminho apropriado para formar profissionais especializados para atuar junto ao público alvo da educação especial, segundo a Política Nacional da Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (BRASIL 2008) [1], qual seja, estudantes com deficiências sensoriais, intelectual e física; estudantes com transtorno global de desenvolvimento (autismo e espectro) e altas habilidades/superdotação.

Ao longo de quase 15 anos, as sistemáticas propagandas nos meios de comunicação, de alta qualidade, para vender o ´peixe da inclusão´ e as ações sistemáticas de formação de profissionais atuando nas secretarias dos municípios-pólo (no inicio 144 municípios e hoje reduzido a cinco municípios, sendo um em cada região brasileira – vide: http://portal.mec.gov.br/par/194-secretarias-112877938/secad-educacao-continuada-223369541/17503-relacao-dos-municipios-polos-e-respectivas-abrangencias), provocou a disseminação do discurso inclusivo e nos fez acreditar que tudo mudaria, mas o que vemos é ainda a perpetuação da exclusão destas pessoas com base em sua deficiência e a absoluta negligência do governo federal quanto à violação descarada de seus direitos. 

Tudo isso junto me leva a acreditar que devemos lutar pela (re)instituição de uma Secretaria de Inclusão Escolar (em substituição da SEESP), uma vez que esta população constitui no Brasil em torno de 45 milhões de pessoas...  
[1] Educação Inclusiva: será que sou a favor ou contra uma escola de qualidade para todos??? Disponível em:  http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/revistainclusao1.pdf pp. 40-46)
[3] Embora tenha sido submetida à consulta pública, a política foi construída na gestão de Claudia Pereira Dutra[3], Secretaria de Educação Especial e responsável pelo fechamento da mesma, com a colaboração de acadêmicos. (Vide paginas 2 e 3 do documento em: http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/politicaeducespecial.pdf)   


domingo, 13 de março de 2016

Cartilha sobre Gentle Teaching (John MacGee)

(Tradução: Windyz B Ferreira do documento
Primer on Gentle Teaching e partes de vídeos)


Gentle Teaching (tradução: Ensino Gentil) é uma abordagem criada por John MacGee, um americano que viveu no nordeste brasileiro e conheceu nossa cultura, assim como a teoria de Paulo Freire. Al voltar para os EUA, John fez um Doutorado e desenvolveu a abordagem hoje, conhecida como Gentle Teaching.

Gentle Teaching (também traduzido pelo psicólogo Mario Soares, diretor da ASSOL- www.assol.pt)como Pedagogia do Companheirismo e da Interdependência) é muitas coisas...

·       Gentileza em direção a outros é um fator crítico, independentemente do que qualquer pessoa faça ou não faça. It is a paradox.

·       -  Punhos devem ser encontrados com abraços.

·       -  Chingamentos e amaldiçoar o outro/a deve ser encontrado com palavras de afeição e carinho

·       - Olhos que oferecem desprezo devem ser encontrados com calor.

A gentileza reconhece que toda mudança é mutua e entrelaçada, se inicia com os cuidadores e, espera-se, toque aqueles que são os mais vulneráveis e seu foco central é expressar incondicionalmente amor.

·       É uma referência em torno da Psicologia da Interdependência humana.

A ideia principal da gentileza é não se livrar do comportamento de alguém, mas aprofundar nosso próprio sentimentos internos de gentileza frente à (comportamentos) de violência ou desconsideração.

Gentle Teaching é também uma abordagem de ensino e tem 4 propósitos iniciais: Ensinar outros a se sentir:

- Seguro: você está seguro comigo... não tenha medo...

- Amado: sinta-se amado por mim...

- Amando: seja amável para mim...  

 - Envolvido: envolva-se comigo...

Não importa em que língua você mostre ou fale ´isso´, a pessoa gradualmente vai entender. (Veja o vídeo a seguir, em inglês, da interação do John com Ronald. Não é necessário entender inglês)



Estes propósitos não acontecem simplesmente.
Eles são ensinados por meio de ações repetidas de atos de amor.

Cuidadores Gentis aprendem a usar sua presença, mãos, palavras e olhos como seus primeiros instrumentos para elevar e honrar outros. As pessoas com ´os corações partidos´ vão sentir que minha presença, minhas palavras, meus olhos e toque are bons, não machucam...  

OBS. Há vídeos com John MacGee falando sobre GT em inglês no youtube. Abaixo alguns links...







Meu contato com GT e com John MacGee... 

Eu conheci John MacGee em 2009 em Portugal na Conferência Internacional organizada por Mário Pereira, diretor da ASSOL. John fala português muito bem, foi casado com uma brasileira (John faleceu em 2014) e é a personificação do que nos ensina com o Gentle Teaching. Desde então, eu participei das Conferências que aconteceram na Holanda (2010), na Dinamarca (2012) e na Grécia (2014). ESte ano a Conferência será realizada na Islândia. Sempre é realizada em setembro.

A aplicação desta abordagem foi iniciada há, em torno de 30 anos atrás, com pacientes institucionalizados e que eram frequentemente mau tratados, machucados, trancafiados, etc. Foi muito usada em instituições para pessoas autistas, por seu ´comportamento não social´... Hoje, o GT é aplicado em organizações, escolas, instituições, hospitais, etc. de mais de 25 países.

Em outubro de 2015, convidei o Mario Pereira para vir ao Brasil e dar um curso para famílias de pessoas autistas. O curso foi realizado em João Pessoa e envolveu 20 famílias. Meu objetivo é compartilhar esta abordagem no Brasil e apoiar pontes para famílias interessadas. 

terça-feira, 8 de março de 2016

O Dia Internacional da Mulher: algumas considerações sobre violências contra mulheres com deficiência

Anahi Guedes de Mello

Antropóloga, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Santa Catarina e pesquisadora vinculada ao Núcleo de Identidades de Gênero e Subjetividades e ao Núcleo de Estudos sobre Deficiência (NIGS/NED/UFSC). Tem experiência em Estudos sobre Deficiência, desenvolvendo pesquisas sobre gênero e deficiência, sexualidades, violências contra mulheres com deficiência, acessibilidade e tecnologia assistiva.


Em uma pesquisa envolvendo as percepções da opinião pública em relação aos direitos humanos das pessoas com deficiência no Brasil, Debora Diniz e Lívia Barbosa afirmam que “embora as pessoas reconheçam a discriminação existente contra indivíduos com deficiência, não a traduzem sob a forma de violência ou maus-tratos” [1]. Prosseguem as autoras alertando que “em uma lista com oito tipos de violência, apenas 5% das pessoas responderam que a violência contra pessoas com deficiência deveria ser combatida em primeiro lugar”.

Duas hipóteses explicam esse resultado: “ou esse fenômeno inexiste na vida cotidiana das pessoas deficientes e de suas cuidadoras, ou a subnotificação impõe uma regra perversa de silêncio. O fato é que inexistem dados sobre a magnitude da violência contra deficientes no Brasil”[idem]. Sustentam que uma possível explicação para a pouca relevância dada a pesquisas sobre esse tema no Brasil se deve ao fato do debate público e midiático da agenda da deficiência se concentrar nas necessidades de saúde, transporte e trabalho. Para elas, as violências contra pessoas com deficiência se mantêm na esfera privada, não sendo percebidas como uma questão de direitos humanos. E os poucos estudos localizados apontam a violência doméstica como o tipo mais frequente de violência praticada contra esse segmento. Entretanto, do ponto de vista da interseção entre gênero, deficiência e violência, os poucos estudos nacionais, amparados por referências internacionais, evidenciam o argumento da maior vulnerabilidade de mulheres com deficiência a sofrer violências na esfera doméstica e familiar.

Os dados analisados comprovam a tese de que são essas mulheres as mais vulneráveis a sofrer abusos, maus-tratos, lesões, abandono e negligências por parte de familiares e agentes estatais. Contrariamente ao apontado na mídia e em publicações feministas sobre violência doméstica contra a mulher no âmbito conjugal, em que a dependência financeira e emocional são os principais motivos pelos quais as mulheres desistem de denunciar seus agressores, a maioria homens, nas violências contra mulheres com deficiência, a questão da independência financeira fica em segundo plano, pois a primeira pergunta que emerge é: “Quem vai cuidar de mim?”. Essa “rede de cuidados” geralmente inclui pessoas de sua rede de parentesco, majoritariamente mães, pais, irmãos, irmãs, filhos e filhas que, em maior ou menor grau, cuidam ou deveriam cuidar da/do sua/ seu filha/filho, irmã/irmão e mãe/pai com deficiência. Também podem envolver a participação de profissionais das áreas de saúde ligadas ao cuidado (principalmente Enfermagem, Mastologia e Ginecologia).

Desse modo, as violências contra mulheres com deficiência não ocorrem majoritariamente no contexto das relações conjugais (por exemplo, marido contra mulher em uma relação heterossexual), mas têm mais proximidade com os debates envolvendo a violência doméstica contra pessoas idosas, justamente porque ambas canalizam o contorno dos corpos com impedimentos que necessitam da assistência de longa duração para desenvolver, potencializar ou manter suas capacidades básicas.

O presente texto se baseia em minha dissertação de mestrado em Antropologia Social pela UFSC, defendida em fevereiro de 2014 sob o título “Gênero, Deficiência, Cuidado e Capacitismo: uma análise antropológica sobre experiências, observações e narrativas sobre violências contra mulheres com deficiência”.

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[1] DINIZ, D.; BARBOSA, L. Pessoas com Deficiência e Direitos Humanos no Brasil. In.: VENTURI, G. (Org.). Direitos Humanos: percepções da opinião pública – análises de pesquisa nacional. Brasília: Secretaria de Direitos Humanos, 2010. p. 211. 3) Diniz e Barbosa, loc. cit 

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Disponível: http://www.pessoacomdeficiencia.gov.br/app/sites/default/files/arquivos/%5Bfield_generico_imagens-filefield-description%5D_100.pdf 

Para conhecer mais sobre o campo dos Estudos sobre a Deficiência no país e Anahi G de Mello, assista ao vídeo abaixo:





segunda-feira, 7 de março de 2016

Estudos sobre a Deficiência: Para além da Educação Especial e da Educação Inclusiva

Jackeline Susann S. Silva
jackeline-susann@hotmail.com


O cenário negativo que narra a história de pessoas com deficiência fundamentou o crescimento e a consolidação, a partir do final do século passado, de um marco político-legal para a inclusão social e educacional deste grupo no Brasil (BRASIL, 1996, 2000, 2002, 2003, 2004, 2008, 2011, 2015). Este marco político é, hoje, reconhecido mundialmente. Contudo, os resultados de estudos e ‘a vida real’ de pessoas com deficiência indicam que a violação dos direitos deste grupo social se mantém praticamente inalterado. Exatamente, por isso, ações que promovam rupturas com a concepção médica, biológica e incapacitante da pessoa com deficiência são urgentes e cruciais no atual panorama brasileiro.

Com o impacto da política de inclusão no Brasil houve a significativa expansão no número de pesquisadores e pesquisadoras interessados/as em investigar temas relevantes nas várias esferas da vida da pessoa com deficiência. No campo da educação, cabe destacar a Rede Nacional de Pesquisadores que faz parte do Observatório da Educação Especial – 2010-2014, financiado pela CAPES (www.oneesp.ufscar.com.br). A recente Coleção do ONEESP traz o histórico, dados sobre implementação e política de Salas de Recursos Multifuncionais nas escolas regulares em todas as regiões do país e análises dos/as pesquisadores/as sobre a prática da política de inclusão na realidade nacional.

Sem dúvida, houve progressos na área, mas não foram e não são suficientes para promover rupturas conceituais, metodológicas e culturais importantes para o grupo de pessoas com deficiência. Os resquícios da perspectiva médica da deficiência influenciaram os campos da educação especial e, agora, da educação inclusiva que permanecem um lugar de produção ilhado e disciplinar. Em outras palavras, assim como ocorreu a segregação das pessoas com deficiência nos espaços da vida comum, há a segregação da produção de conhecimento deste grupo que se mantém distante daquilo que é discutido nos outros campos de conhecimento e no próprio <<grande>> campo da educação, por causa da conseguente separação da educação das pessoas com deficiência por essa ser considerada <<especial>>, <<inclusiva>> e <<especializada>>.

Ainda com pouca visibilidade, pesquisadoras e pesquisadores com e sem deficiência do campo dos Estudos sobre a Deficiência têm chamado atenção as novas maneiras interdisciplinares de se pensar a "experiência da deficiência" pelo prisma dos Estudos Feministas, dos Estudos Culturais, da Sociologia, entre outros.
  
Os Estudos sobre a Deficiência, apesar de iniciados na segunda metade do século passado, ainda são poucos conhecidos e disseminados no Brasil, país com dimensões continentais que, como consequência, dificulta a identificação de iniciativas acadêmicas ou institucionais relativas à pessoa com deficiência. Somente em Junho de 2013 foi realizado o “I Simpósio Internacional de Estudos sobre a Deficiência: Conflitos, Direitos e Diversidade”, promovido pela Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Estado de São Paulo. Ou seja, é indiscutível e urgente a necessidade de pesquisar, analisar e caracterizar a história dos Estudos sobre Deficiência no Brasil:

Os chamados Disability Studies consistem num campo de estudos interdisciplinar que ganhou projeção mundial, tendo origem no contexto anglo-saxão, em meados da década de 1960. A proposta principal desse movimento intelectual, que mais tarde, acabou compondo os discursos dos movimentos ligados aos direitos das pessoas com deficiência, é a de que a deficiência não é simplesmente uma tragédia individual cuja “solução” estaria reservada aos quartos dos hospitais e centros de reabilitação. 
Ela é muito mais do que isso, portando dimensões essencialmente sociais e políticasNessa perspectiva, as inciativas nesse campo visam gerar debates públicos que desconstroem preconceitos e retiram da deficiência a noção de ‘doença’, ‘degeneração’ e ‘desvio’ e a situam na perspectiva de uma condição da diversidade humana – como mulheres, negros, gays, indígenas e outras minorias – sem, no entanto, criar rótulos e identidades férreas. 
(citação disponível em: 


O ativismo das pessoas com deficiência e simpatizantes, vinculado ao movimento dos Estudos sobre a Deficiência, portanto, representa a denúncia e a contestação contra a estrutura social incapacitante e a consequente opressão e violação dos seus direitos (MARTINS et. Al, 2012). 

Nós, pessoas sem deficiência, simpatizantes, acadêmicos, pesquisadores/as e outros, precisamos sair do lugar comum de percepção da deficiência como única identidade da pessoa com deficiência. Precisamos nos esforçar para desconstruir a ideia de mera adaptação da pessoa com deficiência aos múltiplos ambientes e às relações humanas, que ainda são incompatíveis com suas identidades, diferenças e demandas. As políticas públicas, as ações coletivas conscientes sobre os direitos das pessoas com deficiência e o protagonismo deste grupo são poderosos instrumentos de mudança social e, nós devemos contribuir para tais mudanças. 

Agora é a vez das pessoas sem deficiência respeitarem o protagonismo de pessoas com deficiência e o lema 
"Nada sobre Nós sem Nós"

Para mais informações sobre os Estudos sobre a Deficiência acesse: